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Para se consolidar em SP, Tatto atrai Haddad e quer Lula na campanha

O movimento ocorre após Lula ter sido novamente pressionado a convencer Haddad de que ele deveria ser novamente o candidato do PT

Para se consolidar em SP, Tatto atrai Haddad e quer Lula na campanha
Notícias ao Minuto Brasil

11:50 - 02/08/20 por Folhapress

Política PT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em reação à resistência dentro do próprio partido, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, buscou consolidar sua equipe, trazendo nomes de peso como o ex-prefeito Fernando Haddad e sua mulher, Ana Estela Haddad.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi procurado para gravar mensagem de apoio a Tatto, que intensificou as reuniões com a militância e quer nacionalizar o pleito municipal para polarizar contra o presidente Jair Bolsonaro, além do prefeito Bruno Covas (PSDB).

O movimento ocorre após Lula ter sido novamente pressionado a convencer Haddad de que ele deveria ser novamente o candidato do PT, como mostrou o jornal Folha de S.Paulo. O ex-prefeito não cedeu.

No partido, teme-se que a candidatura de Tatto afunde, sobretudo diante do bom desempenho da chapa Guilherme Boulos e Luiza Erundina, do PSOL, nas pesquisas.

Em reunião nesta semana, com a participação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e de Haddad, o desenho da coordenação da campanha foi definido, embora novos nomes ainda devam entrar. O ex-prefeito e a mulher serão consultores do plano de governo e ajudarão na interlocução com acadêmicos.Haddad, que teve Tatto como secretário de Transportes, também está escalado para participar de vídeos, comícios e atividades de rua ""se a pandemia permitir.

Ana Estela chega a ser cotada como possível vice na chapa. Recentemente, ela organizou um manifesto de professores universitários a favor de Tatto e também o exaltou em publicação em rede social.

Tatto já manifestou preferência por ter uma mulher como candidata à vice. Uma mulher negra ligada a movimentos sociais é outra opção.

O nome de Marta Suplicy (Solidariedade) também é aventado, mas a ex-prefeita conversa com outros candidatos visando o posto e pode ainda lançar candidatura própria. Nessa hipótese, o PT enxerga um revés maior do que a candidatura de Boulos.

Já a presença de Lula é esperada pela equipe de Tatto para um momento posterior, como o de convenção e da própria campanha, em setembro.

A aparição do ex-presidente deve ser orientada por pesquisas qualitativas e depende da vontade do próprio, que tem se mantido publicamente afastado das eleições durante a pandemia.

Aliados de Tatto minimizaram o fato de Lula não ter participado da live de lançamento de sua plataforma virtual no dia 24. Segundo eles, o ex-presidente tem trabalhado por Tatto, aparando arestas dentro do partido e participando de conversas de campanha.

Nos bastidores, porém, a ausência foi sentida. O entendimento é que, enquanto o ex-presidente não se posicionar publicamente a favor de Tatto, a pressão por Haddad vai permanecer no ar, e é Boulos quem se beneficia.

Um dos esforços da pré-campanha é trazer de volta atores e eleitores tradicionalmente petistas que se bandearam para a pré-campanha do PSOL, sobretudo porque Boulos é próximo do ex-presidente e também representa o eleitor lulista.

Por isso a live da semana passada, com quase mil petistas na sala virtual, foi considerada um ponto de virada da pré-campanha de Tatto, assim como o manifesto de acadêmicos e apoios vindos de parlamentares e sindicalistas que ampliaram a união em torno do ex-secretário no partido. Mas o fôlego depende do desempenho nas próximas pesquisas.

"A pré-campanha deslanchou. A militância reagiu e está com muita gana pra ganhar a eleição. O PT está unido para vencer na cidade de São Paulo", diz Tatto.

A coordenação da campanha está a cargo do presidente municipal do PT, Laércio Ribeiro. Também integram o núcleo duro os deputados estaduais José Américo e Jorge do Carmo e o deputado federal Alexandre Padilha, que disputou as prévias contra Tatto. Os líderes do partido na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa ainda serão convidados.

"Fizemos até a semana retrasada 90 reuniões com núcleos temáticos para o programa de governo. E Tatto já fez mais de 120 reuniões com a base do PT. Ou seja, nós já falamos com mais de 7.000 pessoas, entre filiados e simpatizantes", afirma Ribeiro.

Em outra frente, Tatto buscou ao longo da semana se posicionar contra medidas da gestão Covas, como a volta às aulas em setembro. Para o petista, as aulas presenciais deveriam retornar só no ano que vem.

Pela primeira vez numa eleição em São Paulo desde 1988, o PT não ocupa um dos polos de protagonismo, o que abre caminho para segundo turno. Boulos, Marta e Márcio França (PSB) agora dividem o campo com Tatto, considerado pouco viável eleitoralmente.

Por isso o PT aposta na nacionalização e, até agora, vê o cenário eleitoral indefinido, com um candidato ainda a ser adotado pelo bolsonarismo. Para Padilha, a nacionalização se dará em torno da pandemia e de seu impacto na vida e na renda. "Quando o PT ganhou em São Paulo, estava unido e a disputa foi nacionalizada", diz.

"São Paulo não é uma ilha. Está sofrendo as consequências da política de Bolsonaro, de desemprego e falta de cuidado na saúde. São Paulo vai ser a cidade da resistência", completa Tatto.

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