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OMS muda orientações sobre testes para coronavírus

As orientações anteriores da OMS eram mais gerais. Agora, divide diferentes protocolos para países em situações epidêmicas distintas.

OMS muda orientações sobre testes para coronavírus
Notícias ao Minuto Brasil

22:30 - 25/03/20 por Folhapress

Mundo CORONAVÍRUS-TESTE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A OMS (Organização Mundial da Saúde) adotou um tom mais incisivo nas orientações para testes do novo coronavírus e ofereceu mais detalhes quanto à recomendação. 

A entidade diz que, países com transmissão comunitária e com número de testes que não supre a demanda, como é o caso do Brasil, deveriam priorizar os exames em pacientes com maior risco de desenvolver quadros graves (idosos e pessoas com doenças como diabetes e problemas cardiorrespiratórios), populações vulneráveis, profissionais de saúde com sintomas (independentemente de contato ou não com caso confirmado) e os primeiros indivíduos sintomáticos em locais fechados (como escola, prisões e casas de longa permanência para idosos).

O novo documento vai além da fala recente do diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus. "O meio mais eficaz de prevenir infecções e salvar vidas é quebrar as correntes de transmissão. Para isso, você precisa testar e isolar", disse Ghebreyesus. "Nós temos uma mensagem simples para os países: testar, testar, testar. Teste todo caso suspeito."

A OMS também disse que os países devem se preparar para a epidemia antes de ela começar em seus territórios, considerando que, quando o surto começa, os laboratórios terão um aumento significativo em sua demanda. Possíveis restrições também devem ser antecipadas.

O Brasil, que completa nesta quinta (26) um mês desde seu primeiro caso, ainda sofre com a quantidade de testes disponíveis para o público. Em geral, só são testadas pessoas internadas com a suspeita da doença.

O governo de Jair Bolsonaro tem sido pressionado para aumentar a capacidade do país de realização de testes – até agora, foram distribuídos 30 mil exames aos estados, um montante que não é considerado suficiente. Inicialmente, o ministério havia anunciado que planejava oferecer 1 milhão de testes. Em seguida, subiu o número para 2,3 milhões. No sábado (22), passou a 10 milhões. Na terça (24), o Ministério da Saúde anunciou que o país terá quase 23 milhões de testes à disposição. Os profissionais de saúde e de segurança devem ter prioridade.

Os testes rápidos detectam a presença de anticorpos relacionados ao novo coronavírus. A OMS afirma que esse tipo de exame sorológico é importante para pesquisa e vigilância, mas que não é recomendado para detecção de casos.

Enquanto isso, em São Paulo, o governo João Doria (PSDB) anunciou que o estado construiu uma rede com capacidade para 2.000 testes diários. Enquanto anunciava o aumento da capacidade de exames em São Paulo, Doria repetiu a mensagem de Ghebreyesus. "Testar, testar e testar. Essa é a orientação da Organização Mundial de Saúde", disse.

Segundo a OMS, os testes laboratoriais são parte integral da estratégia de alerta e resposta contra a Covid-19. Países que conseguiram, pelo menos por enquanto, controlar melhor a curva da epidemia apostaram em testagem massiva. Um dos exemplos é a Coreia do Sul.

As orientações anteriores da OMS eram mais gerais. Agora, divide diferentes protocolos para países em situações epidêmicas distintas: os que não têm casos; os com poucos casos; países com casos confirmados concentrados em um local; e países com surtos e transmissão comunitária.

Em todos os cenários, a ideia geral é testar todos os casos suspeitos e isolá-los.

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