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Dois policiais da Rota são mortos em 9 dias em SP

Policiais já falam em retaliação do Primeiro Comando da Capital (PCC)

Dois policiais da Rota são mortos em 9 dias em SP
Notícias ao Minuto Brasil

09:00 - 05/05/19 por Estadao Conteudo

Justiça Crime

Um policial da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foi morto com tiros de fuzil quando saía de casa na manhã deste sábado, 4, em Interlagos, na zona sul da cidade de São Paulo. O caso é o segundo de execução de integrante da tropa de elite da Polícia Militar no Estado de São Paulo em menos de dez dias.

Policiais já falam em retaliação do Primeiro Comando da Capital (PCC) devido à transferência de líderes da facção para presídios de outros Estados. Eles também citam a ação da Rota que resultou na morte de 11 criminosos durante assalto a bancos, em Guararema, no interior do Estado, no início de abril.

Imagens de uma câmera gravaram o momento em que o cabo Fernando Flávio Flores é atingido por vários disparos quando saía de casa e entrava em seu carro Fiat Dobló. Os criminosos estavam em um automóvel de cor prata. O veículo do PM foi alvejado com mais de 60 tiros. O policial foi atingido por disparos de fuzil na cabeça e em outras partes do corpo, morrendo na hora.

Os executores fugiram e o automóvel (roubado) que utilizaram no crime foi encontrado queimado, horas depois, em Parelheiros, também na zona sul da capital. Um policial da Rota, que pediu para não ser identificado, disse que as características são de execução praticada pelo crime organizado.

"Roubaram um carro, fizeram um dublê para que ele pudesse circular e planejaram a execução. Eles escolheram um policial da Rota, já sabiam da rotina dele e esperaram que saísse de casa para atacar. Usaram fuzil, arma que não é qualquer bandido que usa. Esse crime tem a assinatura do PCC e não tenho dúvida de que foi retaliação. O PCC tem ódio declarado da polícia, com ênfase para a Rota, que sempre combateu de forma muito forte e eficiente a facção", contou. Flores tinha 18 anos de PM.

O outro policial da Rota foi morto na noite de 25 de abril, em Santos. O sargento Daniel Gonçalves Correa, de 43 anos, estava de folga, sem farda, e participava de um evento quando foi abordado pelos ocupantes de uma moto. Um homem desceu da motocicleta, se aproximou pelas costas e atirou em sua cabeça. Depois que a vítima caiu, o agressor fez outro disparo. Ninguém foi preso. Correa respondia a processo por ter matado, em fevereiro de 2016, um suposto integrante do PCC.

O policial da Rota que falou com a reportagem disse que as duas mortes seriam parte de um plano de retaliação do PCC, após a transferência de suas principais lideranças, entre eles o líder Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, para presídios de outros Estados.

"A transferência do Marcola não teve uma represália imediata porque o PCC aprendeu que uma ação maciça, como a de 2006, causa uma repressão ainda maior. Eles estão fazendo de forma pulverizada. Houve outras mortes de policiais que foram dissimuladas, como assalto. Mata o policial e rouba uma moto. Agora, estão escrachando, executando policiais da tropa de elite."

A Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP) confirmou em nota a morte do cabo Fernando Flávio Flores, de 38 anos, do 1º Batalhão de Choque. Segundo o comunicado, pessoas em um carro passaram realizando disparos de arma de fogo. O caso foi registrado no 101º Distrito Policial (DP Jardim das Embuias) e será investigado, por meio de inquérito policial, pela Equipe D Sul do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Equipes da Corregedoria da Polícia Militar, que investigam crimes contra policiais, acompanham as investigações.

"Até o momento, o DHPP está periciando o local onde um veículo carbonizado foi encontrado. Tudo indica que o carro tenha sido utilizado no crime", diz a nota. Já as investigações do caso ocorrido em Santos seguem pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade, que realiza diligências visando a identificação e prisão do autor.

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