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Milícia de Itaboraí cometeu ao menos 50 homicídios em um ano

Durante operação do MP do Rio, foram cumpridos 42 dos 74 mandados de prisão expedidos

Milícia de Itaboraí cometeu ao menos 50 homicídios em um ano
Notícias ao Minuto Brasil

20:30 - 04/07/19 por Notícias Ao Minuto

Justiça Operação

A milícia que foi alvo da operação deflagrada hoje (4) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro cometeu ao menos 50 assassinatos em Itaboraí desde janeiro de 2018. São cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra 77 acusados de integrar o grupo.

Segundo o promotor Rômulo Santos Silva, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o número de vítimas é ainda maior, porque há desaparecimentos que sequer foram comunicados às autoridades pelas famílias, que eram coagidas ao silêncio.

"Conseguimos desarticular bastante a organização criminosa", disse o promotor, que pediu que a população registre os desaparecimentos.  Durante a operação, foram cumpridos 42 dos 74 mandados de prisão expedidos. Desses, 25 foram contra criminosos que já estavam presos e continuavam a participar da organização, inclusive cooptando novos membros entre os detentos do sistema penitenciário. Entre os 93 mandados de busca e apreensão, alguns foram cumpridos em celas, onde foram encontrados materiais como celulares e anotações contábeis.

Entre os denunciados, há quatro policiais militares da ativa e dois ex-policiais militares. Um dos presos, que se identificava como policial apesar de não ser da corporação, tinha acesso a dados internos da polícia e chegava a circular com viaturas oficiais, o que está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.  Segundo o promotor, a milícia foi implantada em Itaboraí como uma "franquia" do grupo liderado por Orlando Curicica, que atua na zona oeste do Rio. Os criminosos foram atraídos pelo possível crescimento que a cidade terá com a retomada dos investimentos no Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj).

A expansão foi planejada e coordenada por Orlando Curicica, apesar de ele já estar preso. Quando ele foi transferido para um presídio federal, a liderança passou para outro membro da quadrilha.

Ministério Público e Polícia Civil contam que os milicianos avançaram de forma agressiva sobre o município do leste fluminense, que sofria forte atuação de facções de traficantes. Contando com armamentos e com a estrutura do grupo miliciano de Curicica, a quadrilha cometeu homicídios, mutilações e torturas e, conforme tomava territórios, começava a cobrar taxas semanais de moradores e comerciantes.

Há informações de que até mesmo colégios foram extorquidos, e taxas de corretagem eram cobradas em transações imobiliárias. Os milicianos também expulsaram moradores de suas casas e as venderam. Com todas essas atividades, a renda do grupo chegava a R$ 500 mil por mês.

Uma característica que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de que mulheres eram as principais responsáveis pela cobrança das taxas na casa dos moradores. A mãe do miliciano conhecido como Renatinho Problema está entre as pessoas que foram presas hoje.

O delegado Gabriel Poiava, da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, disse que os milicianos procuravam os moradores e diziam que estavam combatendo a criminalidade na cidade. "Eles faziam muitas cobranças se identificando como da segurança. Diziam que acabaram com a criminalidade. Poiava pediu que os moradores colaborem com as investigações e procurem as autoridades para fazer denúncias. 

Com informações da Agência Brasil

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