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Uma grande dama no teatro, Beatriz Segall marcou por elegância e humor

Era uma atriz que tinha repertório e grande formação, na descrição de José Possi Neto, um dos encenadores com quem mais trabalhou

Uma grande dama no teatro, Beatriz Segall marcou por elegância e humor
Notícias ao Minuto Brasil

19:31 - 05/09/18 por Folhapress

Cultura Análise

NELSON DE SÁ - Em sua passagem mais recente pelo palco, há três anos no musical "Nine", Beatriz Segall entrava lentamente e se mantinha na lateral, para uma cena curta.

Estava lá antes para ser celebrada ou, melhor, para transmitir algo de sua história no teatro às atrizes da peça, algumas muito jovens, em início de carreira, como Malu Rodrigues e Myra Ruiz.

Era uma atriz que tinha repertório e grande formação, na descrição de José Possi Neto, um dos encenadores com quem mais trabalhou.

É lembrada por peças como "O Lado Fatal", de 1996, um "tour de force" em que mostrava, sozinha em cena, o que a levou a ser tão reconhecida por décadas no teatro -antes e além das malvadas de telenovela.

Representou com arrebatamento emocional e também físico uma mulher que recorda e revive a paixão da juventude, a posterior sedução do suicídio, até a aceitação serena dos limites de sua própria existência. Emocionava às lágrimas.

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Noutra peça do período, "Três Mulheres Altas", em que o autor Edward Albee retrata as três fases na vida de uma mulher, Beatriz Segall foi a mais velha, papel que havia sido criado por Maggie Smith, e se destacou mesmo diante de duas atrizes de qualidade como Marisa Orth e Nathália Thimberg.

Com elegância e humor, as suas características mais persistentes, a interpretação para a personagem nonagenária a mostrou à vontade, talvez no ápice do domínio do palco.

Poucos anos antes, deixou forte marca também em "O Tempo e os Conways", do grupo Tapa, dirigida por Eduardo Tolentino. Mas esta foi, na verdade, a sua segunda ou terceira existência teatral. 

A primeira havia começado no teatro amador, na virada dos anos 1940 para os 50, quando a jovem professora de francês Beatriz de Toledo, de família tradicional do Rio, estudou interpretação e chegou a dividir cena com o célebre ator e diretor francês Jean-Louis Barrault, então na cidade.

Trabalhou nos anos seguintes, entre outros, no Teatro Popular de Arte de Maria Della Costa e nos Artistas Unidos de Henriette Morineau, parando tudo para cuidar dos filhos com o economista Maurício Segall, filho do pintor Lasar Segall.

Após novos estudos, agora na França, se estabeleceu em São Paulo e passou a integrar o Teatro Oficina, primeiro em substituição a Morineau, em "Andorra", depois no elenco de "Os Inimigos", ambas encenadas por Zé Celso.

Os conflitos de ambos, atriz e diretora, se tornaram célebres, nos bastidores do teatro daqueles meados dos anos 1960.

Foi seu período mais produtivo, atuando por uma década em peças de autores como Gianfrancesco Guarnieri, Ibsen e Shakespeare, com diretores como Flávio Rangel, Celso Nunes e Gianni Ratto.

Foi quando trabalhou ao lado do marido, também autor teatral, no grupo do Teatro São Pedro. Integrante da ALN (Ação Libertadora Nacional), ele chegou a ser preso nos anos 1970.

Beatriz Segall, no final da carreira, lamentou seguidas vezes o estereótipo que precisou combater desde o princípio, de ser ou parecer rica. Dizia precisar trabalhar, como qualquer outro ator. Com informações da Folhapress. 

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