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10 anos após terremoto, L'Aquila ainda aguarda reconstrução

Cidade do centro da Itália foi devastada por sismo em 2009

10 anos após terremoto, L'Aquila ainda aguarda reconstrução
Notícias ao Minuto Brasil

15:37 - 05/04/19 por ANSA

Mundo Itália

Após 10 anos do terremoto que devastou L'Aquila, capital da região de Abruzzo, no centro da Itália, a cidade e os municípios dos arredores ainda precisam de mais de 7 bilhões de euros para completar sua reconstrução.

A estimativa é do Gabinete Especial para a Reconstrução de L'Aquila (Usra), que entrou com um pedido para o governo italiano reduzir a burocracia e permitir o uso imediato de recursos com prazo de validade fixado em 2020.

O terremoto de magnitude 6.3 na Escala Richter ocorreu na madrugada de 6 de abril de 2009 e deixou 309 mortos, 1,6 mil feridos, milhares de desabrigados e uma cicatriz no centro da Itália, que em agosto de 2016 seria devastado por um novo sismo, desta vez em Amatrice.

Segundo a Usra, a reconstrução de residências privadas caminha mais rapidamente que a de edifícios públicos, que sofre com a demora na publicação dos editais de licitação. "Precisamos de um último esforço, porque a reconstrução privada alcançou bons níveis, aceitáveis, mas é preciso ir até o fim. Precisamos de novos recursos e procedimentos para gastar aqueles já disponíveis mais rapidamente", declarou o responsável pelo gabinete, Antonio Provenzano.

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O Usra e o Gabinete Especial para a Reconstrução das Cidades da Cratera (Usrc) estimam em 6 bilhões de euros o montante necessário para a reconstrução privada e em 1,3 bilhão a cifra que deve ser destinada para obras públicas.

Quase 9 mil famílias ainda vivem em habitações provisórias, sendo 4 mil em L'Aquila e 4,8 mil nas cidades dos arredores. "Não é simples fixar uma data para a reconstrução, existem fatores que não dependem de nós", disse Raffaello Fico, responsável pelo Usrc.

Reconstrução

Passada uma década do terremoto, L'Aquila dá sinais de renascimento, com igrejas e palácios completamente recuperados. As obras nas periferias já foram concluídas há tempos, e a reconstrução privada do centro histórico está em fase avançada.

A verdadeira sombra está na reconstrução pública, que praticamente não saiu do papel. Até hoje, nenhuma escola pública destruída pelo terremoto foi refeita, e apenas uma está com obras em curso.

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Os alunos desses colégios frequentam módulos provisórios criados em 2009 e que já deveriam estar desativados - muitas crianças sequer conhecem uma escola de verdade. "Os entulhos continuam aqui", lamenta Silvia Frezza, membro de uma comissão criada para cobrar a reconstrução dos colégios públicos.

O centro histórico de L'Aquila é o maior canteiro de obras da União Europeia, um labirinto de ruas de 177 hectares tomados por operários e betoneiras e pelo eco ensurdecedor das ferramentas. A região ainda está praticamente desabitada, e seu suspiro de vida é o movimento nas noites dos fins de semana.

Cerca de 80 atividades comerciais funcionam hoje no centro histórico, contra as 8 mil que existiam antes do terremoto. Os pioneiros que apostaram na recuperação do coração da cidade correm risco de falência e cobram a abertura de serviços, como bancos, estacionamentos e correios, para incentivar o afluxo de pessoas.

"A reconstrução estrutural está caminhando, mas há uma desatenção com a reconstrução imaterial. Como comerciantes, normalmente presentes onde há pessoas, somos uma anomalia, porque estamos esperando as pessoas. É preciso reverter a tendência dos últimos 10 anos que vê os aquilanos vivendo e fazendo compras fora", diz o fotógrafo Roberto Grillo.

"Fomos os primeiros a reabrir, em 8 de julho de 2010. Muitos diziam que estávamos malucos. Hoje é difícil sobreviver, porque há pouquíssima gente", reforça o dono de um açougue. "Acreditamos no centro histórico, mas ele ainda está desabitado, por isso pedimos estacionamentos e eventos durante o dia", acrescenta Elisa, dona de uma livraria infantil.

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O prefeito Pierluigi Biondi rebate quem fala em "cidade parada" e diz que L'Aquila é o "mais importante exemplo de regeneração urbana" depois da Segunda Guerra Mundial.

A tragédia

No início de 2009, L'Aquila enfrentava uma sequência sísmica que já somava mais de 200 terremotos. Em 30 de março, uma comissão se reuniu para discutir a situação, que já era alarmante e causava preocupação em toda a cidade.

"Eram dias de angústia, eu estava preocupado com a cidade", conta o prefeito da capital de Abruzzo na época, Massimo Cialente. "Na madrugada de 6 de abril, às 3h32, chegou o grande tremor. Abri a porta de casa, e o centro histórico era um cogumelo atômico de pó amarelo. Minha sogra diz que eu gritava repetidamente: 'L'Aquila acabou!'. Por volta de 4h, deixei minha família em uma área segura e a revi por 20 minutos, dois dias depois", acrescenta.

Naquela madrugada, Cialente circulou com a Proteção Civil para determinar as áreas que receberiam as tendas para desabrigados - 75 mil pessoas somente em L'Aquila. "Lembro que andava pelo centro. Uma vez, na escuridão total, enquanto estava sozinho, com a luz de uma tocha vi, através de uma vitrine, manequins caídos uns sobre os outros. Pareciam corpos sob os escombros, e senti angústia e medo. Havia apenas alguns gatos circulando, e meu coração se animava quando eu via os militares que protegiam o centro", diz. (ANSA)

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