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Para senador, Temer não passa da próxima semana na presidência

João Capiberibe comentou decisão do presidente de não renunciar após denúncia de corrupção

Para senador, Temer não passa da próxima semana na presidência
Notícias ao Minuto Brasil

17:16 - 19/05/17 por Notícias Ao Minuto

Política entrevista

O senador João Capiberibe do PSB, do estado do Amapá, comentou a decisão de Michel Temer de não renunciar no meio do escândalo em torno da gravação de conversa de Temer com o dono da JBS e sobre o futuro político do atual presidente.

O senador acredita que Temer ainda pode renunciar daqui a mais alguns dias e que está aguardando o momento certo para renunciar. Em todo o caso, para Capiberibe, os dias da presidência de Michel Temer estão contados.

"Eu não acredito que o presidente consiga passar além da próxima semana sem renúncia", declarou.

Lembramos que na última quarta-feira (17), foi divulgada a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa JBS, no âmbito da Operação Lava Jato, revelando uma gravação em que Michel Temer teria autorizado o pagamento de propina para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. "Tem que manter isso, viu?", teria dito Temer na gravação.

Possibilidades de Temer deixar o cargo

O senador João Capiberibe apresentou à Sputnik Brasil três possibilidades de o presidente deixar o poder:

"Uma pela renúncia, que seria a mais tranquila, menos dolorosa e a mais rápida para a gente avançar na superação da crise política e, consequentemente, da crise econômica em que o pais vive por mais de dois anos. A segunda seria a decisão do TSE, a partir de aí vai ser o julgamento da chapa Dilma e Temer. E claro o mais prolongado será o impeachment".

Tocando a questão do impeachment, ele disse que o seu partido, o PSB, junto com o PDT, PCdoB, PSOL, a Rede e o PT protocolou o pedido de impeachment na Secretaria da Câmara Federal do presidente Temer.

Além disso, o senador Capiberibe acredita que, se tiver processo de impeachment, será muito mais rápido de que no caso de Dilma porque Michel Temer perdeu o apoio.

"Eu tenho certeza que esse processo seria muito rápido até porque os partidos da base de Temer estão desembarcando do governo. O PSDB acaba de protocolar também o pedido de impeachment. De fato Temer está sendo abandonado pelos seus apoiadores e isso facilita — e eu diria agiliza — o processo de impeachment".

O que virá depois da saída de Temer — eleições diretas ou indiretas?

O senador do PSB se manifestou preocupado com o período pós-Temer que, segundo ele, já está se aproximando, pois para Capiberibe "não vai passar a semana que vem com Temer na presidência". E quando Temer deixar o cargo, a única alternativa legal, constitucional que o Brasil tem hoje seria uma eleição indireta. O Senado e a Câmara elegeriam o próximo presidente para cumprir o mandato até o final de 2018.

Porém, o senador João Capiberibe acredita que este cenário não será aceito pela sociedade brasileira por falta de credibilidade e legitimidade do parlamento tendo em conta que mais de 100 parlamentares estão sendo investigados por envolvimento em esquemas de corrupção.

Nesta situação a "voz das ruas" pode forçar o parlamento brasileiro a aprovar uma proposta de eleições diretas.

"Se a pressão das ruas chegar com força e invadir o Congresso Nacional, esta pressão do povo que tem uma solução para a crise, eu tenho a impressão de que a gente pode tramitar com mais rapidez a PEC das eleições diretas e finalmente dar palavra a quem é de direito: o povo."

Entretanto na quinta-feira (18) manifestações pela saída de Michel Temer e eleições diretas já abalaram várias cidades no Brasil.

Propostas de eleições diretas

Capiberibe contou à Sputnik Brasil que agora tramitam várias propostas de eleições diretas no parlamento. Uma é dele, apresentada no início do ano passado e que está na CCJ.

Mas há outra:

"Tem uma proposta do deputado Miro Teixeira, a mais avançada, que já tem o parecer favorável, tem relatório favorável do deputado Esperidião Amin e pode ser que seja votada já na sexta-feira (19) pela CCJ".

Entretanto, se uma dessas propostas for aprovada, o Brasil terá eleições presidenciais em 2017 e em 2018.

O senador também explicou as diferenças entre as duas propostas:

"A proposta seria para a eleição imediata para um mandato tampão — essa do deputado Miro Teixeira. A minha também. A minha é um pouco mais demorada, porque teria que fazer primeiro uma consulta popular, uma consulta ao povo e aí depender da resposta se a maioria do povo deseja uma nova eleição, então o TSE teria 30 dias para promover esta nova eleição. A [proposta] do deputado Miro Teixeira não precisa de consulta popular. Ela é direta: aprovou, as eleições vão acontecer imediatamente". (Sputnik News Brasil)

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