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Problemas em aviões deixam passageiros da Air France retidos na Sibéria

Estrangeiros dividiram quartos, ficaram sem malas, passaportes e sem permissão para sair à rua

Problemas em aviões deixam passageiros da Air France retidos na Sibéria
Notícias ao Minuto Brasil

17:34 - 14/11/18 por Folhapress

Mundo Transtorno

Após problemas em duas aeronaves, um voo da companhia Air France que partiu de Paris, na França, para Xangai, na China, na noite do último sábado (10), só chegou ao destino final nesta quarta-feira (14).

Durante os três dias em que aguardavam um novo voo, 282 pessoas, a maioria de origem francesa e chinesa e a reportagem da Folha de S.Paulo, ficaram retidas em dois hotéis de Irkutsk, cidade de 600 mil habitantes no leste da Sibéria, na Rússia, com temperaturas que variam entre -10ºC e -20ºC durante a madrugada.

Os estrangeiros dividiram quartos, ficaram sem malas, passaportes e sem permissão para sair à rua. Muitos só tinham a roupa do corpo e outros deixaram objetos de valor ou remédios nas malas despachadas.

Dois aviões Boeing-777 da companhia aérea francesa tiveram problemas e não puderam realizar o trajeto até Xangai. A terceira aeronave enviada de Paris conseguiu finalizar o percurso de quatro horas restantes às 12h45 desta quarta-feira no horário de Xangai (2h45 no horário de Brasília).

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No domingo (11), quando o avião se dirigia para a parte final da viagem, o piloto do voo AF116 avisou que precisaria mudar a rota e pousar devido a um problema elétrico, que seria verificado por técnicos em solo.

A tripulação detectou fumaça e realizou um pouso de emergência. A viagem seria retomada, mas, em meia hora, todos foram orientados a descer do avião. Não há relatos de passageiros que tenham sentido qualquer desconforto ou cheiro de fumaça.

Muitos viajantes tinham compromissos profissionais em Xangai e alguns marcaram o retorno para seus países de origem nesta quinta-feira (15), um dia depois de chegar de uma viagem de cerca de 11 h.

Com frio cortante e neve, os passageiros deixaram os passaportes com o controle de bordo russo e foram encaminhados a dois hotéis da cidade. Em ambos não havia espaço suficiente, e os passageiros dividiram dormitórios com duas ou mais pessoas.

Durante o trajeto do aeroporto ao hotel, policiais acompanharam os ônibus com a sirene ligada.

As instalações dos hotéis eram aquecidas e as três refeições, pagas pela companhia aérea. As opções de entretenimento eram uma mesa de bilhar, um bar e uma loja de souvenir que vendia objetos como chaveiros do Stalin, quadros soviéticos e matrioskas pintadas com o rosto de Vladimir Putin.

Policiais ficavam em frente do local para proibir qualquer passagem. Mesmo cidadãos que não precisam de visto para entrar na Rússia, o caso de brasileiros, não tinham autorização para ultrapassar a porta principal.

"Não posso deixar, não há o que eu possa fazer", escreveu um dos policiais no tradutor do celular.

Apesar de todos terem recebido uma cópia do passaporte no hotel, ela não foi carimbada por nenhuma autoridade e não servia como registro oficial provisório.

O segundo voo também não partiu. Dessa vez, por um problema hidráulico.

Em dado momento, a cabine reunia toda a equipe da Air France e técnicos russos, que discutiam o problema. O processo de espera no avião e de realocação em hotéis demorou toda a madrugada e só foi finalizado no fim da manhã.

Os estrangeiros dormiam nos bancos de ferro do aeroporto com cobertores do avião. Outros bebiam cerveja ou café em grupos no restaurante. O aeroporto de Irkutsk pouco movimentado, precário para os parâmetros brasileiros, e possui duas lojas, um Subway e um restaurante.

Muitos solicitaram a retirada das malas para pegar roupas mais quentes, mas autoridades se negaram a abrir o avião.

A imprensa local acompanhou o caso, aguardando os ônibus de retorno aos hotéis com filmadoras e microfones para entrevistar os passageiros.

"Não houve pane e a Air France organizou tudo muito bem. O problema é que estamos sem informações", disse uma francesa. A reportagem apareceu na TV local editada com a música "No, je ne regrette rien" ("não, eu não me arrependo de nada", em tradução livre), da cantora francesa Edith Piaff.

O contato com a Air France foi feito por meio da recepção dos hotéis. A companhia francesa enviou emails aos passageiros com novas passagens.

Para trocar informações e não perder os horários, os viajantes criaram um grupo de WhatsApp chamado Les Naufragés AF 116 (Os Náufragos do AF 116).

A terceira aeronave da Air France saiu pontualmente de Irkutsk chegou em Xangai às 12h45. O departamento comercial da empresa entrou em contato com os clientes do voo e uma equipe da Air France os recebeu com pedidos de desculpas.

Em nota, disse que "lamenta esta situação excepcional", pede desculpas pelo inconveniente e pelo atraso e diz que "a segurança de seus clientes e tripulação é prioridade absoluta". Com informações da Folhapress.

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