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Rei emérito Juan Carlos está na República Dominicana, diz imprensa

O monarca de 82 anos, que é investigado por corrupção, anunciou na segunda-feira (3) a decisão de deixar a Espanha para ajudar o filho, o rei Felipe 6º, no "exercício de suas responsabilidades"

Rei emérito Juan Carlos está na República Dominicana, diz imprensa
Notícias ao Minuto Brasil

11:03 - 04/08/20 por Folhapress

Mundo ESPANHA-REALEZA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A imprensa espanhola informou nesta terça-feira (4) que Juan Carlos, rei emérito do país, estaria morando de maneira provisória na República Dominicana.A informação não foi confirmada pela Casa Real.

O monarca de 82 anos, que é investigado por corrupção, anunciou na segunda-feira (3) a decisão de deixar a Espanha para ajudar o filho, o rei Felipe 6º, no "exercício de suas responsabilidades".A carta dirigida a Felipe, publicada no site da Casa Real, não informa o novo destino de Juan Carlos.

O jornal ABC afirma que o monarca teria abandonado a Espanha para ir à República Dominicana, após uma escala em Portugal.

Os jornais El Mundo e La Vanguardia afirmam o mesmo, e esta última publicação detalha que Juan Carlos planeja ficar por algumas semanas no complexo Casa de Campo, em La Romana, de propriedade de uma família dona de plantações de açúcar no país, antes de se decidir por um destino definitivo. O La Vanguardia acrescenta que ele foi para o Porto, em Portugal, de carro, e de lá voou para o país no Caribe.

Já o portal El Confidencial diz que Juan Carlos está em Portugal, onde passou uma parte de sua adolescência.

Dois veículos de comunicação portugueses, a TVI24 e o jornal Correio da Manhã, afirmam que na segunda-feira ele estava na cidade de Cascais.

O El Mundo traz depoimentos de empresários amigos de Juan Carlos dizendo que ele está bem de ânimo e que se despediu deles no fim de semana "sem transmitir nenhum drama", dizendo que é possível que volte em setembro.

Um porta-voz da Casa Real, procurado pela AFP, negou-se a divulgar informações sobre o paradeiro do rei emérito.

"A única informação que temos é a informação que foi publicada no site da Casa Real ontem (segunda-feira)", disse.

Em junho, a Procuradoria da Suprema Corte da Espanha abriu uma investigação contra Juan Carlos, 82, para apurar um possível envolvimento em um esquema de propinas na construção de uma ferrovia na Arábia Saudita.

O objetivo, de acordo com o órgão da instância mais alta da Justiça espanhola, é identificar se o monarca cometeu crimes após abdicar do trono, em 2014.

A legislação no país concede imunidade durante o exercício do reinado. Ao renunciar ao trono, portanto, Juan Carlos perdeu o privilégio.

A investigação, segundo a Procuradoria, refere-se à segunda fase da construção da ferrovia para trens de alta velocidade que liga Meca a Medina, na Arábia Saudita, e que ficou conhecida como Ave do Deserto.

O caso veio à tona em 2018, quando Corinna Zu Sayn-Wittgenstein, ex-amante de Juan Carlos, vazou gravações que mostravam que o antigo rei havia cobrado propina pela concessão da licitação dos trens a um consórcio de empresas espanholas.

Juan Carlos era popular por seu papel na transição do país para a democracia no final dos anos 1970, após a derrocada do ditador Francisco Franco. Sua popularidade, no entanto, foi corroída por diversos escândalos que o forçaram a passar o trono para seu filho, o atual rei Felipe 6º.

Em março, Felipe 6º anunciou que havia renunciado a qualquer herança de seu pai e encerrado a mesada paga pela Casa Real a Juan Carlos. Segundo a imprensa espanhola, o valor desse subsídio somava mais de 194 mil euros por ano (cerca de R$ 1 milhão, em valores atuais).

A decisão veio após o jornal suíço La Tribune de Geneve informar que Juan Carlos havia recebido US$ 100 milhões (R$ 487 milhões) do falecido rei da Arábia Saudita.

O jornal afirmou ainda que Juan Carlos depois ofereceu US$ 65 milhões (R$ 316 milhões) a Corinna zu Sayn-Wittgenstein.

Em 2012, Juan Carlos se envolveu em outra polêmica ao participar de uma caçada de elefantes em Botsuana num momento de forte crise econômica em seu país.

A imprensa divulgou os custos da viagem e criticou a falta de transparência da Casa Real.

A viagem teria permanecido secreta se Juan Carlos não tivesse tropeçado em um degrau e fraturado o quadril. O rei acabou sendo transferido de maneira emergencial para Madri para passar por uma cirurgia.

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