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Governo quer mudanças na vacinação contra febre amarela em 2018

Usuários poderão verificar, por meio de um aplicativo digital, quais doses de cada vacina já foram aplicadas

Governo quer mudanças na vacinação contra febre amarela em 2018
Notícias ao Minuto Brasil

17:33 - 23/03/17 por Folhapress

Brasil Saúde

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, afirma que novas mudanças na vacinação contra a febre amarela, como a possibilidade de extensão da vacina para crianças, estão em análise e devem passar a valer em 2018.

Conforme a Folha de S.Paulo publicou nesta quinta-feira (23), há dois pontos principais em estudo.

O primeiro é uma ampliação na área de recomendação permanente para a vacina, locais onde a vacinação é indicada para a população e turistas que pretendem viajar para essas regiões. Hoje, essa área abrange 3.529 municípios.

Com o surto de febre amarela deste ano, porém, outros 177 municípios do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia passaram a ter recomendação temporária de vacinação.

Segundo Domingues, a expectativa é que esses municípios sejam incluídos na área de recomendação permanente. "Outras áreas também devem entrar, mas essa avaliação só conseguimos fazer ao final do surto", afirma. "Espera-se que até o fim de maio ou começo de junho esse surto seja interrompido. E aí vamos ter maior clareza", completa.

CRIANÇAS

Outra mudança em estudo, como a Folha divulgou, é a possibilidade de oferecer a vacina em todo o país para crianças a partir de 9 meses, com segunda dose aplicada aos 4 anos. Com isso, a proteção estaria garantida por toda a vida.

"Hoje, 3.500 municípios fazem vacinação da criança, aos 9 meses e 4 anos. Os outros 2 mil não fazem a vacinação de rotina no calendário. Qual a proposta do ministério? Fazer que em todo o Brasil, a vacina de febre amarela passe a fazer tanto da área de recomendação quanto sem recomendação", afirma.

Segundo Domingues, a decisão por incorporar a vacina para todas as crianças ainda depende, no entanto, de uma avaliação sobre o risco de efeitos adversos -que podem ocorrer caso a vacina for aplicada em pessoas a quem não é recomendada, como pessoas com o sistema imunológico comprometido.

"Falta ainda avaliar o risco-benefício, pois estenderíamos para uma área que hoje não tem casos, e que temos que colocar na balança. O benefício é que, a longo prazo, podemos ter toda a população vacinada", afirma. Ainda de acordo com a coordenadora, outros Estados que já planejam incluir a vacina ainda neste ano podem fazê-lo caso adquiram as doses. É o caso de São Paulo, por exemplo.

"Ele tem essa possibilidade [de iniciar antes], se conseguir comprar a vacina. Senão, tem que esperar a decisão do Ministério da Saúde, a menos que mude o cenário epidemiológico. Nossa proposta é fazer a vacinação [para essa faixa etária no país] em 2018", diz.

A previsão corre devido à necessidade de garantir que haja doses suficientes da vacina. Atualmente, o Ministério da Saúde negocia com o laboratório Bio-Manguinhos, da Fiocruz, a possibilidade de aumentar a produção para 70 milhões de doses por ano.

QUEM JÁ SE VACINOU

Ainda segundo Domingues, a pasta deve lançar, até o fim deste ano, um sistema de registro com dados de cada pessoa vacinada no país e doses aplicadas. A ideia é que, com o novo modelo, seja possível saber com maior precisão quais os municípios do país com menor cobertura vacinal entre a população e quais têm população já vacinada em outros locais.

Hoje, esse sistema já aplicado em 20 mil salas de vacinação do país para registro das crianças vacinadas. O objetivo é estender para outras 17 mil salas ainda neste ano.

Usuários poderão verificar, por meio de um aplicativo digital, quais doses de cada vacina já foram aplicadas e quais estão em atraso ou prestes a vencer. "Com isso, vamos conseguir identificar a pessoa vacinada de acordo com a cidade de residência e poder emitir novamente a carteira de vacinação", diz a coordenadora.O

QUE SE DISCUTE

> Avanço do surto de febre amarela e confirmação de morte de macacos em áreas até então não atingidas demonstra necessidade de ampliar área de vacinação, incluindo também trechos do Rio, Espírito Santo e Bahia

> Especialistas, Estados e técnicos do Ministério da Saúde discutem incluir a vacina no Programa Nacional de Imunizações, sendo ofertada a todas as crianças a partir de 9 meses, e não só para quem mora ou pretende viajar para área recomendada. Ideia é, ao longo do tempo, ter a maior parte da população protegida. Com informações da Folhapress.

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