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Boris Johnson compara planos para saída da UE a 'colete suicida'

"Nós nos sujeitamos a uma chantagem política perpétua", disse o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido

Boris Johnson compara planos para saída da UE a 'colete suicida'
Notícias ao Minuto Brasil

09:35 - 09/09/18 por Lusa

Economia Brexit

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, comparou, neste domingo (9), os planos da primeira-ministra britânica, Theresa May, para a saída da União Europeia, o chamado 'Brexit', a um "colete suicida". "Nós nos sujeitamos a uma chantagem política perpétua [...]. Colocamos um colete suicida na constituição britânica e entregamos o detonador a Michel Barnier [negociador da União Europeia para o 'Brexit']", escreveu Johnson em um artigo de opinião divulgado pelo Daily Mail.

Numa alusão à anuência de Theresa May sobre as exigências de Bruxelas, nomeadamente as que são relativas às fronteiras do Reino Unido, Johnson lamenta que a chefe de governo tenha cedido em vez de lutar para o Reino Unido conseguir um "gigantesco e generoso acordo de comércio livre".

"Em todas as etapas das conversações, até agora, Bruxelas tem conseguido o que quer. Concordamos [Reino Unido] com o calendário da União Europeia, aceitamos entregar 39 mil milhões de libras [cerca de 44 mil milhões de euros] por nada em troca", disse, acrescentando que "estamos dispostos a aceitar as regras" sobre as fronteiras, enumera o antigo governante.

Para o ex-ministro, substituído pelo anterior ministro da Saúde do Reino Unido, Jeremy Hunt, isto "é uma humilhação", já que o Reino Unido parece um "insignificante" de 45 quilos "vergado perante um gorila de uma tonelada".

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Demissão

Em julho passado, Boris Johnson, assim como o até então negociador britânico, Davis Davis, se demitiram em desacordo com a forma como estão decorrendo as negociações para a concretização da saída do Reino Unido da União Europeia.

A demissão de Boris Johnson aumentou a pressão sobre a primeira-ministra, Theresa May, alvo de críticas de alguns deputados a favor de um "divórcio" mais radical com a União Europeia. Também vários deputados que apoiam o 'Brexit' já se manifestaram insatisfeitos com o plano, mas, por enquanto, ainda não foi iniciado nenhum processo para forçar a demissão de Theresa May.

Comentário polêmico

O comentário hoje divulgado gerou, contudo, polêmica junto de alguns responsáveis políticos da ala conservadora, com ministro de estado para a Europa no país, Alan Duncan, condenando as palavras usadas por Boris Johnson. No 'Twitter', Duncan argumentou que os comentários equivalem "a um dos momentos mais repugnantes da política britânica moderna" e deveriam ser "o fim político" do ex-ministro nos Negócios Estrangeiros.

Impasse

Faltam menos de nove meses até que o Reino Unido efetue a saída da União Europeia, no dia 29 de março de 2019, cujas negociações sobre os termos do divórcio e do relacionamento posterior estão num impasse. As duas partes tinham indicado outubro como um prazo para chegar a um entendimento para que o acordo possa ser ratificado pelos diferentes parlamentos nacionais dos 27.

O Reino Unido vai deixar a União Europeia em 29 de março de 2019, dois anos após o lançamento oficial do processo de saída, e quase três anos após o referendo de 23 de junho de 2016 que viu 52% dos britânicos votarem a favor do 'Brexit'. Com informações da Lusa.

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