Investigação sobre elo com Rússia é 'maior caça às bruxas', diz Trump

A frase foi repetida horas depois em entrevista coletiva ao lado do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na Casa Branca

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Mundo EUA 20:56 - 18/05/17 POR Folhapress

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (18) que é alvo da "maior caça às bruxas" da história do país, após a indicação de um conselheiro especial para investigar a ligação de membros de sua equipe com a Rússia durante a campanha eleitoral.

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"Esta é a maior caça às bruxas a um político na história americana", escreveu o republicano no Twitter. "Com todos os atos ilegais da campanha de Clinton e do governo de Obama, nunca um conselheiro especial foi indicado!".

A frase foi repetida horas depois em entrevista coletiva ao lado do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na Casa Branca. Na ocasião, Trump repetiu que não houve contatos com o governo russo -acusado de ter interferido nas eleições para favorecer o republicano- durante a campanha.

"Não houve conluio, e todo mundo, inclusive os meus inimigos, disseram que não houve conluio", disse, completando que as revelações e acusações contra ele "dividem o país". "Temos um país muito dividido por causa disso e de outras coisas".

Trump ainda respondeu de forma ríspida ao ser questionado se pediu ao ex-diretor do FBI James Comey que encerrasse a investigação sobre Michael Flynn, seu conselheiro de Segurança Nacional no início do governo: "Não. Não. Próxima pergunta".

Na última terça-feira (16), o "New York Times" revelou que Comey escreveu um memorando no qual descreve o pedido feito por Trump para "deixar para lá" o caso de Flynn. Comey, que estava à frente da investigação sobre os possíveis elos de assessores de Trump com Moscou, foi demitido no último dia 9.

O governo justificou a decisão com base em uma carta do vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein, afirmando que o ex-diretor errou ao não recomendar, em 2016, o indiciamento da ex-secretária de Estado Hillary Clinton pelo uso indevido de e-mails.

Numa sessão fechada no Senado nesta quinta, no entanto, Rosenstein disse que sabia que Trump planejava demitir Comey antes mesmo de escrever a carta apontando as razões para sua saída. A informação foi revelada por senadores democratas aos jornalistas.

Rosenstein foi o responsável por apontar o ex-diretor do FBI Robert Mueller para ser o conselheiro especial na investigação sobre Rússia, após intensa pressão da oposição. A decisão do vice-secretário de Justiça, que não precisa do aval da Casa Branca, foi informada a Trump pouco antes de ser anunciada à imprensa, na quarta.

Segundo Rosenstein, nas atuais circunstâncias, que seriam "únicas", "o interesse público exige que eu ponha a investigação sob a supervisão de uma autoridade independente".

NOVO DIRETOR

Trump defendeu, nesta quinta, a demissão de Comey, repetindo que esperava ter tido o apoio da oposição.

"Quando tomei essa decisão, achei que seria uma decisão bipartidária, se você olhar todas as pessoas do lado democrata que diziam coisas terríveis sobre o diretor Comey", disse.

O presidente afirmou que "em muito breve" anunciará o novo diretor do FBI (polícia federal americana) e que os agentes e funcionários do órgão ficarão "muito, muito entusiasmados" com o nome escolhido por ele.

Nesta quinta, a imprensa americana divulgou que o nome mais cotado hoje é o do ex-senador por Connecticut Joseph Lieberman, um democrata que chegou a disputar a eleição em 2000 como vice na chapa de Al Gore.

Questionado se Lieberman estava entre os finalistas, Trump apenas respondeu que "sim". Com informações da Folhapress.

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