Estudo revela percepções dos brasileiros sobre Parkinson

97% dos brasileiros conhecem a doença de Parkinson e 94% deles sabem que a enfermidade não tem cura

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Lifestyle MAL 14:11 - 02/12/16 POR Notícias Ao Minuto

Obter maior eficiência no tratamento da doença, permanecendo maior tempo sem os sintomas é o principal desejo do brasileiro. O estudo mostra também, como seria a reação ao receber o próprio diagnóstico de Parkinson e como a população assumiria o papel de cuidador de um familiar

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97% dos brasileiros conhecem a doença de Parkinson e 94% deles sabem que a enfermidade não tem cura, mas que existe tratamento para diminuir sua progressão e controlar os sintomas. Estes são alguns dos principais achados da pesquisa comportamental “O brasileiro e o Parkinson”, encomendada pela Teva Farmacêutica, com a colaboração da Associação Brasil Parkinson e realizada pelo Conecta Ibope. O levantamento ouviu homens e mulheres acima de 18 anos em todo o país, e traz revelações sobre o comportamento da população em diferentes cenários relacionados à doença.

Com relação aos sinais da doença, os brasileiros também mostraram bons conhecimentos ao indicarem as principais manifestações: tremores (92%), perda do equilíbrio (61%) e dificuldade para andar (55%). “Saber quais são os sintomas de qualquer doença é o primeiro passo em busca de diagnóstico precoce e tratamento adequado. Ter uma população alerta para esse tipo de questão é fundamental para termos casos controlados e pacientes com mais qualidade de vida”, explica o presidente da ABP, Samuel Grossman.

Atualmente a doença de Parkinson atinge cerca de 250 mil pessoas no Brasil e, com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, a previsão é que esse número dobre até 2040. Diante deste cenário, a doença tem despertado o interesse da população sobre os tipos de tratamento disponíveis para o Parkinson. Os dados mostram que 88% dos entrevistados entendem que a terapia deve ser multidisciplinar, combinando medicamentos com outros tratamentos, como fisioterapia ou fonoaudiologia. Ao mesmo tempo, 55% dos brasileiros esperam que os medicamentos utilizados prolonguem o período em que os sintomas não se manifestam, ampliando assim a qualidade de vida do paciente.

“Realmente, o paciente precisa de atendimento multidisciplinar que inclui, além do neurologista, a participação do fonoaudiólogo, fisioterapeuta e nutricionista. Além disso, já contamos no Brasil da rasagilina – um medicamento que beneficia os pacientes que apresentam flutuações motoras (o período em que a dose do medicamento vai perdendo o efeito e os sintomas voltam a serem sentidos), como comprovam diversos estudos”, com o que concorda o presidente da Associação, Samuel Grossmann.

Embora um dos destaques da pesquisa seja o bom conhecimento dos brasileiros em relação ao assunto, 47% dos entrevistados acham que o Parkinson é uma doença específica da terceira idade. “A maioria dos parkinsonianos é diagnosticada por volta dos 60 anos, mas em torno de 5% deles podem ter tido os primeiros sintomas antes dos 40 anos. Assim é muito importante o diagnóstico precoce para iniciar o tratamento, que ajuda a minimizar os sintomas e a retardar o avanço da doença”, continua o presidente da ABP.

Estudos clínicos demonstram que a enfermidade, em nível avançado, pode restringir consideravelmente as atividades diárias do parkinsoniano. A informação também é confirmada pela pesquisa, que revela que 60% dos entrevistados reconhecem que em estágios adiantados a doença restringe totalmente a rotina do paciente, que precisa de auxilio para realizar tarefas simples do dia a dia, como andar e cuidar da higiene pessoal. Entretanto, mesmo com a enfermidade, os entrevistados consideram que ainda é possível estudar (23%), praticar esportes (21%), comer e beber sozinho (18%), trabalhar (12%) e dirigir (3%).

Sentindo na pele

A pesquisa O brasileiro e o Parkinson criou um cenário para descobrir como os entrevistados lidariam com a enfermidade se fossem diagnosticados com a doença. Nesse universo, 77% deles disseram que começariam o tratamento imediatamente. Já outros, 22%, além de iniciá-lo imediatamente, usariam terapias alternativas. Somente 1% rejeitaria qualquer tratamento. Caso os pesquisados sentissem tremores, rigidez muscular e alteração na fala (sintomas motores comuns no Parkinson); 48% procurariam o clínico geral; 34% o neurologista; 6% o cardiologista; 2% o fonoaudiólogo; 2% ortopedista e 6% não saberiam qual especialidade procurar. Por outro lado, se estivessem com dificuldade para dormir, depressão e apatia (alguns dos sintomas não motores da doença), procurariam ajuda com o psiquiatra (46%), o clínico geral (29%), neurologista (14%), outras especialidades (4%), além disso, 5% não saberiam que especialista procurar e 1% não iria ao médico.

Viver com o parkinsoniano

Quando questionados sobre como lidariam com um familiar com a doença, 65% dos pesquisados afirmaram que cuidariam dele, mas precisariam de ajuda. Já 17% cuidariam e só procurariam auxílio à medida que a doença progredisse. Somente 10% afirmaram que assumiriam totalmente os cuidados e 9% preferem terceirizar os cuidados, seja em casa ou clínicas. Quando as tarefas diárias são detalhadas, a alimentação é a atividade que os entrevistados mais estariam dispostos a lidar sozinhos (45%), enquanto higiene pessoal é a que menos querem fazer (9%) sem ajuda.

“Esses dados comprovam a importância da participação da família e dos amigos para tornar a rotina do paciente mais leve para o parkinsoniano e seu cuidador”, reforça o presidente da Associação Brasil Parkinson. Existem cerca de 4 milhões de pessoas no mundo com Parkinson, de acordo com a ONU porém, no levantamento, apenas um terço dos entrevistados (33%) conhece um paciente com a doença e 83% desses parkinsonianos tem alguma restrição na sua rotina. Contudo, 39% deles têm uma vida normal, mas com restrições de atividade e 44% têm uma rotina mais limitada. Somente 12% conseguem ter uma vida normal, sem limitações.

Pensando nos cuidados com esses pacientes, 77% dos pesquisados dizem que os parkinsonianos que eles conhecem recebem cuidado exclusivo da família, 11% contam com apoio de familiares e cuidadores e somente 4% estão em clínicas. Já avaliando a relação da família com esses pacientes, 58% dos pesquisados dizem que é amorosa, 18% apontam conflitos e 12% avaliam como delicada.

Novos tratamentosEmbora, a doença seja associada com sintomas motores (como tremores, rigidez, lentidão do movimento, desequilíbrio, andar arrastado ou perda de expressão facial), também ocorrem sintomas não motores, tais como depressão, dor, disfunção cognitiva e desordens de sono. Atualmente, o paciente conta com diferentes estratégias terapêuticas para controlar os sintomas como a rasagilina, recém-lançada no Brasil, que melhora a qualidade de vida do paciente ao promover maior controle motor durante dia e noite, com segurança e boa tolerabilidade em todas as fases da Doença de Parkinson permitindo ao paciente manter por mais tempo a autonomia em suas atividades diárias.

“A rasagilina pode ser usado na fase inicial da doença como monoterapia ou quando surgem as flutuações motoras, ocasião em que o paciente relata que necessita antecipar a próxima dose da medicação por que ocorre a diminuição do efeito da mesma” explica Tony Piha, diretor médico da Teva Farmacêutica no Brasil.

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