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Demissões já alcançam 11 mil trabalhadores da indústria calçadista

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima 11 mil demitidos no país por conta da pandemia do novo coronavírus

Demissões já alcançam 11 mil trabalhadores da indústria calçadista
Notícias ao Minuto Brasil

08:54 - 07/04/20 por Folhapress

Economia Negócios

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Sem demanda de consumo com lojas e shoppings fechados para evitar a proliferação do novo coronavírus, a indústria calçadista começa a demitir. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima 11 mil demitidos no país.

No Rio Grande do Sul, são cerca de 3.000 demitidos. O setor emprega diretamente cerca de 270 mil pessoas no Brasil e 90 mil no estado.

Parte significativa desses empregados está em férias coletivas, afirma João Batista Xavier da Silva, presidente da Federação dos Sapateiros-RS (Federação Democrática dos Trabalhadores da Indústria do Calçado dos Trabalhadores da Indústria do Calçado).

Por isso, o temor é que haja mais demissões no retorno das férias, diz Silva. Segundo ele, há um efeito cascata na redução da demanda.

"Algumas fábricas pequenas, que forneciam para as maiores, fecharam e não vão abrir mais. A grande empresa retirou produção externa e manteve apenas a interna", diz o sindicalista.

"Entendemos que as empresas precisam retornar ao trabalho como forma de sobrevivência, de manutenção dos empregos e de redução dos impactos econômicos. Porém, ao mesmo tempo, há a necessidade de preservação da saúde dos nossos trabalhadores. Neste cenário, estamos trabalhando para que, quando for possível, tenhamos um retorno seguro das atividades do setor calçadista nacional", disse o presidente da Abicalçado, Haroldo Ferreira, em nota.

Com polos nas regiões gaúchas do Vale dos Sinos e Vale do Paranhana, o ramo calçadista possui cerca de 2.000 indústrias no Rio Grande do Sul, incluindo os ateliês, representando 33% do total do país.

Ainda não é possível precisar as perdas com as exportações de calçados após as novas medidas relacionadas às fronteiras, mas o primeiro bimestre teve queda de 10,7% em receita e 8,5% em volume em relação ao ano passado, diz a Abicalçados.

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