Brasileiro é assassinado a tiros no Paraguai

Familiares contam que ficaram sabendo do crime por uma amiga de Rogério que também mora no Paraguai

© Reprodução- Facebook

Justiça BRASILEIRO-PARAGUAI 28/09/21 POR Folhapress

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O brasileiro Rogério Laurete Buosi, de 26 anos, foi morto com treze tiros, dentro de casa, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, na noite do último sábado (25). Segundo a polícia local, junto ao corpo foi encontrado um bilhete onde se lia o aviso: "não roubar na fronteira", assinado pelo grupo intitulado "Justiceiros da Fronteira".

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Natural de Rondonópolis (MT), Rogério morava com a família em Araçatuba, no interior de São Paulo, e se mudou para o país vizinho em julho, supostamente a convite de amigos para trabalhar. Ele pretendia voltar ao Brasil em outubro.

Familiares contam que ficaram sabendo do crime por uma amiga de Rogério que também mora no Paraguai. O corpo da vítima foi encontrado, com marcas de pistola 9 mm, em um dos quartos da casa alugada onde ele vivia, no bairro Defensores Del Chaco.

Segundo a imprensa local, a polícia informou que não havia sinal de arrombamentos, o que sugere que a vítima conhecia o autor dos disparos; além disso, o local havia sido locado por um paraguaio, ainda não localizado para prestar depoimento, há um mês. A polícia não apontou o brasileiro como suspeito de crimes na região.

"Nós ainda não sabemos o que realmente aconteceu. Nenhuma informação oficial foi passada. Pelo bilhete encontrado, estão dizendo que ele estava envolvido com roubos, mas temos certeza de que ele não fez nada de errado. Além de estarmos lidando com a dor da morte dele, ainda temos que ouvir essas coisas", desabafa a irmã, Ana Lara Batista Leal, de 21 anos.

Ana Lara conta ainda que o irmão era um rapaz trabalhador, apegado à família e que amava viver. "Ele era como um melhor amigo, nós éramos muito apegados um ao outro, ele não guardava mágoas tinha um coração bom", acrescenta Ana.

O corpo de Rogério chegou em Araçatuba no domingo e foi sepultado na noite desta segunda-feira (27).

Procurado pela reportagem para esclarecer o andamento e acompanhamento do caso junto às autoridades paraguaias, o Itamaraty disse estar prestando assistência à família.

"O Itamaraty, por meio do Consulado-Geral em Pedro Juan Caballero, está à disposição para prestar toda a assistência cabível aos familiares da vítima, respeitando-se os tratados internacionais vigentes e a legislação local. [...] Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, informações detalhadas poderão ser repassadas somente mediante autorização dos envolvidos. Assim, o MRE não poderá fornecer dados específicos sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros", diz a nota enviada pelo órgão.

JUSTICEIROS

O "Justiceiros de La Frontera" é um grupo conhecido por agir de forma organizada e matar pessoas que eles julgam suspeitas de praticarem furtos e roubos na região da fronteira do Paraguai com o Brasil.

Os crimes cometidos por eles são, na maioria das vezes, com uso de armas de fogo e o grupo faz questão de deixar bilhetes assumindo a autoria dos assassinatos. Os principais alvos, segundo eles, são pessoas com envolvimento com furtos, roubos ou tráfico de drogas.

Segundo a polícia paraguaia, os "justiceiros" começaram a atuar em 2010 e ficaram um tempo sem agir, mas, nos últimos dois meses, diversos crimes registrados no país estão sendo atribuídos a eles, incluindo alguns contra brasileiros.

Um desses casos é o assassinato de Robson e Jeferson Martinez de Souza de 19 e 21 anos, respectivamente, que foram baleados com 29 tiros no dia 1º de agosto, na cidade de Pedro Juan Caballero. Na ocasião, um bilhete também teria sido deixado no local, indicando que a ação seria do grupo autodenominado "Justiceiros da Fronteira".

Poucos dias antes, em 27 de julho, um casal de brasileiros também foi morto a tiros na mesma cidade. Na época, a polícia destacou que os criminosos deixaram um bilhete junto ao corpo de uma das vítimas assinado pelos "justiceiros da fronteira" e com a frase "por favor, não roubar".

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