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César Maia diz que não há 'fato contundente' para impeachment

Temer foi gravado por um dos donos do grupo J&F falando sobre a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha

César Maia diz que não há 'fato contundente' para impeachment
Notícias ao Minuto Brasil

18:40 - 18/05/17 por Folhapress

Política repercussão

O vereador César Maia (DEM-RJ), ex-prefeito do Rio e pai do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira que não há "fato contundente" até o momento que motive a renúncia ou impeachment do presidente Michel Temer (PMDB).

Para ele, apenas a divulgação dos áudios da investigação da Operação Lava Jato poderia mudar este cenário.

"Foi uma gravação de uma conversa um tanto informal na casa do presidente da República em que ele usa uma frase. Como se conecta essa frase com os fatos? Quem quer criminalizar a frase, criminaliza. Vai ter um monte de gente querendo dizer: 'Se refere a isso ou aquilo'", disse na Câmara Municipal do Rio.

Temer foi gravado por um dos donos do grupo J&F, proprietário do frigorífico JBS, falando sobre a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O presidente ouviu do empresário Joesley Batista, da JBS, que ele estava dando a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, um dos operadores da Operação Lava Jato, uma mesada na prisão para que ficassem em silêncio. Temer disse: "Tem que manter isso, viu?"

A delação aponta também que Temer destacou o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para intermediar interesses do grupo empresarial no Cade, órgão de defesa da concorrência.

Desde 2011, ele trabalha com o presidente, quando Temer foi eleito vice na chapa de Dilma Rousseff. Rocha Loures, na época, era chefe de Relações Institucionais da Vice-Presidência.

Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista, do grupo JBS.

Para Maia, o vínculo entre o recebimento do dinheiro por Loures e o presidente ainda não está provado.

"Não acredito. Acha que para [definir um cargo na] Procuradoria [da Fazenda Nacional], Receita, Cade, o presidente chamaria o Rodrigo Loures? Não tem nem tempo de serviço. Quantos mandatos ele tem? Um e agora era suplente. [Temer] Pode ser amigo dele, do pai. Mas [o presidente vai dizer:] 'Olha, você vai procurar a JBS e informar que tem as seguintes vagas abertas?' Isso não existe", afirmou o ex-prefeito.

"Às vezes as pessoas próximas acham que têm tanto poder que abusam do poder que não têm. Mas não posso acreditar que o presidente da República seja qual for vai autorizar um assessor, filho de um empresário no Paraná amigo com só um mandato... Ou o deputado entra numa delação e demonstra que ele era um interlocutor, ou é simplesmente alguém querendo tirar dinheiro do empresário mostrando que é poderoso. Vai ficar por isso mesmo", declarou Maia.

O ex-prefeito defendeu que, em caso de renúncia ou impeachment, seja respeitada a Constituição. Ou seja, seu filho, Rodrigo Maia, assumiria a Presidência para convocar eleições indiretas.

Ele rechaçou a tese de que uma eleição indireta feita por um Congresso composto por citados na Operação Lava Jato resultaria num presidente sem legitimidade."Mas aí tem a Constituição. Dentro da Constituição quem tem legitimidade? Aí você diz: 'A população tem legitimidade se houver voto direto.' Nesse momento, o que significa o voto direto? Uma eleição de dois meses? Quem vai ganhar essa eleição? Bolsonaro? E se ganhar de afogadilho, em cima de uma crise gigantesca de percepção da opinião pública, é esse o caminho? Na Itália, após a Operação Mãos Limpas, elegeram quem? [Silvio] Berlusconi."

Para o ex-prefeito, Temer pode manter-se no poder com a eventual recuperação da economia e aprovação das reformas da Previdência e trabalhista.

"Veja a curva [de popularidade] do Itamar [Franco]. Foi decrescente. Na hora que entrou o Plano Real, fez isso [subiu]. Se ele [Temer] completa as reformas, se isso gera um impacto, a inflação baixa, o emprego cresce, etc... Ele não é candidato a nada, busca um patamar ali de 23%. Com informações da Folhapress.

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