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Ameaçados de morte, líderes indígenas pedem diálogo com Bolsonaro

A demarcação de terras indígenas e as tentativas de flexibilizar as permissões para exploração de recursos naturais em terras indígenas são as principais preocupações

Ameaçados de morte, líderes indígenas pedem diálogo com Bolsonaro
Notícias ao Minuto Brasil

05:46 - 21/02/19 por Folhapress

Brasil povos

"Bolsonaro não sabe o que a gente quer e a gente não sabe o que ele quer; temos que dialogar", diz o cacique Almir Suruí, 45.

Líder do povo Paiter Suruí na terra indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO), e um dos conselheiros da Coiab, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira; ele é ameaçado de morte por madeireiros desde 2005 e chegou a ser escoltado pela Força Nacional. Desde a década de 90, os Suruí tentam conter a extração ilegal de madeira na região.

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A demarcação de terras indígenas e as tentativas de flexibilizar as permissões para exploração de recursos naturais em terras indígenas são as principais preocupações citadas por Almir sobre o novo governo. O alerta é semelhante ao de outras lideranças indígenas.

"A propaganda eleitoral do Bolsonaro foi de entregar esses territórios para grandes empresários e para o estrangeiro, porque o agronegócio não é brasileiro; é estrangeiro. Enquanto isso, os indígenas e os pequenos produtores que produzem alimento para o brasileiro são marginalizados nesse sistema", aponta Ninawá Huni Kui.

Aos 40 anos, Ninawá lidera o povo Huni Kui no estado do Acre e também denuncia sofrer perseguições de grupos armados desde 2012.

"Para o povo Huni Kui, a relação com o território é sagrada. Não é econômica. Na nossa visão, o índio não é nada sem o seu território", afirma Ninawá, após ser questionado sobre a visita à Amazônia prestada pelos ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que publicou no seu Instagram uma foto posando à frente dos indígenas Parecis, no Mato Grosso.

"Alguns indígenas podem querer, podem aceitar [a exploração econômica nos seus territórios], mas isso não representa todos os indígenas. Há interessados em dividir os indígenas, mas nós defendemos o coletivo", afirma Almir Suruí.

A reportagem conversou com as duas lideranças em São Paulo, no lançamento para a imprensa da série Guerreiros da Floresta, que vai ao ar a partir desta quarta (20) às 22h30 no canal Futura e também na página da emissora na internet.

Em 13 episódios, a produção da Santa Rita Filmes mostra a luta pela preservação da cultura indígena e de seus territórios a partir das lideranças dos povos Suruí, Huni Kui e Yanomami, contando ainda com o xamã e líder dos Yanomami Davi Kopenawa, 62.

Premiado pelo Global 500 da ONU em 1992 e autor traduzido nas línguas francesa e inglesa, Kopenawa também tem denunciado sofrer ameaças de morte nos últimos anos, vindas de garimpeiros em Roraima.

A situação das três lideranças é análoga à de Chico Mendes, seringueiro e sindicalista assassinado no Acre em 1988. No ano anterior, ele havia se tornado o primeiro brasileiro a receber o prêmio Global 500 da ONU, em reconhecimento à sua defesa da conservação das florestas aliada à produção econômica.

"Meus avós trabalharam junto com Chico Mendes e criaram com ele a Aliança dos Povos da Floresta", conta o acriano Ninawá. Ele conta que a criação das reservas extrativistas, propostas por Chico Mendes e hoje regulamentadas pelo governo, foi inspirada pela proteção das terras indígenas.

"Mas os governos transformaram a história dele em marketing, enquanto a exploração e as ameaças daquela época continuam até hoje no meu estado", completa Ninawá. Segundo ele, as tentativas de emboscadas são frequentes.

"É normal, se você é uma liderança, defende seu território, você sofre ameaça". Questionado se havia recebido escolta policial, Ninawá respondeu que sua proteção é espiritual.

Depois de perceber que madeireiros e garimpeiros aliciavam indígenas para que se voltassem contra ele, Almir Suruí abriu mão, em 2014, da escolta da Força Nacional - que já recebia havia dois anos. Desde então, sua principal aposta é o diálogo.

"Nós temos propostas para o desenvolvimento do país. Não digo que a floresta é intocável, digo que temos que conhecer os critérios para usar a floresta. E o povo Suruí pode ser exemplo para o Brasil conquistar seu espaço de liderar o modelo de desenvolvimento sustentável no mundo, unindo conhecimentos científicos e tradicionais", ele propõe. Com informações da Folhapress.

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