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Ministério Público acusa Air France em desastre do voo Rio de Janeiro

O voo Rio de Janeiro-Paris da Air France caiu em 2009 matando 228 pessoas

Ministério Público acusa Air France em desastre do voo Rio de Janeiro
Notícias ao Minuto Brasil

11:30 - 17/07/19 por Notícias Ao Minuto

Mundo Justiça

A justiça francesa acusou a companhia aérea Air France de negligência, após investigação ao acidente aéreo do voo Rio de Janeiro-Paris, que causou 228 mortos em 2009, confirmou hoje a AFP. O Ministério Público francês considerou que a companhia aérea Air France "foi negligente e imprudente" ao não informar devidamente os seus pilotos sobre os procedimentos a adotar em caso de anomalias nas sondas que permitem controlar a velocidade do aparelho.

Vários acidentes do mesmo gênero tinham ocorrido no mês anterior ao acidente com aquele voo, segundo a acusação datada de 12 julho, e à qual a AFP teve acesso.

O queda do avião do voo Rio-Paris da Air France em junho de 2009 aconteceu por "uma reação inadequada da tripulação após a perda momentânea das indicações de velocidade", revelava um relatório de especialistas divulgado em 2014.

Nos termos do documento citado pela AFP, ordenado no âmbito da investigação judicial e elaborado por uma segunda equipe de especialistas, as simulações e as peritagens "provaram claramente a predominância dos fatores humanos nas causas do acidente e nos fatores que contribuíram" para o acidente.

"Também determinamos que o acidente poderia ter sido evitado através de algumas ações apropriadas da tripulação", referiram os cinco especialistas nas suas conclusões.

A queda do Airbus A330 da Air France, que caiu em 1 de junho de 2009 no Oceano Atlântico, próximo ao Brasil, custou a vida aos 228 passageiros e tripulantes.

Esta segunda investigação de especialistas, com data de 30 de abril, tinha sido ordenada em 2013 pelas juízas Sylvia Zimmermann e Sabine Kheris, após uma primeira peritagem apresentada em julho de 2012 às famílias das vítimas.

As conclusões do relatório de peritagem judicial especificavam uma conjugação de fatores: erros humanos, falhas técnicas, procedimentos inadequados e condições meteorológicas adversas.

No âmbito deste inquérito, a Air France e a Airbus estavam sendo investigadas desde 2011 por homicídios involuntários.

"Foi determinado pelo nosso coletivo de especialistas que o acidente aconteceu por perda de controlo do avião na sequência de uma reação inadequada da tripulação após a perda momentânea das indicações de velocidade", escreveram os autores da contra-peritagem, enumerando uma lista de 14 fatores contributivos, por ordem de importância.

Eles citavam, desde logo, a responsabilidade da tripulação, referindo "a ausência de análise estruturada da avaria presente", "a não compreensão da situação" e "a repartição das tarefas no cockpit que não foi feita de forma rigorosa".

Também colocaram a culpa na companhia aérea francesa, lamentando a "ausência de diretivas claras da parte da Air France, apesar de vários casos análogos na sequência de geada nos sensores de velocidade Pitot e, portanto, de um 'feedback' insuficiente dessa experiência".

Apontavam ainda "a insuficiência da formação dos pilotos na aplicação dos procedimentos de voo com Indicações de Velocidade Questionáveis", exigida quando os sensores de velocidade congelam, e no comportamento do avião quando da perda da indicação de velocidade.

Um dos advogados das vítimas, citado pela AFP, Yassine Bouzrou, considerou, na altura o relatório "cheio de contradições e imprecisões".

"Os especialistas limitam-se a culpar os pilotos enquanto iludem a questão central das falhas técnicas", argumentou.

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