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Ex-diretor do MEC afirma que Allan dos Santos tinha interesse em contratos de publicidade

Ricardo Wagner Roquetti disse ter recebido uma ligação do blogueiro em janeiro de 2019

Ex-diretor do MEC afirma que Allan dos Santos tinha interesse em contratos de publicidade
Notícias ao Minuto Brasil

21:30 - 07/12/21 por Folhapress

Política Polícia Federal

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ricardo Wagner Roquetti, ex-diretor do Ministério da Educação, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o blogueiro Allan dos Santos demonstrou interesse nos contratos de publicidade da pasta no primeiro mês da gestão Jair Bolsonaro.​

O coronel da reserva da Aeronáutica disse ter recebido uma ligação do blogueiro em janeiro de 2019. Segundo ele afirmou à PF, Allan disse que estava nos Estados Unidos ao lado do escritor Olavo de Carvalho e que queria conversar sobre os contratos do setor.

Roquetti disse ter considerado a conversa "estranha e sugeriu uma reunião formal no MEC". Duas semanas depois o encontro ocorreu no ministério, segundo ele.

"Na reunião, Allan dos Santos sugeriu que os contratos do MEC que, na visão dele, estariam com [a] 'esquerda', fossem redirecionados a pessoas 'de direita'. Allan dos Santos deixou explícito que estaria atuando por orientação de Olavo de Carvalho", disse o ex-diretor do MEC à PF no inquérito sobre as milícias digitais.

Ele afirmou à PF que o blogueiro "abordou um interesse específico nos contratos da comunicação social do MEC".

Roquetti afirma ter esclarecido Allan sobre o processo de participação em contratos e que deveria respeitar os processos de governança e transparência.

O ex-diretor do MEC diz também que o blogueiro lhe procurou para avaliar um projeto do Instituto Hugo de São Vítor, do Rio Grande do Sul, no ensino de artes liberais para jovens de baixa renda. Ele disse que o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) fez uma visita ao local, mas que o projeto não evoluiu no período em que ele estava no cargo.

O coronel disse ter conhecido Allan em dezembro de 2018, na época da transição de governo, num jantar organizado pela deputada Bia Kicis (PSL-DF).

Segundo Roquetti, sua exoneração ocorreu em março de 2019 após pedido do presidente Jair Bolsonaro. A demissão ocorreu após ataques de Olavo de Carvalho a militares que integravam o governo na ocasião.

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