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Pabllo Vittar diz que não quer casar: "Já tenho uma família"

A Drag Queen é uma das maiores estrelas da música brasileira na atualidade e ícone na defesa dos direitos LGBTQ

Pabllo Vittar diz que não quer casar: "Já tenho uma família"
Notícias ao Minuto Brasil

08:30 - 24/04/19 por Notícias Ao Minuto

Fama Pabllo Vittar

Aos 24 anos, Pabllo Vittar é um fenômeno mundial no meio artístico. Saiu de Uberlândia, em Minas Gerais, para os palcos e rapidamente se tornou a Drag Queen com mais seguidores nas redes sociais e um ícone na defesa dos direitos LGBTQ.

RuPaul é o seu grande ídolo, mas não demorou muito até que Phabullo Rodrigues da Silva Araujo - verdadeiro nome de Pabllo Vittar - ganhasse ainda mais seguidores do que a famosa Drag Queen norte-americana nas redes sociais. Porém, esta é apenas uma das muitas conquistas que até agora somou: dois álbuns lançados, vários singles de sucesso e parcerias com artistas internacionais de renome, como Diplo, Lali, Sofi Tukker e Charli XCX. 

A estrela espera com a sua música e com a forma sincera como se assume, "um menino gay que é Drag Queen", abrir mentalidades e lutar pelos direitos da sua bandeira - a comunidade LGBTQ. 

Em sua segunda visita a Portugal, onde se apresentará com sua turnê 'Não Para Não, em Lisboa, Pabllo concedeu uma entrevista ao Fama ao Minuto e falou sobre sua história, preconceito e a tolerância necessária para mudar mentalidades. 

Para começar, você prefere ser chamada de o Pabllo ou a Pabllo?

Como eu estou em ‘persona’ quero que você me chame no feminino, mas quando eu não estou também não me importo. É só um artigo bobo.

Ser artista era um sonho de infância?

Sempre foi, nunca pensei que um dia eu ia viver disso. Mas eu gosto muito e me realizo. Sou uma pessoa muito realizada no meu trabalho.

Ainda se lembra da primeira vez em que se caracterizou como Drag Queen?

Foi no meu aniversário de 18 anos, numa festa de Halloween. O meu aniversário é no dia 1 de novembro e então eu ia sempre a festas de Halloween, nessa aproveitei para me montar pela primeira vez.

Já era uma vontade antiga?

Já, sempre foi. Eu sempre brinquei com o feminino, com maquiagem da minha mãe, com roupas. Sempre fui fascinado.

A voz mais feminina, que muitos julgam não ser natural, trouxe-lhe problemas na infância?

Devido à minha voz aguda todo o mundo tirava sarro de mim. Mas hoje em dia eu não ligo. Tem muita gente que é assim como eu, tem a voz aguda, é gay, afeminado e passa por esse tipo de bullying. Eu quero empoderar essas pessoas, que elas não sintam vergonha. Sintam orgulho de serem da forma como são.

No seu caso, a sua infância e adolescência foram marcadas pelo bullying?

Sim, bastante. Mas isso ajudou-me a ser quem eu sou hoje. Deixou-me mais forte.

Como é que os seus pais ajudaram nesse processo?

A minha mãe sempre me apoiou, sempre esteve comigo me dando todo o apoio do mundo.

A Pabblo é muitas vezes é citada com uma transexual. Aliás, muitas pessoas têm a dúvida se mudar de sexo seria ou não um desejo seu. Alguma vez lhe passou pela cabeça fazê-lo?

Não e não sei porquê. Eu sou um menino gay que faz Drag Queen. Sinto-me muito honrada quando alguém me confunde ou fala que eu sou uma transexual, é porque eu sou muito bonita então, meu amor.

Como define a sua identidade de gênero?

Sou gay. Sou um menino gay que faz Drag Queen.

É vista em todo o mundo e particularmente no Brasil como um ícone da liberdade LGBTQ. Identifica-se com todos os conceitos defendidos pela comunidade?

Sim, claro. Até porque eu sou da comunidade LGBTQ, sou uma das vozes da comunidade e defendo a minha bandeira até ao fim.

Quando começou a sua carreira, defender esta bandeira era um objetivo?

Sempre foi, até porque eu comecei a cantar nas 'prides' [paradas gay]. Não tem para onde correr, estamos todos no mesmo barco. Temos de nos unir e defender.

Como é que se sente ao ver o seu papel na defesa dos direitos LGBTQ é reconhecido não só no Brasil como em todo o mundo?

Sinto-me muito orgulhosa e muito honrada, porque é muito difícil ser LGBT. E é muito bom poder dar voz à comunidade brasileira.

Acredita que a homofobia está acabando no Brasil?

Não diria nem que está perto de acabar... está é longe. Mas nós resistimos!

No meio artístico sofreu algum tipo de preconceito pela forma como se assumiu?

Não, pelo menos que tenha chegado à minha pessoa ou que tenha visto. Preconceito passamos sempre, as pessoas vão sempre falar nas suas costas. Isso vai sempre acontecer, mas eu tenho uma energia muito boa dentro de mim.

Casar e constituir família é um desejo seu?

Não. Acho que eu já tenho uma família, já tenho os meus amigos, já tenho pessoas de que gosto. Não penso em casar.

É difícil ter um relacionamento amoroso quando se é tão famosa?

É mais por não ter tempo. Quando você está num relacionamento quer estar perto da pessoa, quer dividir as coisas com a pessoa. Eu não tenho tempo.

Em relação ao futuro da sua carreira, há novidades a caminho?

Estou gravando um EP com feats internacionais e começando um projeto novo para o meu terceiro álbum de estúdio. Estou bem ansiosa, porque o que eu gosto de fazer é criar.

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