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Assembleia do Rio vai mudar de sede após reforma que custou R$ 156 mi

Após quatro décadas e meia no Palácio Tiradentes, a Alerj trocará de sede em 2020

Assembleia do Rio vai mudar de sede após reforma que custou R$ 156 mi
Notícias ao Minuto Brasil

08:20 - 08/01/20 por Folhapress

Brasil mundanças

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O nome "Cadeia Velha" se referia à prisão que existia desde o período colonial no local onde fica atualmente o Palácio Tiradentes, sede da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). "Furna da Onça" era a sala utilizada por parlamentares nos fundos do plenário para discutir os temas quentes -era a "hora da onça beber água".

Consagradas no Palácio Tiradentes, as expressões deram nome às duas operações que prenderam dez deputados estaduais do Rio de Janeiro nos últimos dois anos. Tornaram-se também a representação das suspeitas de corrupção que atingiram parte da Assembleia nos últimos anos.

Os investigadores terão trabalho para se inspirar ao nomear eventuais novas ações. Após quatro décadas e meia no Palácio Tiradentes (que já foi sede da Câmara Federal e abrigou ainda a Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara), a Alerj trocará de sede em 2020. Todas as atividades da Casa serão concentradas na antiga sede do Banerj (vendido e incorporado ao banco Itaú em 2004).

O edifício projetado pelo arquiteto Lúcio Costa foi inaugurado na década de 1960 e, por anos, foi sede de secretarias do governo estadual. Deteriorado, eram famosas as panes de seus elevadores, que por alguns anos foram os mais velozes da América Latina. Após três anos e meio de obras, e um gasto de R$ 156 milhões, será a nova casa da Assembleia Legislativa do Rio.

O plenário ficará no subsolo, onde ficava uma área de atendimento ao público. A imprensa terá uma sala no antigo cofre do banco, nos fundos da área de debates dos deputados. "Buscamos aproveitar ao máximo a estrutura já existente", disse o diretor-geral da Alerj, Wagner Victer, responsável pelo projeto.

As galerias para o público dificultarão a visão dos deputados. Aqueles que pretendem pressionar os parlamentares ficarão um andar acima com visão parcial do plenário -apenas a Mesa Diretora será vista por completo. Não haverá escadarias para formar uma arquibancada.

A nova sede da Alerj é descrita por Victer como "um local de trabalho". Com uma decoração simples, o ambiente difere em muito do majestoso Palácio Tiradentes. Oferecerá, contudo, mais conforto aos deputados que se apertam atualmente nos gabinetes do prédio anexo da Assembleia.

O diretor defende o gasto em plena crise financeira no estado. A expectativa, segundo ele, é que a reforma de R$ 156 milhões gere economia para a Assembleia por reunir todos os funcionários atualmente espalhados em cinco edifícios no centro da cidade.

"Isso vai reduzir o gasto com empresas de limpeza, ascensorista e outros serviços complementares, que ficarão reunidos num só lugar", disse ele.

Uma das maiores economias, diz Victer, é a redução no gasto com água: 70%. Isso se deve ao reuso para o resfriamento das máquinas de ar-condicionado. A técnica também dará independência à Assembleia, alega.

"Tivemos recentemente uma parada técnica no Guandu [principal estação de tratamento de água do estado]. Todos os aparelhos de ar-condicionado tiveram que ser desligados na Assembleia. Imagina o transtorno", disse o diretor da Assembleia.

Victer argumenta ainda que o custo é um terço do valor que o Legislativo (cerca de R$ 422 milhões), responsável pela obra, economizou de seu orçamento do ano passado e que vai devolver aos cofres estaduais.

"Gastaríamos três vezes mais se fosse um prédio novo. Além disso, por ser uma reforma, sujeita a mais imprevisto que uma obra, a lei permite aditivos de 50%. Fizemos apenas 6%", afirmou o diretor.

Segundo a direção da Alerj, a mudança também vai permitir a ampliação da Escola Legislativa, aumentando o número de vagas em cursos voltados para a atuação da Assembleia. Agora, ela poderá atender também ao público externo. Haverá também maior disponibilidade de salas para audiências públicas.

A obra está quase finalizada (97% já foram executados), e a mudança começa neste princípio de 2020. Inicialmente vão ocupar o edifício funcionários de áreas administrativas. A mudança dos demais ocorrerá ao longo do primeiro semestre.

A expectativa é que o antigo Banerjão -como o imóvel é conhecido- esteja em total operação no segundo semestre. Victer sugere que a nova sede seja chamada de Alerjão.

O Palácio Tiradentes será reformado, no futuro, para se transformar num centro cultural. O plenário será mantido para sessões solenes, como de posse de deputados e governador.

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