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Com falta de oxigênio, situação de cidades do Norte preocupa Defesa

Com falta de oxigênio, situação de cidades do Norte preocupa Defesa

Com falta de oxigênio, situação de cidades do Norte preocupa Defesa
Notícias ao Minuto Brasil

07:45 - 21/01/21 por Folhapress

Brasil CORONAVÍRUS-NORTE

JULIA CHAIBBRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Integrantes do Ministério da Defesa estão alarmados com a situação de cidades do interior do Pará e do Amazonas. Municípios dos dois estados têm enfrentado falta de oxigênio para pacientes com Covid-19.

O aumento de casos graves em regiões de difícil acesso mobilizou militares. Nesse cenário, aliados do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, passaram a cobrar o Ministério da Saúde para garantir insumo e vacina nas localidades.

Em Manaus, pacientes morreram por falta de oxigênio nas unidades de saúde. Pacientes tiveram de ser transferidos para outros estados.Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, sete pessoas que estavam internadas no Hospital Regional de Coari (AM) morreram na manhã de terça-feira (19) também por falta de oxigênio."

Esta é uma das cidades que preocupam a Defesa. Além de Coari, militares acompanham de perto os casos em Manacapuru, Nhamundá, Itacoatiara e Parintins, todas no Amazonas.

No Pará, o alerta acendeu em relação às cidades de Oriximiná e Faro.O receio é que a nova cepa do coronavírus registrada em Manaus se espalhe por outras regiões. Complica o atendimento o fato de municípios na Amazônia serem de difícil acesso.

Fardados temem que uma nova onda de Covid-19 sobrecarregue o sistema de saúde da região. Os municípios no interior contam com pouca estrutura e teriam de encaminhar pacientes às capitais, que já estão sobrecarregadas.

O MPF (Ministério Público Federal) no Amazonas já identificou problemas de estoque crítico de oxigênio nos municípios de Coari, Parintins, Itacoatiara e Tabatinga.Os militares ficaram alarmados na mesma semana em que a juíza Jaiza Maria Fraxe, titular da 1ª Vara Federal Cível no Amazonas, determinou que os governos federal e estadual fizessem a imediata distribuição do insumo aos municípios do interior do estado.Como mostrou a Folha nesta semana, a magistrada também decidiu na segunda-feira (18) que o Poder Executivo deve fornecer oxigênio a pacientes tratados em casa, especialmente crianças.

Integrantes da Defesa dizem que haviam percebido a gravidade da situação nesses municípios antes da ordem da juíza diante de relatórios de membros do Comando do Norte. O Exército tem fardados espalhados nessas cidades.

Além disso, houve também pedido de socorro de prefeitos.

O Ministério da Saúde, comandado pelo general da ativa Eduardo Pazuello, se mobilizou para garantir a entrega de oxigênio a Manaus, após pedido do governo estadual. A pasta solicitou suporte de aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).

A situação crítica nas pequenas cidades fez com que a própria Defesa procurasse a Saúde e articulasse ajuda. Segundo militares, entre terça (19) e quarta (20), vários aviões desembarcaram em municípios levando oxigênio, EPIs (equipamentos de proteção individual) e vacina.

Em algumas cidades, o transporte é feito em lanchas, pois o acesso é fluvial.Na decisão de segunda, a juíza Jaiza Maria também determinou que, em cinco dias, União e estados devem apresentar um plano de vacinação da população.

Em seguida, precisam dar início a uma campanha de imunização.Conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo na terça, as cidades identificadas pela Defesa, que ficam no oeste do Pará, passaram a registrar escassez de oxigênio em unidades de saúde em meio ao aumento de casos de Covid-19.

Os municípios fazem divisa com o Amazonas.Na cidade de Faro (920 km de Belém), seis pessoas, duas delas da mesma família, morreram nesta semana em unidades de saúde com falta de oxigênio, escassez de leitos e medicamentos.Apenas na comunidade Nova Maracanã, 34 pacientes estão hospitalizados, de acordo com a prefeitura. A cidade tem 12 mil habitantes.

O prefeito de Faro, Paulo Carvalho (PSD), afirmou à reportagem que o sistema público de saúde da região vive um colapso. "Os prefeitos vão se ajudando, quem está com oxigênio arruma para um, troca. O governo do estado tem disponibilizado aviões, mas a logística é muito delicada", disse.

A prefeitura recebeu 20 novos cilindros com oxigênio. O produto, no entanto, duraria até, no máximo, esta quarta-feira.Também no Baixo Amazonas, o prefeito de Oriximiná, William Fonseca (PRTB), contou ao jornal que o município precisa de ajuda principalmente com o transporte de insumos.

As distâncias são o principal desafio do ponto de vista logístico.Até o momento, a Secretaria de Saúde de Oriximiná não encontrou a variante P1, cepa da Covid-19 identificada em Manaus por pesquisadores, entre os novos casos registrados na cidade.Apesar de tentar se desvincular da crise que assola o Amazonas, o governo federal é alvo de um procedimento preliminar de investigação que apura se houve omissão no fornecimento de oxigênio por parte do Ministério da Saúde, mesmo sabendo dos problemas.

A pasta foi avisada da situação crítica de escassez de oxigênio em Manaus seis dias antes do colapso dos hospitais. Um ofício da White Martins, a empresa fornecedora do produto, foi enviado à pasta naquele dia.Pazuello tem 15 dias para explicar à PGR (Procuradoria-Geral da República) se houve eventual omissão no fornecimento do insumo, mesmo sabendo do problema.

A PGR instaurou um procedimento preliminar de investigação, chamado notícia de fato. Se entender que há elementos para apurar responsabilidades e crimes, pode pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de um inquérito.

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