Start-up tenta ser "Nespresso do suco", mas cria máquina inútil

Investidores ficam surpresos ao descobrir que pacotes para fazer sucos produzidos pela empresa podem ser espremidos com a mão e não precisam da máquina

© Divulgação
Economia curioso 20:20 - 21/04/17 POR Folhapress

Investidores que apostaram mais de US$ 120 milhões (cerca de R$ 377 milhões) na start-up americana Juicero, que prometia ser a "Nespresso dos sucos", estão preocupados após descobrirem que a máquina, que tem conexão à internet, não é necessária para fazer a bebida.

PUB

Segundo a Bloomberg, ao menos dois investidores ficaram surpresos ao descobrir que os pacotes para fazer sucos produzidos pela empresa podem ser espremidos com a mão. Eles falaram sob condição de anonimato.

O Google, a partir de seu braço de capital de risco, está entre os que apostaram na empresa, uma das que mais levantou recursos em 2016 para desenvolver equipamentos eletrônicos no "Vale do Silício" (Califórnia).

A Bloomberg submeteu a máquina a teste e concluiu que o suco resultante do aperto de uma repórter no pacote era similar ao obtido com o uso do espremedor, -com a vantagem que jornalistas poderiam ser mais rápidos do que o equipamento.

Os produtos da empresa chegaram ao mercado em 2016. Inicialmente eles eram distribuídos em apenas três Estados. Desde a última terça-feira, estão sendo enviados a 17. A limitação existe pelo fato de os itens serem perecíveis.

Os espremedores da companhia são vendidos a US$ 400. A empresa também vende assinatura de pacotes para fazer sucos, apenas para proprietários das máquinas. Já os pacotes para fazer suco, compostos de pedaços de frutas e vegetais, custam entre US$ 5 e US$ 8.

A Juicero preferiu não comentar oficialmente o caso a reportagem da Bloomberg.Alguns profissionais da empresa disseram que a companhia está ciente do fato de o suco poder ser feito manualmente e disseram acreditar que a maioria das pessoas iriam preferir usar a máquina mesmo assim, por ela garantir um processo mais consistente e menos confuso.

Além disso, o dispositivo também possui um leitor de QR Code (espécie de código de barras) que analisa o conteúdo do pacote para garantir que o produto não está vencido ou foi alvo de recall.

A empresa foi fundada por Doug Evans, que já se comparou a uma espécie de "Steve Jobs do suco", dado a sua busca pela perfeição.

Com 50 anos, o empresário segue dieta vegana, baseada principalmente em alimentos crus. Ele ajudou a construir a cadeia de restaurantes Organic Avenue, especializada em sucos, em 2002.

A Juicero foi sua primeira incursão pelo mundo da tecnologia e ele contou ter criado 12 protótipos de sua máquina para espremer sucos durante três anos antes de buscar uma patente.

Em uma entrevista ao site de tecnologia Recode, ele comparou seu trabalho com o da invenção de um computador pessoal por Steve Jobs. Ele afirmou ter em seu produto 400 peças feitas sob medida, incluindo escaner, chip, microprocessador e antena sem fio

Os investidores que apostaram na empresa em 2014 ouvidos pela Bloomberg disseram ter ouvido promessas de um dispositivo capaz de espremer grandes pedaços de frutas. Porém viram apenas versões da máquina feitos em impressoras 3D, que ainda não eram capazes de fazer a bebida. Com informações da Folhapress.

Leia também: 'Ser um mau governo não configura um crime', diz Ciro sobre impeachment

COMENTÁRIOS REGRAS DE CONDUTA DOS COMENTÁRIOS

X