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Comissários da Latam fazem protesto em Guarulhos contra demissões

Comissários da Latam fazem protesto em Guarulhos contra demissões

Comissários da Latam fazem protesto em Guarulhos contra demissões
Notícias ao Minuto Brasil

17:45 - 06/08/20 por Folhapress

Economia LATAM-NEGÓCIOS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cerca de 50 tripulantes da Latam Brasil protestaram nesta quinta-feira (6) contra as demissões na empresa no aeroporto de Guarulhos.O ato começou em frente ao check in da Latam, de onde os manifestantes partiram para uma caminhada pelo terminal 2 que durou cerca de 40 minutos. Ao final, eles cantaram o hino nacional.

Após impasse nas negociações com o Sindicato dos Aeronautas (SNA), a empresa comunicou que vai demitir ao menos 2.700 tripulantes.

Um programa de demissão voluntária (PDV) esteve aberto para até 4 de agosto. Segundo a empresa, houve 345 adesões ao PDV. A partir desta sexta, a Latam deve começar as demissões de cerca de 2.400 tripulantes.

Com gritos de "ninguém desembarca", a manifestação dos comissários, independente do sindicato, protesta contra a ação da empresa de vincular um acordo de redução temporária de jornada e salário com estabilidade por 18 meses - proposta que a categoria aceita- a uma redução permanente de salário ao final desse período.

"Foram dois meses de negociação sem se chegar a nenhum acordo", diz Clauver Castilho, um dos diretores do SNA que acompanhou o protesto.

Em face desse cenário, os manifestantes pedem que ao menos seja aberto um programa de licença não remunerada (LNRV) antes de a empresa prosseguir com as demissões.

Uma das manifestantes levou seu filho, de um ano e dois meses, para a ação. "A gente necessita do emprego para o sustento da nossa família, por isso eu vim aqui e trouxe meu filho", afirma ela, que trabalha há 10 anos como comissária na Latam. Ela pediu para não ser identificada.

Outros funcionários carregavam cartazes com frases como "não às demissões" e "se a crise é temporária, por que a redução é permanente?".

O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP), membro da frente parlamentar da aviação, fez um discurso em que prometeu intervir junto à presidência da Latam para que flexibilize as condições das demissões. "Licença não remunerada é a melhor decisão para não perder esses 2.700 postos, porque depois vai ser difícil. Vou trocar uma ideia com o presidente da Latam para que ele use a cabeça", disse.

Segundo deputado, a ajuda até agora oferecida pelo governo federal ao setor foi insuficiente para segurar os empregos da categoria.

Na Gol e na Azul, foram fechados acordos de redução salarial temporária com previsão de estabilidade, sem plano de cortes de remuneração no futuro. A Latam, no entanto, paga salários superiores à média do mercado, e atribui a proposta de redução salarial permanente à necessidade de equilibrar seus custos com o das concorrentes, antecipando um cenário de maior competição dada a crise no setor aéreo e a queda na demanda.

Em votação online organizada pelo SNA, os tripulantes não autorizaram a negociação de um acordo permanente de redução salarial. O sindicato considera a medida ilegal.

Segundo um dos organizadores da ação, os comissários afirmam que a negociação não foi justa, que a empresa teve uma postura intransigente e que empurra para os trabalhadores a redução dos custos, sendo que, segundo a categoria, a mão de obra representa apenas 8% dos custos da Latam Brasil.

Ainda segundo o organizador, os comissários reivindicam a retomada das negociações para um acordo temporário com estabilidade, a abertura de um programa de licença não remunerada (LNRV) antes do início das demissões e a garantia de retorno no futuro para quem aderir ao PDV ou for demitido. Eles também pedem que as condições no PDV e do LNRV sejam as mesmas oferecidas aos aeroviários (trabalhadores de chão, como os de check in).

Ao final do ato, houve uma discussão entre manifestantes e o representante do SNA. Alguns comissários questionaram a votação feita pela entidade e a decisão tomada de não ir para frente com as negociações para uma redução permanente de salário, que parte dos presentes diz aceitar.

Sob aplausos, um funcionário afirmou que o SNA precisa deixar claro que o responsável pelas demissões é o presidente da Latam, Jerome Cadier.

"Ele [Cadier] quer garantir o emprego dele por mais cinco anos, e ele só vai conseguir reduzindo nosso salário definitivamente. Objetivo da empresa nunca foi proposta temporária, por isso amarraram a uma definitiva", afirmou.

Os manifestantes decidiram sentar em frente ao check in da empresa até que ela concorde com retomar as negociações para evitar demissões.

Em processo de recuperação judicial, a Latam Brasil emprega cerca de 2.000 pilotos e 5.000 comissários. A empresa afirma que enfrenta maiores dificuldades do que as concorrentes porque faz rotas internacionais, operação que foi mais prejudicada do que a doméstica em razão das restrições de viagem e fechamentos de fronteira durante a pandemia.

A Latam afirma que esteve aberta ao diálogo e que, diante da crise do setor, é imprescindível a redução permanente do salário. Como essa proposta foi rejeitada pela categoria, o ajuste de custos deve se dar via redução de quadro.

Com relação a reivindicação de licença não remunerada, a empresa afirma que as negociações foram encerradas com o SNA e que as demissões estão seguindo as regras da convenção coletiva da categoria.

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