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Comitê de greve anuncia suspensão de atos na Colômbia, mas população deve seguir nas ruas

Os colombianos têm protestado desde 28 de abril

Comitê de greve anuncia suspensão de atos na Colômbia, mas população deve seguir nas ruas
Notícias ao Minuto Brasil

07:11 - 16/06/21 por Folhapress

Mundo COLÔMBIA-PROTESTOS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Comitê Nacional de Greve na Colômbia anunciou nesta terça-feira (15) a suspensão temporária até 20 de julho das mobilizações que há mais de um mês tomaram o país. A expectativa, no entanto, é que protestos continuem acontecendo, pois a organização não representa todos os que vão às ruas.

À Blu Radio, Francisco Maltés, um dos porta-vozes do comitê, disse que seriam interrompidas as mobilizações feitas às quarta-feiras. Em 20 de julho, Dia da Independência da Colômbia, ele anunciou que o comitê irá convocar uma grande mobilização no Congresso para entregar projetos de lei.

Sem dar mais detalhes sobre o conteúdo das propostas, o comitê garantiu que, durante este mês, irá recolher as reivindicações da população.

Os colombianos têm protestado desde 28 de abril. Inicialmente, os atos eram contra a reforma tributária proposta pelo presidente Iván Duque. Apesar de ele ter retirado o projeto legislativo, a violenta repressão aos protestos –ao menos 61 já morreram no período– seguiu alimentando o descontentamento.

Desde então, os atos se multiplicaram, sem agenda ou direção definida, mas com demandas que exigem um país mais justo e um Estado mais solidário e que garanta vida e segurança diante dos estragos causados pela pandemia, que arrastou para a pobreza 42% da população.

Pela diversidade de atores por trás das mobilizações, o anúncio da suspensão pelo comitê não significa o fim dos protestos no país, ainda que a organização seja sua frente mais visível. Maltés afirmou que os atos continuarão "porque as razões por trás deles ainda estão aí". Sindicatos, estudantes, indígenas e organizações sociais compõem o comitê, criado em 2019.

Já o presidente da Confederação Nacional do Trabalho (CGT), Percy Paola, disse que alguns movimentos vão seguir nas ruas, segundo o jornal El País, e pediu proteção para eles e para os jovens que negociam com autoridades locais.

Após o anúncio, o conselheiro presidencial, Emilio Archila, indicou que o governo vai garantir a realização de protestos pacíficos e pontuou a reforma policial anunciada por Duque. Ele também ressaltou que o comitê não representa todos os que foram às ruas protestar ao destacar o diálogo que o governo mantém com diferentes organizações.

Archila disse ainda que o governo "não está convidando o comitê para nada" ao criticar a decisão da organização de suspender o diálogo. "Tínhamos toda a disposição, vínhamos trabalhando com eles [o comitê], o mesmo que temos feito com todas as outras frentes", afirmou. "Agora vemos que estão pensando em agir diferente e não há nenhuma necessidade de nós os convidarmos."

O Comitê de Greve interrompeu no começo de junho as conversas que mantinha desde o início de maio com o governo Duque sem chegar a um acordo para desativar a crise.

A organização exigia uma condenação explícita da brutalidade policial e um pedido de desculpas pelos excessos. Por sua vez, o governo defendeu o fim dos bloqueios de estradas como condição para o avanço das negociações.

Um eventual acordo com o Comitê Nacional de Greve é visto como um passo para pôr fim à crise, embora não para uma solução definitiva. No mês passado, as autoridades colombianas e os líderes dos protestos até disseram ter chegado a um "pré-acordo" para encerrar o período de manifestações, mas o governo acabou recuando porque parte das lideranças grevistas se recusa a condenar os bloqueios nas estradas –exigência que o governo considera inegociável.

Há pelo menos 15 bloqueios vigentes, segundo a agência de notícias AFP, apesar de o Comitê Nacional de Greve ter retirado grande parte deles em um "gesto de boa vontade". O governo Duque atribui perdas milionárias aos grevistas, além da morte de dois bebês presos em ambulâncias que não conseguiram seguir caminho.

As mobilizações têm sido, em sua maioria, pacíficas durante o dia, mas à noite costumam se tornar violentas, com fortes confrontos entre civis e policiais. ONU, Estados Unidos, União Europeia e ONGs denunciaram graves excessos cometidos pelas forças públicas.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos esteve no país para avaliar a situação na Colômbia. Ao final da visita, o governo do país se comprometeu a investigar 21 homicídios ocorridos durante os protestos contra o governo.

Segundo o Ministério da Defesa, cerca de 2.500 pessoas, entre civis e membros das forças de segurança, ficaram feridas nesse contexto. A ONG Human Rights Watch aponta denúncias confiáveis sobre 34 mortes no âmbito dos protestos, das quais 20 aparentemente ocorreram nas mãos de policiais. Entre elas, 16 foram a tiros disparados com a intenção de matar.

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