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Convidados da Flip recomendam autores fora do radar literário

Edição deste ano da feira homenageou Hilda Hilst e se encerra neste domingo (29)

Convidados da Flip recomendam autores fora do radar literário
Notícias ao Minuto Brasil

18:24 - 29/07/18 por Notícias Ao Minuto

Cultura Dicas

Em 1990, uma frustrada Hilda Hilst lançava seu pornográfico "O Caderno Rosa de Lori Lamby". Frustrada porque, até então, não era reconhecida como deveria, achava ela. "Não é um livro, é uma banana que eu estou dando pro mercado editorial. Durante 40 anos trabalhei a sério e não aconteceu absolutamente nada", disse em entrevista na época.

Medalhões como Clarice Lispector e Guimarães "estão postos, famosíssimos", afirmou entre uma e outra baforada de cigarro na TV aberta (outros tempos). "Então, daqui a 50 anos vai ser ótimo, eu na cova, eu famosa...".

Não precisou de tanto. Ela é a homenageada do maior festival literário do país, a Flip, que termina neste domingo (29). A Folha de S. Paulo pediu a convidados desta edição para indicarem autores que, tal qual Hilda, por algum motivo margearam ou margeiam o radar literário de seu tempo.

+ Encerramento da Flip traz diálogo de Hilda Hilst com outras linguagens

André Aciman

Escritor egípcio radicado nos EUA, sugere Dorothy Strachey, autora britânica.

"Strachey escreveu apenas um romance, 'Olivia', publicado sob esse pseudônimo em 1949. O livro narra o amor entre duas garotas no colégio e foi a origem de 'Me Chame pelo Seu Nome' e do nome de Oliver [um dos protagonistas do livro de Aciman]."

Vasco Pimentel

Diretor de som português, sugere o português João César Monteiro (1939-2003).

"A Cinemateca Portuguesa está a publicar as obras literárias completas deste cineasta. Roteiros filmados ou não, textos críticos, manifestos, polêmicas. Um dos maiores escritores da língua portuguesa do século 20. Uma ironia e um lirismo canalhas únicos. Machado de Assis ainda mais elegante e venenoso, barroco sem "neo", Céline filho-da-puta mozartiano. Genial."

Selva Almada

Escritora argentina, sugere Estela Figueroa, poeta argentina.

"A Estela é uma das minhas poetas argentinas favoritas, pela força e pela irreverência de sua poesia. Uma escritora de província, um segredo que nos últimos anos está gritando a vocês. Ela tem uma potência muitas vezes incômoda, é uma poeta que interpela com seus versos."

Ricardo Domeneck

Poeta paulista, sugere Sebastião Nunes, poeta mineiro.

"Sebastião começou a publicar poemas visuais no fim dos anos 1960. Ele, que é um dos mais hábeis satiristas da poesia brasileira contemporânea, assume matizes complexas a partir da relação verbal e tipográfica de cada poema com sua página. Uma das maiores lições de seu trabalho é a qualidade excelente de sua escrita."

Marcelino Freire

Escritor pernambucano, sugere Geni Guimarães, autora paulista.

"Ela escreveu 'A Cor da Ternura', tem 70 anos, nasceu e vive no interior de São Paulo, já ganhou o Jabuti. É estudada nos EUA, é negra. E sofreu nas mãos do marido que não se conformava com o sucesso que ela fazia como escritora. Ela é amiga de Conceição Evaristo. Procurem por ela."

Ruy Castro

Escritor e biógrafo mineiro, sugere Álvaro Moreyra (1888-1964), cronista gaúcho.

"É uma grande figura do jornalismo e da crônica. Será um alto personagem do meu próximo livro [sobre o Rio de Janeiro moderno dos anos 1920]."

Igiaba Scego

Romancista e ensaísta italiana filha de pais somalis, sugere Ennio Flaiano (1910-1972), roteirista, romancista e crítico italiano.

"Ele escreveu 'Tempo de Matar', em que rememora seus tempos na Etiópia. É o primeiro livro sobre colonialismo."

Gabriela Greeb

Diretora de "Hilda Hilst Pede Contato", sugere Ricardo Guilherme Dicke (1936-2008), romancista e contista mato-grossense.

"Deixou obras como 'Cerimônias do Sertão', calhamaço sobre um professor mentalmente perturbado numa cidade pequena, e 'Deus de Caim', que trata de decadência moral no interior do Mato Grosso. Era citado por Hilda como um autor lamentavelmente desconhecido, pois ela o considerava tão grandioso como Guimarães Rosa."

Zeca Camargo

Jornalista, sugere Edward St. Aubyn, autor e jornalista inglês.

"Edward merece ser mais lido -e ouvido- no Brasil. Todos os 'Romances de Patrick Melrose' já foram editados agora, pela Companhia das Letras –e a adaptação para a TV só vem arrancando elogios. Ele é uma das vozes mais sofisticadas e observadoras da atual literatura inglesa."

Fernanda Diamant

Editora da revista de resenhas Quatro Cinco Um, sugere Édouard Louis, escritor francês.

"O Fim de 'Eddy', estreia do jovem autor Édouard Louis, é agressivo e delicado ao mesmo tempo. Conta a infância pobre e homofóbica de um menino no interior da França de forma desconcertante. Louis, que é um fenômeno em outros países, é muito pouco conhecido no Brasil. Toca em temas importantes sem ser panfletário."

Josélia Aguiar

Jornalista baiana e curadora da Flip, sugere Sosígenes Costa, poeta baiano.

"Sosígenes era um poeta que o Jorge Amado adorava. É da região Grapiúna [na Bahia] também. É muito interessante."

Cauê Ameni

Editor paulista e curador da Flipei (Festa Literária das Editoras Independentes), sugere Lutz Taufer, ex-guerrilheiro alemão.

"Recomendo o livro 'Atravessando Fronteiras', uma autobiografia deste ex-guerrilheiro que ficou preso 20 anos, dos quais 18 em solitária. Depois ele veio morar em favelas cariocas durante 10 anos."

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