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Bancos lucram R$ 62 bi no 1º semestre, e rentabilidade volta a nível pré-Covid

O volume é 3% acima do observado no primeiro semestre de 2019

Bancos lucram R$ 62 bi no 1º semestre, e rentabilidade volta a nível pré-Covid
Notícias ao Minuto Brasil

20:24 - 18/10/21 por Folhapress

Economia Negócios

BRASILIA, DF (FOLHAPRESS) - Os bancos registraram lucro líquido de R$ 62 bilhões no primeiro semestre de 2021, aumento de 53% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com relatório publicado pelo BC (Banco Central) nesta segunda-feira (18), a rentabilidade do sistema financeiro voltou ao nível pré-pandemia.

O volume é 3% acima do observado no primeiro semestre de 2019.

O diretor de Fiscalização do BC, Paulo Souza, afirma que a crise sanitária não impacta mais o sistema financeiro. "Em termos de Covid-19, a não ser que surja nova cepa, eu diria que o estresse causado pela pandemia passou", diz.

Segundo ele, mesmo sem programas de auxílio, o sistema financeiro continua crescendo a taxas elevadas. "Mas se abre nova preocupação com a questão fiscal e com a taxa de juros", pontua.

"Os resultados tendem a seguir melhorando com o avanço da vacinação e com a recuperação da atividade econômica, mas as incertezas do atual momento econômico seguem acima do usual. Uma recuperação mais lenta da atividade pode prejudicar o cenário para a rentabilidade do sistema à frente", diz o estudo.

Em 2020, sob os efeitos da crise sanitária, as instituições financeiras tiveram queda de 26% no lucro líquido. No período, os bancos embolsaram R$ 88,6 bilhões, contra R$ 119,7 bilhões em 2019, diferença de R$ 31,1 bilhões.

"Após queda significativa no primeiro semestre de 2020, a rentabilidade do sistema recuperou-se e retornou aos níveis pré-pandemia. As despesas com provisões [reserva para cobrir calotes] se reduziram e devem se estabilizar próximo dos patamares atuais", afirma o documento.

O BC alerta, no entanto, que "apesar de as perspectivas serem mais favoráveis, riscos permanecem no horizonte".

"A margem de crédito pode se beneficiar de um mix mais rentável à frente, mas deve ficar pressionada pela alta da Selic no curto prazo. As receitas com serviços seguem se recuperando, e os custos estão sob controle", ressalta.

Para a autoridade monetária, a redução das alíquotas de tributos sobre o lucro, caso aprovada a reforma tributária, terá impacto negativo de cerca de R$ 80 bilhões para os bancos no curto prazo, mas será benéfica no longo prazo.

"A reforma tributária, caso seja aprovada, terá um impacto no primeiro momento nos bancos em função do estoque de crédito tributário, que seria aproveitado à alíquota maior. Se for reduzida, uma parte terá que ser abatida no capital do sistema financeiro. Mas no geral é positiva porque ao longo dos próximos anos o que vai se pagar de imposto será inferior", diz Souza.

O BC projeta redução de 8% na alíquota do Imposto de Renda, o que geraria queda de 0,5 ponto percentual no índice de Basileia, que mede a saúde financeira dos bancos. O indicador passaria de 16,9% para 16,4%, mas ainda ficaria acima do mínimo regulatório de 11%. ​

"A gente acredita que no prazo de três anos, que é o prazo que o sistema financeiro consegue aproveitar o crédito tributário, teria quase 100% dessa perda inicial recuperada", completa.

O estudo também destaca o aumento do endividamento das famílias. "Houve ligeiro aumento no endividamento, mas como os empréstimos foram realizados com juros mais baixos, a parcela que compromete a renda das famílias caiu", pontua o diretor.

O endividamento das famílias bateu recorde em junho, com 59,9%. O dado, calculado desde janeiro de 2005, considera o estoque dos financiamentos das famílias com relação à renda em 12 meses. O nível de endividamento passou de 50% pela primeira vez em julho do ano passado.

Em 12 meses, o indicador cresceu 10,6 pontos percentuais.

Já comprometimento da renda mensal do brasileiro com parcelas de empréstimos chegou a 30,9%, crescimento de 0,2 ponto percentual em relação a maio e de 2,1 pontos em relação ao mesmo mês do ano passado.

Segundo Souza, o aumento do crédito se deu em linhas como imobiliário, consignado (descontado direto na folha de pagamento do trabalhador) e rural, que têm volume maior, mas comprometem menos a renda porque os prazos são maiores.

O diretor afirma que o BC está atento ao aumento do endividamento em cenário de elevação da taxa básica de juros.
"As curvas de juros para três e cinco anos estão próximas dos dois dígitos. Se as famílias renovarem suas operações no próximo momento a taxas de juros mais altas, terá impacto no comprometimento de renda e estamos atentos a isso", diz.

O BC ressalta que as operações de crédito repactuadas durante a pandemia tiveram desempenho melhor que o previsto.

"Desde o início da crise, 30% da carteira de crédito doméstica foi repactuada. Do valor total das operações repactuadas, 69% já se encontravam curadas em junho de 2021 e retornaram ao fluxo normal de pagamentos. A interrupção na queda do saldo não curado observada nos últimos meses é fruto de recente aumento nas repactuações, ocorridas sem incentivo regulatório, especialmente em crédito imobiliário", destaca.

Segundo o relatório, as receitas de serviços continuam se recuperando, e os custos seguem sob controle. "Desde meados de 2020, as rendas com serviço vêm se recuperando do impacto da pandemia de forma consistente. No curto prazo, a demanda por serviços bancários deve continuar se beneficiando da melhora da atividade econômica", afirma.

"Mesmo com a alta da inflação nos últimos meses, os bancos têm conseguido manter os custos sob controle. Nos últimos doze meses [até o primeiro semestre], as despesas administrativas cresceram 6,13%, enquanto a inflação medida pelo IPCA foi de 8,35%", pondera.

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