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'Após queda da Selic, desafio é cortar juro de banco', diz economista

Para Eduardo Loyo, o próximo governo deve mirar mudanças na dinâmica de gastos com salários

'Após queda da Selic, desafio é cortar juro de banco', diz economista
Notícias ao Minuto Brasil

06:00 - 17/12/17 por Folhapress

Economia opinião

Após a taxa Selic atingir o seu piso histórico, a redução dos juros cobrados nos empréstimos bancários é o próximo desafio na economia. Quem diz isso é Eduardo Loyo, 51, sócio e economista-chefe do banco BTG Pactual. Em entrevista, o ex-diretor do Banco Central diz que a reforma da Previdência deve continuar dominando a agenda econômica e sugere que, se os congressistas temem as eleições, a votação pode ser deixada para os meses finais de 2018.

Para Loyo, o próximo governo deve mirar mudanças na dinâmica de gastos com salários, mas observa: não vale apoiar qualquer candidato, mesmo que abrace a agenda considerada correta.

A reforma da Previdência sai?

Quanto mais a gente se aproxima das eleições, mais difícil fica. Mas há uma janela alternativa, ainda em 2018. Existe um pedaço do ano que não vai estar às vésperas das eleições: o período depois delas. Mas é claro que prefiro ver isso resolvido logo.

O Congresso em fim de mandato teria legitimidade para votar a reforma?

Seria mais interessante para o país fazer agora. Mas, se não conseguir, será que é melhor esperar e fazer somente em 2019? Em 2018, a janela de oportunidade em que mais acredito é o fim do ano.

A proposta pode ser alterada ainda mais. O que acha disso?

Seria ruim se houvesse uma diluição adicional, e torço para que seja aprovada no formato que estava em discussão recentemente. Preservar esse formato é importante, não só em nome do ganho fiscal mas também para corrigir desigualdades de tratamento.

Qual é a agenda econômica prioritária do ano que vem?

Sem a reforma neste ano, não é difícil responder: a aprovação da Previdência.

O governo vai cumprir a meta fiscal e o teto de gastos?

No ano que vem ainda é equacionável. Em 2019 vai se tornar mais complicado. As questões associadas ao teto são mais difíceis. Vamos ter que olhar para programas que tenham perdido seu objeto, como o abono salarial. Acredito que seria razoável redirecionar parte dos recursos para outro programa mais focalizado em redução de desigualdade e pobreza.

Mas há outras coisas que poderiam ser alteradas, nas quais o lobby é bem mais forte do que o abono, não?

Essas coisas estão em segundo plano em razão da Previdência, mas todas elas precisarão ser tratadas.

Falando de eleições, o centro do espectro político está demorando demais a se definir?

Não sei se seria realista imaginar que o centro já pudesse ter se definido de maneira mais consolidada ou cooperativa. É natural que haja disputa por posições.

Não há risco de perder força?

Certamente. Quanto mais ele demora, o consenso geral é que menos chances ele terá de ter sucesso. Mas meu palpite é que o quadro não vai se definir muito rápido. Vamos continuar durante muitos meses meio sem saber sequer quem são os cavalos no páreo.

Qual é a agenda econômica dos sonhos para o sr.?

Não é dos sonhos, é da realidade. É fazer a reforma da Previdência e uma política que torne diferente a dinâmica de gastos do governo com a folha de pagamentos dos servidores. Uma readequação de vários programas de subsídios. Tornar a estrutura tributária mais eficiente e equilibrada. Há uma agenda enorme -e não é dos sonhos. Assim fica parecendo que, se a gente não fizer nada, tudo bem. E, se fizer, vai ser um mundo maravilhoso de sonhos. Não é. Se fizermos todas essas coisas, vamos ter chances razoáveis de prosperidade e ganhos de renda. Se não, o quadro é bastante ruim.

Vale apoiar qualquer candidato que tenha essa agenda?

De jeito nenhum. Acho que não se vota somente ao sabor dessa agenda [de reformas]. Se vota também ao sabor de outras questões, como costumes, regras de convivência social, ética.

O debate econômico vai definir o resultado da eleição?

