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Doria manda recolher material didático por suposta apologia

A apostila de ciências para alunos do 8º ano do ensino fundamental fala em identidade de gênero

Doria manda recolher material didático por suposta apologia
Notícias ao Minuto Brasil

21:35 - 03/09/19 por Folhapress

Brasil EDUCAÇÃO-SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador João Doria (PSDB) mandou recolher das escolas estaduais de SP um material didático que fala em identidade de gênero. A menção consta de apostila de ciências para alunos do 8º ano do ensino fundamental (entre 13 e 14 anos de idade).

Em publicação em rede social, Doria afirmou não tolerar a suposta propaganda de "ideologia de gênero". A expressão, cunhada por religiosos, não é reconhecida no mundo acadêmico e normalmente é usada por grupos conservadores contrários às discussões sobre diversidade sexual e de identidade de gênero. A apostila não fala em "ideologia de gênero".

"Fomos alertados de um erro inaceitável no material escolar dos alunos do 8º ano da rede estadual", escreveu o tucano. "Solicitei ao secretário de Educação o imediato recolhimento do material e apuração dos responsáveis. Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gênero."

O material explica os conceitos de sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual, além de trazer orientações sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis.

Na tarde desta terça (3) o governador classificou o material como "apologia da ideologia de gênero". "Não é razoável que alguém na secretaria da Educação entenda que ideologia de gênero possa ser uma decisão arbitrada por quem quer que seja sem o conhecimento e a prévia aprovação do secretário. Quem fez será punido."

O governador disse que não viu a cartilha e que foi informado pela imprensa sobre a existência do material. Segundo Doria, o secretário da Educação, Rossieli Soares, não aprovou o material didático.

Ao falar da identidade de gênero, a apostila reproduz conteúdo produzido pelo Ministério da Saúde. Diz: "A identidade de gênero refere-se a algo que não é dado e, sim, construído por cada indivíduo a partir dos elementos fornecidos por sua cultura: o fato de alguém se sentir masculino e/ou feminino. Isso quer dizer que não há um elo imediato e inescapável entre os cromossomos, o órgão genital, o aparelho reprodutor, os hormônios, enfim o corpo biológico em sua totalidade, e o sentimento que a pessoa possui de ser homem ou mulher".

Em nota, a Secretaria da Educação afirma que o material tem "conteúdo impróprio para a respectiva idade e série" e que "o tema de 'identidade de gênero' está em desacordo com a Base Nacional Comum Curricular e com o Novo Currículo Paulista."

No entanto, a base nacional prevê que, no 8º ano, o aluno consiga "selecionar argumentos que evidenciem as múltiplas dimensões da sexualidade humana (biológica, sociocultural, afetiva e ética)".Segundo a Secretaria da Educação, as apostilas recolhidas são elaboradas por servidores da rede desde 2009 e servem de apoio ao currículo.

Em nota, a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores) e deputada estadual Professora Bebel (PT) repudiou a decisão. "Discutir a diversidade é preparar gerações para um futuro sem ódio", disse.

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