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Vilela diz que Regina Duarte é namoradinha do Brasil, não do presidente

Diogo Vilela diz ainda que enxerga na possível nomeação da atriz Regina Duarte para a Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro uma chance de diálogo.

Vilela diz que Regina Duarte é namoradinha do Brasil, não do presidente
Notícias ao Minuto Brasil

18:30 - 23/01/20 por Folhapress

Cultura DIOGO-VILELA

SÃO PAULO (FOLHAPRESS) - No início de 2019, ao estrear "A Verdade" no Rio de Janeiro, Diogo Vilela decidiu atender aos pedidos do público, que ansiava vê-lo numa comédia teatral. O ator vinha emendando trabalhos em dramas de William Shakespeare e musicais, como o matrimonial "Sim! Sim! Eu Aceito", ao lado de Sylvia Massari, e o biográfico "Cauby! Cauby - Uma Lembrança", em homenagem a Cauby Peixoto.

Contudo, o artista não contava com as fortes tempestades que, entre o final de março e o início de maio, castigaram o Rio com as chuvas mais intensas que a cidade enfrentara em mais de 20 anos.

"Eu chorava todos os dias, porque no momento que a gente conquistava o público, que a casa estava lotada, vinha uma tempestade, uma enchente, e precisávamos cancelar sessões ou fazer o espetáculo para menos de meia casa, que eram os corajosos que se aventuravam a ir ao teatro naquele cenário", lembra Vilela, que produz espetáculos desde 1991.

"A produção teatral vem se dificultando cada vez mais ao longo dos anos, mas não posso reclamar, porque sempre tive acesso ao que eu precisasse para montar meus espetáculos", afirma.

Em "A Verdade", sucesso internacional do dramaturgo francês Florian Zeller, o ator vendeu seu carro e botou dinheiro do próprio bolso para levantar a produção. "Isso não é um problema, é o meu ofício, meu motivo de vida, eu sou adestrado para fazer isso. E eu também não queria mais ter carro, o IPVA é altíssimo", diz ele, rindo.

No espetáculo dirigido por Marcus Alvisi, dois casais (vividos por Vilela, Bia Nunes, Carolina Gonzales e Paulo Trajano) se enredam numa teia de mentiras conjugais que viram bolas de neve difíceis de contornar.

"Todo mundo gosta de teatro e essa peça toca um lugar interessante das pessoas. Elas acham que o teatro é ameaçador, mas é como ir a um lugar em que você vai descobrir coisas muito pessoais, uma zona escura. A pessoa intui que vai ter que olhar para dentro de si e se relevar, e isso impede a unanimidade do teatro", afirma o ator.

Estreando agora, a peça marca o retorno do artista aos palcos paulistanos com uma produção própria após mais de dez anos.

Depois de encerrar a temporada da comédia e partir para uma turnê em outras capitais, Vilela já pretende fazer a montagem de um texto de William Shakespeare, que mantém segredo. A estreia será em breve.

"Eu sinto que nós pagamos um preço em relação à beleza e ao prazer que sentimos. Nós temos essa dificuldade de conviver com a satisfação e a conquista, não existe compensação, sempre pagamos um preço alto. O Rio mesmo é uma cidade que precisa se reconstruir. Precisa de bons serviços, de amparo em relação ao medo e à violência, porque tudo é medonho, até a água é contaminada, as pessoas bebem água preta! Eu tenho medo que daqui a pouco joguem antraz nas pessoas."

Vilela diz ainda que enxerga na possível nomeação da atriz Regina Duarte para a Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro uma chance de diálogo.

"Ela tem um papel muito importante, o maior papel da vida dela: namoradinha do Brasil. Ela não é namoradinha do presidente. A obrigação dela é se olhar num espelho e entender que está mexendo com uma classe da qual sempre fez parte. Está nas mãos dela ser ponderada, nos ouvir e entender. Ela tem que ter a consciência do que representa a liberdade de expressão e a cultura que vai disseminar, é o que veremos daqui para frente."

O ator, contudo, procura não julgar a colega antes das ações de seu mandato. "Não posso dizer que vai ser bom ou ruim, nem posso acusá-la porque ela não tomou uma atitude ainda. Eu acho que as pessoas invalidam muito antes de saber o que vai acontecer, embora isso tudo seja horripilante. O Brasil merece uma cultura melhor para continuar sobrevivendo", finaliza.

A VERDADEQuando: Em cartaz até 28 de março, com sessões às sextas (20h), sábados (21h) e domingos (18h)Onde: Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi, São Paulo - SP)Preço: De R$ 40,00 a R$ 90,0

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