Talvez não. Mas votar com a ilusão de que temos uma lista de questões e a econômica é só mais uma delas não é uma avaliação correta. Ela tem um peso maior.

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A alta do PIB em 2018 pode favorecer um candidato com a agenda de reformas?

Não é favorecer um candidato, mas favorecer que os candidatos se sintam mais à vontade para abraçar essa agenda numa medida maior do que o fariam se estivessem se deparando com sacrifício, sacrifício e sacrifício em nome de benefícios só depois de amanhã. Esperamos alta de 2,7% para o PIB em 2018.

O emprego se recupera com base no mercado informal.

É verdade. Mas o desemprego está caindo mais cedo do que a gente imaginava e a renda das famílias vai se recuperando, dando sustentação à recuperação do consumo e da atividade em geral.

E mexer na tributação para reduzir desigualdade?

O histórico da tributação de grandes fortunas não é animador. Tributação sobre herança é uma discussão válida. A nossa é mais baixa do que em outros lugares. Mas acho que há na pauta uma série de medidas para melhorar a contribuição do aparato fiscal para a distribuição de renda que nem sequer dizem respeito à tributação. Sendo ela o que é, vamos pelo menos fazer com que os gastos não sejam concentradores de renda. Estou falando da Previdência, da redução de subsídios. As questões tributárias terão que ser discutidas em seguida.

A velocidade de queda do juro foi adequada?

O Banco Central foi conservador no fim de 2016, mas lá ninguém achava que a inflação ia cair do jeito que caiu. Eu mesmo tive reparos à condução da política monetária, mas no sentido contrário, de achar que o corte estava sendo rápido demais ao longo de 2017. E reconheço que foi melhor do que eu mesmo poderia ter sugerido. Vimos uma execução magistral em termos de desinflação.

O que esperar para o juro e a inflação?

Neste ano, a inflação fecha mesmo abaixo do piso. Em 2018, a inflação deve ficar perto de 4% ou um pouquinho acima. Projetamos juro em 6,75% em fevereiro e vai ficar aí pelo restante do ano. O fato é que estamos chegando ao limite do que é adequado fazer com a taxa básica. Pode ser que ela fique em 6,5%, 6,75% ou 7%, mas já estamos agora afunilando as possibilidades. Acho que a próxima fronteira em termos de normalização do quadro de juros no Brasil é que os juros cobrados nos empréstimos, principalmente às pessoas físicas, acompanhem toda a queda da Selic. A correlação para as pessoas jurídicas não é tão estreita quanto é para pessoas físicas.

Por que os juros não caíram?

Depende do quadro de incerteza que vigora no período em que esses financiamentos são concedidos e também depende um pouco das condições da oferta e da demanda.

Qual a expectativa?

Que isso vá se normalizando, não de um minuto para outro. Assim como não temos expectativa de que a curva futura de juros vá se convencer da noite para o dia que não tem mais aquele perigo de que os juros não precisem subir.

De que se trata esse perigo?

Sou cauteloso. Você dificilmente ouvirá de mim que, do ponto de vista da recuperação, da dinâmica própria da inflação, não há nenhum perigo. Mas não acho que seja esse o temor principal. Ele está associado à política e, em última instância, se o Brasil vai mesmo insistir e continuar fazendo progressos na agenda geral de reformas. Existe um calendário eleitoral em 2018 do qual esse progresso vai depender. Há um fator secundário, que é o cenário externo. Ele deve continuar calmo, mas também nesse caso o temor de que não seja assim está presente.

Quando a Selic volta a subir?

É bastante provável que os juros tenham que subir um pouco em relação ao nível atual. Temos 8% em 2019, que é uma alta bem moderada. Mas temos isso anotado a lápis.O BTG Pactual enfrentou reveses com a prisão de André Esteves em 2015.

Qual foi a lição?

A maior lição foi a força de nossa "partnership" [sociedade]. Passamos por um teste de estresse sem precedentes e todo o mundo sabia o que tinha que ser feito e executou à perfeição. Estávamos todos juntos à mesa. O apoio de nossos clientes e do mercado financeiro foi fundamental. Com informações da Folhapress.

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