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Renúncia de ministras mergulha Itália em crise política e ameaça primeiro-ministro

O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, líder do partido Itália Viva, anunciou a saída das ministras Teresa Bellanova (Agricultura) e Elena Bonetti (Família) –deixando a coalizão governista sem maioria no Parlamento

Renúncia de ministras mergulha Itália em crise política e ameaça primeiro-ministro
Notícias ao Minuto Brasil

05:52 - 14/01/21 por Folhapress

Mundo ITÁLIA-GOVERNO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A renúncia, nesta quarta-feira (13), de duas ministras do gabinete do premiê da Itália, Giuseppe Conte, mergulhou numa crise política o país que enfrenta uma terceira onda de infecções da pandemia que já matou mais de 80 mil pessoas.

O ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, líder do partido Itália Viva, anunciou a saída das ministras Teresa Bellanova (Agricultura) e Elena Bonetti (Família) –deixando a coalizão governista sem maioria no Parlamento.

Com o rompimento, Renzi, que é senador, cumpre ameaças que vinha disparando havia algumas semanas numa investida contra o atual premiê, líder da coalizão que inclui o movimento antissistema 5 Estrelas, o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e o Livres e Iguais, de esquerda.

O acordo foi firmado no fim de 2019, após meses de crise política no país. Os outros membros criticaram a saída de Renzi e disseram que sua decisão prejudicaria a Itália, atolada na pior recessão desde o período pós-Guerra e com a segunda pior marca de mortos por Covid em toda Europa, atrás apenas da França.

Nicola Zingaretti, líder do Partido Democrático, descreveu a ruptura como um "erro grave" que "vai contra os melhores interesses do país". O enfrentamento da pandemia é a principal causa das desavenças entre o ex-premiê e o atual. Renzi criticou Conte por sua gestão da crise sanitária e sobre o plano para usar os mais de 200 bilhões de euros concedidos pela União Europeia para recuperar as economias do bloco.

Ele diz que o plano é centralizado em Conte, com pouco poder de participação dos outros partidos da coalizão.

"Não vamos permitir que ninguém na Itália tenha plenos poderes. Isso significa que governar com decretos-leis, que por sua vez se transformam em outros decretos-leis, como já vem acontecendo há meses, é uma violação das regras do jogo. Exigimos respeito pelas regras democráticas", afirmou Renzi.

O plano de recuperação foi aprovado pelo gabinete na noite de terça-feira (12), mas ainda precisa do aval do Parlamento.

Em uma entrevista a uma rede de notícias italiana, o líder do Itália Viva disse a versão final já era "um passo à frente". Ele também prometeu que não vai bloquear a aprovação do plano para não atrasar a chegada dos fundos europeus.

No entanto, mantendo a pressão sobre Conte, ele levantou outras queixas e insistiu que a Itália deveria solicitar um empréstimo do fundo de resgate da zona do euro, conhecido como Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), para ajudar seu serviço de saúde.

Leia Também: Itália reporta 15.774 novos casos e supera as 80 mil mortes no total

Até agora, nenhum país demonstrou interesse e tomar empréstimos do ESM, temendo elevar suas dívidas.

Com a movimentação, Renzi foi acusado de fazer política numa tentativa de reavivar seu pequeno partido que está fracassando nas pesquisas –o Itália Viva é uma dissidência do Partido Democrático e teve apenas 3% dos votos nas eleições legislativas de 2018.

Antes do anúncio desta quarta, Conte havia feito um último apelo a Renzi para permanecer na coalizão, dizendo que estava convencido de que a unidade do governo poderia ser restaurada se houvesse boa vontade de todos os lados.

"Parecia claro que Renzi queria se livrar de Conte e estava procurando um motivo para justificá-lo", disse Lorenzo Pregliasco, da empresa de pesquisas e análise política YouTrend. "Esta crise não é sobre política, é sobre os esforços de Renzi para conseguir um novo governo que lhe dê mais peso político."

Renzi diz que está agindo pelo bem do país, mas a maioria dos italianos não acredita em suas palavras. Em uma pesquisa da Ipsos divulgada na terça (12), 73% dos eleitores disseram que ele estava perseguindo seus próprios interesses, e 13% afirmaram que ele estava perseguindo os do país.

Ainda assim, Renzi deixou em aberto a possibilidade de retornar ao gabinete se suas demandas por uma reforma política e maior responsabilidade forem postas em prática.

"Pode ser feito um novo governo Conte? Não temos vetos sobre ninguém, nem preconceitos, nem presumimos dizer ao primeiro-ministro o que fazer", disse o ex-premiê, após descartar qualquer tipo de aliança com a ultradireita do antigo ministro Matteo Salvini.

Em um comunicado em conjunto, a coligação italiana de extrema-direita Liga, de Salvini, dos ultranacionalistas Irmãos da Itália e da conservadora Forza, disseram que a melhor forma de garantir um governo estável seriam as eleições antecipadas.

Não está claro o que o primeiro-ministro e seus aliados remanescentes devem fazer a seguir.

Um cenário possível seria tentarem renegociar um novo pacto com o Itália Viva, o que quase certamente abriria o caminho para uma grande remodelação do gabinete, com ou sem Conte no comando.

Se a coalizão não conseguir chegar a um acordo sobre um caminho a seguir, o presidente Sergio Mattarella poderá tentar formar um governo de unidade nacional para lidar com a emergência sanitária.

Se isso falhasse, a única opção seria uma votação nacional.

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