Meteorologia

  • 20 OUTUBRO 2019
Tempo
--º
MIN --º MÁX --º

Edição

Trump ameaça punir tribunal que julga crimes contra humanidade

Juízes e procuradores do TPI que tentem investigar cidadãos americanos ou países aliados serão impedidos de entrar nos EUA, segundo assessor de segurança

Trump ameaça punir tribunal que julga crimes contra humanidade
Notícias ao Minuto Brasil

19:21 - 10/09/18 por Folhapress

Mundo EUA

O governo de Donald Trump ameaçou nesta segunda-feira (10) impor sanções contra o TPI (Tribunal Penal Internacional), responsável por julgar crimes contra a humanidade, e a seus magistrados caso a corte investigue a atuação de militares americanos no Afeganistão.

Em discurso, o assessor de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, afirmou que juízes e procuradores do TPI que tentem investigar cidadãos americanos ou países aliados de Washington serão impedidos de entrar nos Estados Unidos e poderão até mesmo ser processados.

"Se a corte vier atrás de nós, Israel ou qualquer aliado dos Estados Unidos, não vamos ficar de braços cruzados", afirmou Bolton. 

"Nós vamos banir seus juízes e procuradores de entrarem nos Estados Unidos. Vamos sancionar suas contas no sistema financeiro dos EUA e vamos processá-los no sistema criminal dos EUA. E faremos o mesmo contra empresas e Estados que auxiliem o TPI a investigar americanos", disse o assessor evento em Washington do grupo conservador Federalist Society.

Ele disse que o tribunal -com sede em Haia, na Holanda- é ilegítimo e ameaça a soberania dos EUA e os direitos constitucionais de seus cidadãos. "Para todos os efeitos, o TPI já está morto para nós", disse ele.

+ Kim Jong-un pediu nova reunião com Trump, diz Casa Branca

Em funcionamento desde 2002, o TPI julga casos relacionados a crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade, e os EUA oficialmente não fazem parte dele -em parte, graças ao próprio Bolton.

Durante o governo de George W. Bush (2001-2009), o atual assessor de Trump ocupou os cargos de subsecretário do Departamento de Estado e de embaixador do país na ONU.

Nessas posições, ele apoiou a decisão de Bush de não ratificar o tratado que criou o tribunal, impedindo assim que o país entrasse no TPI, e fez críticas públicas a iniciativa.

O sucessor de Bush da Casa Branca, Barack Obama, tomou uma série de medidas para aproximar o país do tribunal e facilitar as investigações, mas os EUA nunca chegaram a entrar formalmente no TPI.

Procurado pelo jornal britânico The Guardian, o tribunal afirmou que tomou conhecimento das declarações de Bolton e que está "comprometido com a independência e imparcialidade de sua responsabilidade", mas não comentou sobre a possibilidades de investigar militares americanos.  

As declarações de Bolton ocorreram no mesmo dia em que o governo Trump anunciou a decisão de fechar a missão palestina em Washington. 

As duas ações se juntam a uma extensa lista de polêmicas do atual presidente na comunidade internacional, como a mudança da embaixada americana em Israel para Jerusalém, a retirada do país do acordo nuclear com o Irã e do Conselho de Direitos Humanos da ONU e as constantes críticas do presidente a OMC (Organização Mundial de Comércio) e ao Nafta (acordo de livre comércio com México e Canadá), entre outras. Com informações da Folhapress.

Campo obrigatório