Repórter da 1ª equipe a chegar na área da tragédia faz relato; veja

Lívia Laranjeira, do canal de TV a cabo Sportv, contou como surgiram as primeiras informações sobre o desastre da Chapecoense

© Reprodução / Facebook / Lívia Laranjeira
Esporte LÍVIA LARANJEIRA 21:15 - 30/11/16 POR Notícias Ao Minuto

A repórter do Sportv, Lívia Laranjeira, foi a primeira profissional de imprensa a chegar na área na cidade colombiana de La Ceja, onde ocorreu o desastre. Ela, o produtor Fabrício Crepaldi e o Cinegrafista Erci Morais chegaram ao local ainda na noite de segunda-feira (28), poucas horas depois de surgirem as informações iniciais de um acidente aéreo.

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À BBC Brasil, Lívia relatou o choque inicial e revelou o envolvimento dela com a incrível história do time que virou xodó do Brasil.

“Eu tinha passado uma semana inteira em Chapecó, cobrindo o campeonato brasileiro e a semifinal da Copa Sul-americana. O jogo que garantiu a vaga pra vir a Medellín hoje. Ao longo daquela semana, tomei café da manhã várias vezes ao lado do Caio Junior, no restaurante do hotel. No fim da viagem, fiquei feliz de ver que ele já sabia meu nome, quem eu era, de onde. Ao longo daqueles sete dias, entrevistei ídolos do passado e do presente, e todos eles tinham uma coisa em comum: o maior sorriso do mundo no rosto. Inevitavelmente, a cada entrevista, vinha aquela pergunta: você imaginava que um dia estaria vivendo esse sonho?”, disse Lívia, que com a equipe do canal pago do Grupo Globo, chegara num voo separado dos demais colegas de imprensa, que também foram vítimas da tragédia.

"Faz 24 horas que começou tudo e só agora há pouco eu chorei de verdade. De cansaço, de tristeza, de consternação. Estávamos (eu, o produtor Fabricio Crepaldi e o repórter cinematográfico Erci Morais) na porta do hotel onde a delegação da Chapecoense ficaria hospedada. E eles chegariam a qualquer instante. Daqui a pouquinho mesmo. Na verdade, até já estavam atrasados, e nós, ansiosos. E aí, um colombiano com sotaque carregado disse alguma coisa sobre "una aeronave sin comunicación con la torre del aeropuerto". São línguas tão parecidas, mas não é possível, acho que eu entendi errado. Eu devo ter entendido errado. Eu tenho que ter entendido errado. Eu entendi certo. Sem tempo de pensar direito, jogamos as mochilas nas costas e entramos no primeiro táxi que apareceu", lembra ela.

Eram 11 da noite de uma noite que ainda não acabou. Chovia muito em Medellín, e a serra sinuosa que leva ao aeroporto me aterrorizava. Parei de olhar pela janela e olhei pra dentro. Olhei pra mim. As imagens da semana anterior insistiam em pipocar na minha cabeça”, contou a repórter.

“Eu voltei a olhar pela janela, tentando me concentrar. Eu precisava manter a calma, manter o sangue frio. Seria uma cobertura longa, mas eu ainda tinha esperanças de que fosse cheia das boas notícias. Desistimos de esperar no aeroporto e acabamos indo direto pra um dos hospitais que receberiam os feridos. Diziam que eram vários. Nunca achei que uma notícia sobre "vários feridos" me deixaria tão feliz. Eram vários e eles chegariam logo. Só que pareceu uma eternidade até que a gente ouvisse, lá no fundo, o som de uma sirene, primeiro bem baixinho, depois aumentando aos poucos, até a ambulância surgir na nossa frente. Era Alan Ruschel. Era um primeiro jogador que tinha sobrevivido”, relatou Lívia à BBC Brasil.

Ao longo de toda a madrugada, as informações se desencontravam. Quem eram os sobreviventes? Qual era o estado de cada um? Tudo parecia extraoficial. Como repórter, meu maior medo era errar uma informação tão importante como a morte de alguém no ar. Preferi ser cautelosa, só falar mesmo sobre o que estava confirmado, mesmo que parecesse pouco. Pensei muito naquelas famílias. Nas mulheres que tinham ficado naquela cidade que me recebera tão bem na semana anterior. Pensei no quanto elas deviam estar desesperadas por qualquer informação, e como eu podia ser o único caminho naquele momento”.

Segundo um outro repórter do Sportv, Lívia ainda enviou uma mensagem para um grupo que profissionais do canal mantém no WhatsApp, falando do que parecia estar acontecendo e, infelizmente, aconteceu. 

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