Descoberta na Argentina coleção de supostos artefatos nazis

Investigação, que culminou na descoberta da coleção, começou depois que autoridades encontraram obras de arte de origem ilícita numa galeria em Buenos Aires

© Lusa
Mundo De filme 06:35 - 20/06/17 POR Notícias Ao Minuto

Cerca de 75 objetos foram encontrados numa sala secreta, no interior da casa de um colecionador, em Beccar, um subúrbio a norte de Buenos Aires. As autoridades suspeitam se tratar de peças originais que pertenceram a altas patentes do regime nazi da II Guerra Mundial.

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"As investigações preliminares indicam tratar-se de peças originais", afirmou, nesta segunda-feira (19), a ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich, à agência noticiosa norte-americana Associated Press.

A mesma responsável indicou que algumas peças surgem acompanhadas por fotografias antigas: "É uma forma de as comercializar, de mostrar que eram usadas pelo horror, pelo 'fuhrer'. Há imagens dele com os objetos".

Entre os itens figuram também brinquedos que, ainda segundo a ministra, teriam sido utilizados para doutrinar crianças, como uma grande estátua da águia nazi, uma ampulheta e uma caixa de harmônicas.

A polícia argentina indicou que uma das provas mais convincentes da importância histórica da descoberta assenta num negativo de uma fotografia de Hitler segurando uma lupa semelhante às encontradas em caixas. "Recorremos a historiadores que nos indicaram que é a lupa original" que Hitler usava, afirmou Nestor Roncaglia, chefe da polícia federal argentina. "Estamos à procura de especialistas internacionais para aprofundar" a investigação, acrescentou.

A investigação, que culminou na descoberta da coleção, começou depois de as autoridades terem encontrado obras de arte de origem ilícita numa galeria a norte de Buenos Aires.

Agentes, apoiados pela Interpol, começaram a seguir o colecionador e, após obterem um mandado judicial, efetuaram buscas à sua casa, no último dia 8.

Uma estante de grande dimensão chamou a atenção e, atrás do móvel, viriam a descobrir uma passagem secreta que dava acesso a uma sala cheia de símbolos nazis.

As autoridades argentinas não identificaram o colecionador, que permanece em liberdad,e mas sob investigação.

"Não há precedentes de uma descoberta deste tipo. Peças são roubadas ou são imitações. Mas isto é original e temos de chegar ao fundo" desta história, realçou Roncaglia.

A polícia encontra-se agora a tentar apurar de que forma é que os artefatos entraram na Argentina.

A principal hipótese levantada pelos investigadores e membros da comunidade judia do país é a de que os artefatos foram levados para a Argentina pelos nazis depois da II Guerra Mundial, quando a nação sul-americana se tornou num refúgio para os criminosos de guerra em fuga, incluindo alguns dos mais conhecidos.

Com as altas patentes do III Reich a serem levadas à justiça por crimes de guerra, o médico nazi Josef Mengele fugiu para a Argentina, onde viveu durante uma década.

O "anjo da morte" do campo de concentração de Auschwitz mudou-se, posteriormente, para o Paraguai depois de membros da agência de espionagem israelita Mossad terem capturado Adolf Eichmann, responsável pela deportação de milhões de judeus para os campos de extermínio durante o Holocausto, que também morava em Buenos Aires.

Já no início da década de 1960 foi para o Brasil, onde morreu em 1979, ainda que a sua morte só tenha sido confirmada em 1985, após a exumação do corpo. Com informações da Lusa.

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