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Feira retrata empolgação do setor de Defesa com governo Bolsonaro

Alguns fabricantes de produtos de defesa e segurança pública falam de crescimento de dois dígitos em 2019

Feira retrata empolgação do setor de Defesa com governo Bolsonaro
Notícias ao Minuto Brasil

07:23 - 06/04/19 por Folhapress

Economia Armas

FÁBIO ZANINI - RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Se o empresariado tem se frustrado com as perspectivas de recuperação da economia, ao menos um setor não esconde o sorriso no rosto.

Alguns fabricantes de produtos de defesa e segurança pública falam de crescimento de dois dígitos em 2019 (ou seja, mais de 10%) com uma combinação imbatível: na economia, uma nova atitude pró-mercado do governo; na política, a presença de um capitão do Exército na Presidência e de uma penca de generais no ministério.

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Nesse clima se desenrolou ao longo dessa semana, no Rio de Janeiro, a Laad, a maior feira de segurança e defesa da América Latina. Se o ambiente nos três pavilhões do Riocentro não chegava a ser de euforia, era certamente de otimismo.

Um dos motivos para isso estava num stand acanhado num canto da feira. Era a base do BNDES na Laad, primeira vez que o banco de fomento estatal montou uma presença física no local.

"A expectativa nossa para o setor é boa, bem maior que a de 2018, em razão da melhora econômica e do crescimento do tema", diz André Taveira, gerente de exportações do BNDES.

O setor de defesa sempre se ressentiu de não ter acesso a linhas de crédito específicas à sua disposição, e a presença física do banco ali foi vista como uma sinalização animadora. "É importante estar aqui para estabelecer contato mais próximo com as empresas, das grandes às micro", afirma Taveira.

Uma das empresas que conversaram com o banco é a Condor, líder nacional em armamento "não-letal", como bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo. "O mercado mudou com a eleição do Bolsonaro, só isso já bastou para alterar o cenário", diz Luiz Monteiro, diretor de Relações Institucionais da empresa, que exporta para 55 países. "Nossos presidentes sempre tiveram vergonhinha de vender produtos de defesa. Agora não tem mais isso", afirma.

O setor vem de uma ressaca. A reportagem estava na Laad a última vez em 2015, quando a crise econômica começava a se acentuar. O clima de tristeza era evidente. Um diretor da Odebrecht, empresa que estava entrando no setor de defesa, usou o eufemismo "desafiador" para o cenário (mal sabia ele que a Lava Jato varreria a Odebrecht da área militar).

"O mercado desacelerou muito desde 2016. Grandes projetos estratégicos foram suspensos", diz o coronel Armando Lemos, vice-presidente executivo da Abimde (Associação Brasileira das Indústrias e Materiais de Defesa e Segurança). Agora a coisa esboça sinais de melhora, diz ele. "Esperamos um cenário positivo. A sociedade está finalmente vendo segurança e defesa como coisas importantes", diz ele.

No estande da Avibras, protótipos de mísseis decoram o ambiente.

A empresa fundada em 1961 é uma potência global, com exportações de foguetes e lançadores para 38 países. Com 1.850 funcionários em três fábricas, vem em recuperação após alguns anos difíceis, em que sua força de trabalho chegou a ter apenas 600 pessoas. Agora, está investindo R$ 72 milhões em sua unidade de Lorena (SP) para produzir PBHT (Polibutadieno Hidroxilado), insumo fundamental na produção de combustível sólido.

"A gente tem uma expectativa boa, é um governo liberal, e que tem olhos mais adequados para esse mercado", diz Carlos Cidade, diretor de Assuntos Corporativos da Avibras.

Para ele, o atual clima favorece a que o setor tenha uma política mais incisiva de comunicação com a sociedade. "O grande desafio do setor militar é mostrar sua importância para a economia. Há um enorme arrasto tecnológico para a sociedade em cada projeto militar, por exemplo, e isso não é passado para as pessoas", declara Cidade.

A Laad ainda não tem número fechados sobre a presença de público, mas expositores foram unânimes em dizer que o crescimento é notório comparado a anos recentes.

De fato, os pavilhões estavam bem cheios durante a visita da reportagem, e com alta presença de delegações de Forças Armadas de países estrangeiros (a presença de militares africanos, compradores tradicionais de armamento brasileiro, chama a atenção).

Há um certo clima de Disneylândia militar que é interessante para quem, como eu, não é do meio. Grupos fardados caminham pelos corredores fazendo selfies e brincando em simuladores de tanques, navios e aviões.

Muita gente se diverte empunhando pistolas, fuzis e até bazucas que estão em exposição.

Mas nada que se compare à "atração" mais popular da festa: uma réplica do trono de ferro de "Game Of Thrones" feita com cartuchos de balas. Filas se formavam para tirar um retrato sentado na obra de arte.

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