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Fora da elite do tênis, Brasil Open tenta reinvenção mais modesta

A saída do torneio, criado em 2001 na Costa do Sauípe (BA) e desde 2012 realizado em São Paulo, foi confirmada no último fim de semana pela entidade

Fora da elite do tênis, Brasil Open tenta reinvenção mais modesta
Notícias ao Minuto Brasil

00:00 - 22/11/19 por Folhapress

Esporte BRASIL-OPEN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez em 20 anos, a próxima temporada do circuito mundial de tênis não terá o Brasil Open no principal calendário da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).A saída do torneio, criado em 2001 na Costa do Sauípe (BA) e desde 2012 realizado em São Paulo, foi confirmada no último fim de semana pela entidade.

Nesta quinta-feira (21), Luis Felipe Tavares, diretor da competição e dono da sua promotora, a Koch Tavares, afirmou que o projeto é criar um novo evento, na semana do dia 23 de novembro do ano que vem.

De acordo com ele, a data já está confirmada pela ATP e o novo torneio, no ginásio do Ibirapuera (SP), será de nível challenger, que segue um calendário paralelo em relação aos maiores campeonatos – estes são classificados conforme a pontuação distribuída no ranking: 250, 500 e Masters 1.000.Procurada, a entidade não se manifestou sobre a confirmação da data de novembro até a publicação desta reportagem.

Estão incluídos no pacote do novo Brasil Open, além do challenger de novembro, com premiação de US$ 162 mil, outros dois campeonatos prévios desse mesmo patamar e com premiações menores no primeiro semestre, em Olímpia (SP) e Florianópolis (SC). A edição deste ano do Brasil Open pagou US$ 550 mil.

As mudanças de data e formato (até então o evento era um 250) se deram porque a empresa Octagon, dona dos direitos da sua realização junto à ATP, optou por levar a competição para Santiago a partir de 2020.

"A empresa não é de filantropia, busca dinheiro e encontrou melhores condições no Chile, que tem tradição no tênis e vive um momento diferente do Brasil, apesar de tudo que está acontecendo [protestos contra a desigualdade] lá agora", afirmou Tavares à reportagem.

Torneio mais tradicional do país e que já viveu anos de pompa com as participações de nomes como Gustavo Kuerten e Rafael Nadal, recentemente o Brasil Open passou a ter dificuldades para fechar a conta da sua realização.

O evento é o único de nível 250 na temporada que concorre com dois 500 na mesma semana, no caso os campeonatos de Acapulco e Dubai, que oferecem premiações bem maiores e atraem as grandes estrelas do esporte.

Pesa contra a gira sul-americana de fevereiro (da qual também fazem parte o Rio Open e dois eventos na Argentina) ser disputada no saibro, piso com cada vez menos especialistas entre os melhores do mundo.

"Essa data é completamente infeliz", resume o empresário. O pleito de mudar o período e a superfície para uma mais rápida une todos os diretores de torneios disputados nesse período, mas esbarra na falta de peso político do grupo nas decisões da ATP.

Ele admite que a concorrência interna com o Rio Open, único 500 dessa gira, atrapalha na busca por patrocínios. Neste ano, após impasses em reuniões da Secretaria Especial do Esporte do governo federal, a autorização para captar verbas de empresas por meio da lei de incentivo ao esporte só saiu com a competição em andamento.

Relatos de atrasos de fornecedores são comuns, e a Koch Tavares está inscrita na Dívida Ativa da União no valor de R$ 16 milhões, segundo extrato ao qual a reportagem teve acesso nesta quinta.

"Conseguimos o milagre de vir até agora. Todas as empresas estão endividadas, qual o problema? Vamos enfrentar. Atrapalha [a realização do torneio], se você não tiver dinheiro você não faz. Neste ano nós fizemos com correria, não é o cenário ideal, mas agora que estamos atrelados a uma nova data vamos buscar isso", afirmou Tavares.

Apesar das diferenças da nova competição, o promotor não abre mão de dizer que se trata de uma continuidade: "O Brasil Open continua sendo o Brasil Open porque é uma marca registrada de propriedade da Koch Tavares, que idealizou, correu o risco e entregou durante os últimos 19 anos".

Ele defende que o novo torneio está mais ajustado à realidade do tênis brasileiro atual, com apenas um atleta entre os 100 primeiros do ranking, e pode se tornar melhor para os jogadores da casa do que o existente nos últimos anos.

"Vamos elaborar em conjunto com a ATP uma situação que vá beneficiar o Brasil Open. A sugestão de trazer o evento para São Paulo foi deles, então eles têm interesse", disse.

Segundo o empresário, o mesmo projeto para captação via lei de incentivo previsto para a antiga data está mantido e começará a a ser executado partir de agora.

"Se os patrocinadores apoiarem, você vai ter o dinheiro e continuará contratando os jogadores para virem. Como que o Nadal veio jogar aqui? Por que eu estava com um topete melhor? Não, porque a gente pagou para ele vir jogar", afirmou.

Sobre o fato de a temporada já ter praticamente acabado no fim de novembro e os tenistas precisarem abdicar das suas curtas férias para comparecer ao novo Brasil Open, ele se declara confiante: "Tudo bem, faz parte do risco, vamos tentar explorar as vantagens de estar nessa data".

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