Temer ficou com R$ 1 milhão que ia para campanha, diz delator

Ex-diretor de Relações Institucionais da JBS classificou suposto ato do presidente como "deselegância"

© Reuters
Política depoimento 22:47 - 19/05/17 POR Folhapress

O ex-diretor de Relações Institucionais da JBS Ricardo Saud disse em depoimento de delação premiada que o presidente Michel Temer ficou com R$ 1 milhão de um total de R$ 15 milhões que teriam sido destinados pela empresa, a pedido do PT, para a campanha de 2014 do peemedebista, então candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff.

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"Tem uma passagem interessante. O Michel Temer fez uma coisa até muito deselegante. Nessa eleição só vi dois caras roubarem deles mesmos. Um foi o Kassab, e o outro foi o Temer", disse Saud, referindo-se também a Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Saud contou detalhadamente como teria ocorrido o suposto desvio de destinação para benefício pessoal de Temer em 2014.

O delator afirmou que durante a campanha teve uma conversa sobre repasses de recursos no escritório político de Temer, situado na praça Panamericana, na zona oeste de São Paulo.

Ao final do encontro, na porta do escritório, já na calçada, o então candidato a vice teria feito um pedido inusual. "O Temer me deu um papelzinho e falou: olha Ricardo, tem um milhão que eu quero que você entregue em dinheiro nesse endereço aqui", afirmou Saud aos procuradores da República.

No local indicado no papel, na rua Juatuba, na Vila Madalena, fica a empresa de engenharia e arquitetura Argeplan, que tem como sócio o coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, que é amigo de Temer e já foi assessor dele.

O colaborador disse que desconhecia o endereço à época e chegou a pensar que o destinatário da quantia seria o advogado José Yunes, aliado de Temer. Ante a dúvida, resolveu pedir para um emissário ir ao endereço antes de realizar a entrega do dinheiro.

O funcionário de Saud foi ao local e foi recebido por Lima, que teria tratado mal o emissário da JBS.

Posteriormente, o valor teria sido repassado na Argeplan, e Saud teria procurado Temer novamente. "Eu confirmei depois com o vice-presidente, e falei: "olha, o cara lá é grosso".

E Temer teria dito: "É o jeito dele mesmo, está tudo certo?".

Ante a resposta positiva de Saud, o então vice teria afirmado: "Então pronto, esquece isso".

Ao final de seu depoimento de colaboração premiada, o ex-diretor da JBS voltou a comentar sobre a conduta de Temer.

"Isso me chamou muito a atenção na campanha toda, porque eu já vi um cara pegar um dinheiro para a campanha e gastar na campanha. Agora, um cara ganhar um dinheiro do PT e guardar para ele, no bolso dele, isso é muito difícil. Só o Temer e o Kassab guardaram o dinheiro para gastar de outra forma", afirmou.

A sede da Argeplan e a casa do amigo de Temer foram alvos de medidas de busca e apreensão cumpridas pela Polícia Federal na quinta-feira (18), em diligências autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Com informações da Folhapress.

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