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Sem Biles, Rebeca faz final na ginástica para cumprir previsão de 1ª treinadora

A decisão das medalhas no salto será no domingo (1º), às 5h45. Na segunda-feira (2), no mesmo horário, Rebeca irá se apresentar ao som do hit "Baile de Favela", lembrando sua origem humilde, na final do solo

Sem Biles, Rebeca faz final na ginástica para cumprir previsão de 1ª treinadora
Notícias ao Minuto Brasil

06:20 - 28/07/21 por Folhapress

Esporte REBECA-ANDRADE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando viu pela primeira vez aquela menina de quase 6 anos ser levada pela tia para fazer teste de ginástica artística no ginásio Bonifácio Cardoso, em Guarulhos, a técnica Mônica dos Anjos acreditou ter em mãos um talento para lapidar.

"Aqui está a futura Daiane dos Santos", afirmou, referindo-se à ginasta que foi a primeira brasileira campeã mundial, em 2003.

A menina possuía características que chamavam a atenção para a idade: força, explosão e coordenação motora. "Ela tinha o biotipo ideal para o esporte. Precisava de flexibilidade, mas isso dá para desenvolver nos treinamentos", analisa a primeira treinadora de Rebeca Andrade.

Dezesseis anos depois daquele encontro, a antiga pupila disputa as finais de três provas da ginástica nas Olimpíadas de Tóquio. A sequência de competições começa na quinta-feira (29), às 7h50, com a decisão do individual geral. Na disputa, ela não terá mais de enfrentar Simone Biles, dos EUA, uma das principais estrelas dos Jogos.

A ginasta brasileira ficou em segundo lugar no qualificatório da prova. Porém, a norte-americana, líder da classificação e favorita ao ouro, desistiu de competir para cuidar de sua saúde mental.

"Nós apoiamos a decisão de Simone e aplaudimos sua bravura em priorizar seu bem-estar. Sua coragem mostra, mais uma vez, porque ela é um exemplo para tantas pessoas", afirmou a federação de ginástica dos Estados Unidos em comunicado.

Biles havia abandonado a competição por equipes na terça-feira (27) após um salto com nota ruim para seus padrões. Do lado de fora do tablado, ela vestiu seu agasalho e passou a apoiar as colegas, que ficaram com a prata (o ouro foi para o Comitê Olímpico Russo). Como teve resultado computado na final, a ginasta somou mais essa medalha no currículo.

Sem a norte-americana, cresce a expectativa sobre Rebeca, que está focada em fazer uma boa competição.

"Eu tive a melhor oportunidade da vida, Deus me deu essa oportunidade e eu soube usar. Essa Olimpíada não está sendo para mim um sonho. Eu coloquei ela como objetivo. Se fosse só um sonho, não estaria aqui hoje ", afirmou a atleta, após se classificar para as finais.

A ginasta busca a redenção na carreira após enfrentar seguidas e dolorosas lesões. Em 2014, uma fratura no dedo do pé a tirou da disputa dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanjing, na China. No ano seguinte, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e teve que ficar nove meses em recuperação.

Ela participou dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, quando sua melhor colocação foi o oitavo lugar na disputa por equipes. A maior frustração, porém, ocorreu no individual geral. A brasileira ficou em terceiro lugar no qualificatório. No final da prova decisiva, cometeu algumas falhas e não passou da 11ª colocação.

Os tormentos físicos de Rebeca não pararam após 2016. No ano seguinte, torceu o tornozelo direito durante treino e teve que usar bota protetora por dois meses. Pouco depois, em outubro, sofreu nova lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito e ficou fora do Mundial de Montreal, no Canadá. Só voltou a competir em setembro de 2018.

Nove meses depois, Rebeca viu a chance de participar das Olimpíadas de Tóquio ser encerrada. A ginasta teve que passar pela terceira cirurgia no joelho direito após sofrer nova lesão no ligamento cruzado anterior. Não voltaria a tempo de conquistar a vaga olímpica. Mas veio a pandemia do novo coronavírus, a paralisação do mundo esportivo e o adiamento do evento.

Rebeca voltou a treinar em julho de 2020 e agarrou a chance de competir no Japão.

"Teve muito trabalho envolvido. Nesses cinco anos, houve períodos em que tive que ficar parada [pelas lesões]. Depois veio a pandemia. Não estaria aqui sem toda minha equipe multidisciplinar", agradece Rebeca.

A vaga em Tóquio só foi conquistada no mês passado, com a vitória no individual geral no Pan-Americano da modalidade, no Rio de Janeiro.

"Estava no campeonato como árbitra. Quando vi a classificação da Rebeca, minha vontade era de ir abraçá-la, mas não podia", lamenta Mônica, a primeira treinadora, que diz estar ansiosa para as finais da ginástica.

"É um orgulho grande ter feito teste com a Rebeca, ela ser de Guarulhos como eu. É uma medalha muito esperada. Já sonhei com ela competindo e ganhando medalha", completa, certa de que a previsão feita lá atrás, e sem Simone Biles no caminho, poderá enfim se concretizar.

A decisão das medalhas no salto será no domingo (1º), às 5h45. Na segunda-feira (2), no mesmo horário, Rebeca irá se apresentar ao som do hit "Baile de Favela", lembrando sua origem humilde, na final do solo.

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