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Igreja Universal: TV divulga detalhes de 'farsa' para legitimar adoção

Reportagem revelou mais detalhes sobre a suposta “farsa” montada para adoção de crianças portuguesas por Viviane Freitas, filha do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus

Igreja Universal: TV divulga detalhes de 'farsa' para legitimar adoção
Notícias ao Minuto Brasil

06:50 - 13/12/17 por Notícias Ao Minuto

Mundo Portugal

No segundo programa da série “O segredo dos Deuses”, do canal de televisão português TVI, a reportagem revelou mais detalhes sobre a suposta “farsa” montada para adoção de crianças portuguesas por Viviane Freitas, filha do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo o relato de uma ex-funcionária do lar onde as crianças teriam sido adotadas, Edir Macedo se encantou por três irmãos, filhos da mulher entrevistada pela reportagem, identificada apenas como “Maria”. “Olha, aqui estão umas crianças para o Júlio e a Viviane”, teria dito o líder religioso à esposa, segundo a ex-cuidadora que diz ter presenciado a cena. Em seguida, Macedo teria levado as fotografias de volta à Califórnia, para mostrá-las à filha e ao genro.

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“Não me pareceu estranho, porque sabia que a filha e o genro [de Edir Macedo] não queriam ter filhos. Achamos que os pais [biológicos] haviam mandado as crianças para adoção”, disse a entrevistada. Como a Igreja Universal ordena aos seus pastores e bispos que sejam submetidos à vasectomia antes mesmo de se casarem, Júlio Freitas, marido de Viviane Freitas - filha de Macedo - não poderia ter filho. Na altura, resolveram adotar.

O problema é que as crianças citadas na reportagem de Alexandra Borges e Judite França não foram deixadas no lar para adoção. De acordo com a mulher que se diz mãe biológica, os três filhos – Vera, Fábio e Luís – foram tirados por uma assistente social após uma denúncia anônima. “Maria” disse que precisava se dedicar a dois empregos na época e que deixava os filhos com marido, que tinha o hábito de deixar as crianças sozinhas. Por essa razão, as crianças foram enviadas para um abrigo.

“Os pastores aproveitaram o fato da instituição [Igreja Universal] ter acesso ao lar de crianças. Essas crianças foram adotadas do lar e não seguiram os trâmites. Se fizerem uma investigação vão ver que não seguiram os trâmites que deveriam”, disse o ex-bispo da IURD, Alfredo Paulo.

Como as crianças agradaram à família Macedo, mas não estavam livres para adoção, foi preciso construir um caminho. A retirada de Vera, Luis e Fábio da família biológica seria uma medida temporária, mas com o tempo os pais passaram a ser impedidos de visitar os filhos, após boatos de que seriam dependentes químicos e soropositivos. A mãe garante que nunca usou drogas e chega a mostrar a carteira de doadora de sangue, que atesta que não é soropositiva, negando a "farsa" montada por quem queria retirar seus filhos.

Ainda segundo o seu relato, na época, 20 anos atrás, os pais teriam sido impedidos diversas vezes de assinar o livro de visitas - o que seria uma grande prova no processo, pois tal livro é obrigatório em qualquer instituição do gênero. Esta pode ter sido a estratégia para demonstrar desinteresse dos pais em relação às crianças, já que uma vez que os filhos são deixados no lar e não recebem visitas por um período mínimo de seis meses o tribunal pode decidir a favor da adoção.

“Perguntei sempre pelo livro, porque aquilo era uma justificação de que eu tinha lá estado. Eles diziam que não estava lá, que depois eu assinava, mas o livro nunca mais apareceu”, diz a suposta mãe. Ela garante que nunca chegou a ser ouvida em tribunal sobre o caso – o que é obrigatório, por lei, nos processos de inibição paterna nos casos de adoção.

“Há um episódio em que o Luis faz anos. O pai e a mãe vão [ao lar] com um bolo de aniversário, mas não foram deixados entrar porque os meninos não estavam lá. Foi dito que as crianças tinham ido com uma funcionária para casa. O pai ficou tão revoltado que jogou o bolo de tal forma que foi parar do outro lado da rua”, conta uma ex-funcionária. 

Viviane contou história da adoção em blog

Se, de um lado, os pais biológicos eram proibidos de ver as crianças, do outro, a filha e o genro do bispo Edir Macedo teriam encontrado o caminho facilitado. Eles vieram da California para o primeiro contato com os seus futuros filhos. Segundo um ex-funcionário da instituição, das mais de 40 crianças abrigadas pelo lar, eles mandaram chamar no gabinete apenas três filhos de “Maria”, que haviam sido “escolhidos” por foto, levadas para os Estados Unidos pelo líder da Universal.

Viviane Freitas, conta a história da adoção dos seus filhos em um blog pessoal. Ela chega a narrar, em um dos relatos, que lembra do primeiro momento em que se deparou com as fotografias das crianças. No texto exibido na reportagem, datado de 15 de dezembro de 2015, ela descreve Vera como parecida com o seu marido. "Alguém parecido com o pai, cabelinho preto e sobrancelha grossa”, diz o texto.

Após escolher as crianças, o processo de adoção teria sido feito por intermédio de uma outra pessoa, Alice Andrade, antiga secretária pessoal de Edir Macedo. A ajuda foi necessária pelo fato de Viviane Freitas não ter idade suficiente para adoção na época nem residência em Portugal, o que era exigido no país. Mais informações sobre o assunto serão divulgadas nas próximas reportagens da série.

Alguns assuntos referentes ao caso de adoção, explorados na reportagem, não estão mas disponíveis na página da filha de Edir Macedo. Porém, o trecho mostrado na reportagem pode ser acessado na página da Igreja Universal de Portugal.

Contraponto

A reportagem ouviu autoridades sobre adoção em Portugal, como Gonçalo de Melo Breyner, do Ministério Público de Portugal. Ele informou que no processo de adoção no país as famílias não têm o direito de escolher as crianças que querem adotar. “Não era assim que os processos começavam”, revela o entrevistado. 

A âncora da TVI Judite França informou que a reportagem tentou entrar em contato com a Igreja Universal do Reino de Deus para esclarecer as denúncias, mas que a instituição não comentou o assunto. Duas das crianças tratadas na reportagem, Vera e Luis, hoje adultos, divulgaram na internet um vídeo sobre a sua história de adoção, garantindo ter se tratado de um processo legal.

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