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Com ofensiva turca, 100 mil pessoas deixam suas casas na Síria

O conflito na região começou na quarta (9), quando Ancara deu início a ataques aéreos e terrestres contra os curdos na Síria

Com ofensiva turca, 100 mil pessoas deixam suas casas na Síria
Notícias ao Minuto Brasil

16:30 - 11/10/19 por Folhapress

Mundo SÍRIA-CONFLITO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ofensiva militar feita pela Turquia contra a minoria curda no nordeste da Síria segue crescendo e já fez ao menos 100 mil pessoas abandonarem suas casas de acordo com a ONU, em meio a um temor de uma crise humanitária na região.

O número foi divulgado nesta sexta-feira (11), mesmo dia em que as tropas turcas chegaram nas proximidades de Kobani, a principal cidade da região que ainda não tinha sido alvo de ataques.

Os ataques turcos estão concentrados no lado sírio da fronteira entre os dois países e se estendem por 400 km, de Ain-Diwar, na divisa com o Iraque no leste, até Kobani, a mais de 400 km a oeste.

A maior parte das pessoas que fugiram são civis curdos que seguem dentro da Síria e se dirigiram para as cidades de Al Hassakeh e Tal Tamer, ambas um pouco mais ao sul da fronteira com a Turquia.

O conflito na região começou na quarta (9), quando Ancara deu início a ataques aéreos e terrestres contra os curdos na Síria depois do presidente americano, Donald Trump, retirar os soldados da região e anunciar que não iria interferir na ação. A medida foi interpretada como uma traição de Washington, já que os curdos são há anos aliados dos americanos na luta contra o Estado Islâmico na região.

Por isso, Trump vem fazendo sugestões de que pode mediar o conflito, depois de ser acusado de abandonar os curdos -o que levou o próprio Partido Republicano questioná-lo. A disputa opõe as tropas turcas e seus aliados do Exército Livre da Síria (FSA, um grupo rebelde) aos curdos, reunidos principalmente em uma coalizão de milícias locais chamada SDF (Forças Democráticas da Síria).

Não está claro qual a quantidade exata de mortos no conflito , já que os diferentes lados fornecem dados discrepantes. Apesar disso, todos concordam que o número de vítimas tem aumentado. Segundo a ONG britânica Observatório Sírio de Direitos Humanos, sete civis foram mortos nesta madrugada, além de 32 membros das SDF, 34 da FSA e um militar turco.Já de acordo com a Anadolu, a agência estatal de notícias turca, 342 militantes curdos foram mortos em três dias. O Crescente Vermelho (versão islâmica da Cruz Vermelha) contabiliza 11 mortos desde o início do conflito.

Os principais enfrentamentos entre as forças turcas e as SDF na noite desta quinta aconteceram em Qamishli e nove vilarejos foram cercados nos arredores de Ras al Ain e Tel Abyad. Um dos temores causados pela ação turca é que integrantes do Estado Islâmico (EI), que ainda atua na região, fujam e se reorganizem.

O comando dos curdos no norte da Síria acusou a Turquia de atacar uma prisão onde estavam detidos ex-combatentes do Estado Islâmico, em Chirkin. Nessa cadeia, havia presos de mais de 60 nacionalidades diferentes.

Por outro lado, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou liberar mais de 3 milhões de refugiados para entrarem na Europa caso sua operação militar seja questionada. A Turquia é o país com mais refugiados no planeta segundo a Acnur (a agência da ONU destinada ao assunto). O país fez um acordo com a União Europeia para manter milhões de sírios que fugiam da guerra civil, diminuindo assim o fluxo deles para os países do bloco.

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