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Príncipe saudita nega envolvimento em morte de jornalista

Declaração foi dada ao Donald Trump durante telefonema

Príncipe saudita nega envolvimento em morte de jornalista
Notícias ao Minuto Brasil

18:30 - 16/10/18 por Ansa

Mundo investigação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (16) que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, desconhece o que ocorreu no consulado em Istambul no que diz respeito ao desaparecimento do colunista do "Washington Post", Jamal Khashoggi.

"Ele me garantiu que as investigações completas e abrangentes já estão em andamento e serão estendidas com resultados em breve", disse o republicano no Twitter, após telefonar para Riad. Mais cedo, Trump usou a rede social para negar qualquer interesse econômico na Arábia Saudita, neste momento de tensão bilateral.

"Deixo registrado que não tenho interesses financeiros na Arábia Saudita [ou na Rússia, aliás]. Qualquer sugestão disso são apenas mais notícias falsas", criticou. Após o desaparecimento de Khashoggi, que foi visto pela última vez entrando no consulado saudita em Istambul, o magnata norte-americano chegou a declarar que poderia haver sanções, caso a responsabilidade das autoridades sauditas na morte fosse comprovada. No entanto, logo depois, Trump afirmou que havia conversado com o rei saudita e ele negou qualquer responsabilidade.

O telefonema coincidiu com uma visita à Arábia Saudita do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, enviado por Trump para lidar com a crise nas relações. Hoje, Pompeo chegou a Riad para se encontrar com o rei do país árabe, Salman Bin Abdulaziz, e obter esclarecimentos sobre o desaparecimento de Khashoggi após entrar no consulado para obter documentos de um divórcio no último dia 2 de outubro.   

Segundo a porta-voz do departamento de Estado norte-americano, Heather Nauert, Pompeo "agradeceu ao rei saudita pelo empenho em uma investigação completa, transparente e imediata" do caso.    Nesta quarta-feira (17), o representante norte-americano segue para Istambul, na Turquia, para acompanhar as investigações conjuntas entre autoridades sauditas e turcas.   

O governo turco está ampliando sua busca por pistas para tentar desvendar o caso, informou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, que acrescentou que não recebeu "confissão" dos sauditas.    O prédio do consulado foi alvo de operações de busca pela primeira vez ontem (15). Antes do início dos trabalhos, no entanto, equipes de limpeza foram vistas entrando pela porta principal do prédio, com esfregões, desinfetantes e baldes.   

Segundo funcionários da corporação ouvidos pela agência "Associated Press", a polícia turca encontrou provas de que o jornalista morreu dentro do prédio. Nesta terça-feira (17), a o governo saudita chamou de volta o cônsul do país na Turquia, Mohammad Al Otaibi, que teve a casa vasculhada pela polícia como parte das investigações. Mas, segundo a imprensa turca, Al-Otaibi deixou o país em um voo comercial com destino à Riad horas antes de sua residência oficial ser revistada.   

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, por sua vez, afirmou que a polícia constatou que algumas superfícies do prédio consular foram pintadas recentemente. "Minha esperança é de que nós possamos chegar a conclusões que vão nos levar a uma opinião razoável o mais rápido possível. A investigação está considerando muitas possibilidades, como o uso de materiais tóxicos que teriam sido removidos por meio da pintura", disse o mandatário a jornalistas. A polícia turca planeja executar novas buscas, na casa de Khashoggi, ainda nesta semana. As autoridades alegam ter vídeos que comprovam que o jornalista foi interrogado e morto por uma equipe de 15 homens enviados por Riad, o que é negado pelo os sauditas, que não apresentaram outra versão para os fatos.   

A rede de televisão norte-americana "CNN" publicou uma reportagem, na qual afirma que os sauditas estariam "prontos para emitir um comunicado" admitindo que o jornalista teria morrido dentro do consulado, em consequência de um interrogatório malsucedido.   

Já o "Washington Post" afirma que a versão só seria divulgada após um acordo com as autoridades turcas, que definiria como a investigação iria prosseguir.    A alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para direitos humanos, Michele Bachelet, pediu que seja revogada a imunidade diplomática das autoridades sauditas envolvidas no caso em Istambul, para que sejam investigadas. "A imunidade não deve ser utilizada para impedir investigações", disse.   

O caso já causou impactos econômicos, levando os bancos HSBC e Credit Suisse se juntarem à Ford e ao JP Morgan na lista de empresas que cancelaram participação no fórum econômico chamado de "Davos do deserto", que visa a atrair investimentos para a construção de uma cidade futurista na Arábia Saudita, com orçamento de 500 bilhões. (ANSA)

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