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Morre teólogo Hans Küng, um dos principais críticos da Igreja Católica

Küng, nascido em 19 de março de 1928 em Sursee, na Suíça, foi professor emérito de teologia ecumênica na Universidade de Tübingen

Morre teólogo Hans Küng, um dos principais críticos da Igreja Católica
Notícias ao Minuto Brasil

10:54 - 07/04/21 por Folhapress

Mundo Hans Küng

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Hans Küng, teólogo suíço crítico da Igreja Católica, morreu nesta terça-feira (6) na cidade de Tübingen, na Alemanha, aos 93 anos, anunciou a Fundação de Ética Global, fundada por ele.

"Lamentamos a perda do nosso fundador e presidente de longa data, Hans Küng. Foi e continua sendo uma honra para nós poder continuar o trabalho de sua vida. Vamos preservá-lo, levá-lo adiante e desenvolvê-lo ainda mais –e nos curvaremos em gratidão", afirmou a fundação em redes sociais.

Küng, nascido em 19 de março de 1928 em Sursee, na Suíça, foi professor emérito de teologia ecumênica na Universidade de Tübingen. Em 2013, aposentou-se da vida pública devido à saúde –ele tinha mal de Parkinson. A fundação não especificou a causa da morte do autor de "Ética Mundial na América Latina".

Em 1979, o Vaticano proibiu Küng, um dos mais jovens participantes do Concílio Vaticano 2º, de ensinar teologia católica após uma controvérsia sobre o dogma da infalibilidade do papa. À época, ele também ignorou a pressão do Vaticano para se retratar. Em resposta, a Universidade de Tübingen o tornou professor de teologia ecumênica, posto no qual escreveu dezenas de livros e artigos.

No concílio, realizado entre 1962 e 1965, Küng defendeu uma igreja descentralizada, com a permissão do casamento de padres e do controle de natalidade. As ideias, como se sabe, não foram adotadas.

Mais recentemente, em 2010, exigiu que o papa Bento 16 fizesse um "mea culpa" pela forma como os casos de pedofilia na igreja foram acobertados durante décadas. Küng criticou a atitude do pontífice emérito, abalado pelas revelações sobre abusos sexuais cometidos no passado por membros do clero.

O teólogo suíço celebrou em 2013 a eleição do papa Francisco como "a melhor escolha possível [...], já que é um latino-americano de mente aberta" e descreveu o argentino como "um raio de esperança".

Em suas memórias, ele citou a luta do papa João Paulo 2º, morto em 2013, contra o mal de Parkinson e o sofrimento silencioso do boxeador Muhammad Ali, também afetado pela doença, como modelos que não queria seguir. "Por quanto tempo mais minha vida será vivida com dignidade?", questionou. "Ninguém é obrigado a sofrer o insuportável como algo enviado por Deus."

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