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Macron causa polêmica ao elogiar militar que colaborou com nazistas

Em uma visita hoje à região das Ardenas (norte), Emmanuel Macron considerou "legítimo" homenagear Pétain

Macron causa polêmica ao elogiar militar que colaborou com nazistas
Notícias ao Minuto Brasil

17:29 - 07/11/18 por Lusa

Mundo Polêmica

O Presidente francês, Emmanuel Macron, entrou em uma polêmica nesta quarta-feira (07) ao elogiar o general da I Guerra Mundial Philippe Pétain, que mais tarde colaborou com os nazistas chefiando o governo colaboracionista francês durante a II Guerra Mundial.

O elogio foi já criticado pelo Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França (CRIF), que se disse "chocado" com as palavras do chefe de Estado.

Em uma visita hoje à região das Ardenas (norte), Emmanuel Macron considerou "legítimo" homenagear Pétain, sábado em Paris, no âmbito das comemorações dos 100 anos do Armistício, juntamente com outros sete marechais da Guerra, afirmando que Pétain foi "um grande soldado" durante a I Guerra Mundial, apesar de ter "feito escolhas funestas" durante a Segunda.

Philippe Pétain, promovido a marechal após o Armistício de 1918, liderou a vitória do exército francês em Verdun em 1916, mas tornou-se um símbolo de infâmia, e foi condenado por traição, por dirigir o governo colaboracionista de Vichy de 1940 a 1944, cúmplice do Holocausto, resultando na deportação de milhares de judeus da França.

"Foi um grande soldado, é uma realidade. A vida política, como a natureza humana, são por vezes mais complexas do que gostaríamos. Sempre encarei a História do nosso país de frente", disse.

"É legítimo homenagearmos os marechais que conduziram o exército à vitória, como todos os anos. O meu Chefe do Estado-Maior estará presente nessa cerimônia", disse Macron, questionado por jornalistas à chegada à prefeitura das Ardenas para um Conselho de Ministros deslocalizado.

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Para o presidente do CRIF, Francis Kalifat, as declarações de Macron são "um insulto".

"Estou chocado com esta declaração", disse à imprensa. "Pétain foi a pessoa que permitiu a deportação de 76.000 judeus franceses para campos de concentração. Pétain assinou [a lei] o estatuto dos judeus que significou a exclusão dos judeus de funções públicas e da educação e os obrigou a usar a estrela".

Kalifat considerou "um insulto" o Presidente francês homenagear Pétain "ao mesmo nível os outros generais".

O CRIF emitiu também um comunicado em que afirma que "a única coisa" a reter sobre Pétain é que "ele foi, em nome do povo francês, considerado indigno da nacionalidade durante o seu processo em julho de 1945", o que acarreta perda de direitos, incluindo das patentes e honras militares.

"Sem negar que ele foi 'também um grande soldado' durante a guerra de 1914-1918, o CRIF recorda que Philippe Pétain foi julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça em julho de 1945 por alta traição e condenado à pena de morte", acrescentou.

Macron está nas Ardenas no âmbito de uma viagem de seis dias a campos de batalha da I Guerra Mundial, no âmbito das comemorações do centenário do fim do conflito.

Confrontado com as críticas, o porta-voz do Governo Benjamin Griveaux considerou tratar-se de uma falsa polêmica: "Não devemos fazer atalhos duvidosos. Pétain serviu a pátria em 1914 e traiu-a em 1940". Com informações da Lusa. 

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