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Nomeações e verbas ajudaram Doria e França a consolidar candidaturas

Candidatos ao governo de São Paulo contam com estruturas no estado e na prefeitura da capital

Nomeações e verbas ajudaram Doria e França a consolidar candidaturas
Notícias ao Minuto Brasil

14:41 - 15/10/18 por Folhapress

Política Eleições 2018

Para chegar a um segundo turno inédito ao governo de São Paulo em mais de 15 anos, os candidatos movimentaram a todo vapor as máquinas administrativas de órgãos que funcionam com dinheiro público.

Fora da Prefeitura de São Paulo desde abril, João Doria (PSDB) conta com os prefeitos de quase metade dos municípios do estado que estão em partidos da sua coligação, inclusive da capital.

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Já Márcio França (PSB) tem a caneta do governo nas mãos há seis meses e já a usou para nomeações de aliados e distribuições de benesses ao funcionalismo público.

Junto a ele, está o terceiro lugar no primeiro turno, Paulo Skaf (MDB). Presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e no comando do Sesi, Senai e Sebrae no estado, Skaf teve as estruturas das entidades em seu favor.

Nos meses anteriores à eleição, houve uma dança de cadeiras de secretários na prefeitura e governo de São Paulo que envolvia o PRB e as candidaturas de Doria e França. À época, Bruno Covas (PSDB), que foi vice de Doria e assumiu a gestão com a renúncia, já tinha se tornado prefeito.

Em maio, quando o PRB sinalizava apoio a Doria, o secretário estadual de Esporte Paulo Gustavo Maiurino, filiado à legenda, foi substituído por Cacá Camargo (Pros). Atualmente, o Pros é parte da coligação de França.

Em julho, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que o PRB ganhou o comando da pasta na prefeitura com João Farias, ex-presidente da Câmara de Araraquara (SP), após a legenda se aliar a Doria. Farias assumiu no lugar do tucano Jorge Damião. O PRB é o partido de Celso Russomanno, adversário da chapa de Doria e Covas na eleição de 2016.

"A substituição do secretário de Esportes foi motivada pela saída do então titular. As movimentações na administração pública são atos de rotina. João Farias foi escolhido pela experiência acumulada em diversos cargos públicos", afirma a prefeitura.

Não é só a pasta de Esportes que foi negociada. Outros aliados que tiveram espaço na coligação de França também ganharam lugar no governo, como o PSC e o Podemos. O Solidariedade, que já comandava o Emprego e Trabalho, também cuida da Casa Civil.

A Educação foi para o ex-tucano João Cury, expulso do PSDB por trabalhar para França. Na campanha, ele ajudou na articulação com prefeitos do interior e promoveu

Além dos cargos, o governador fez promessas de aumentos e distribuição de gratificações. Em um decreto, encurtou o caminho para a transferência de recursos do estado a municípios por meio de convênios, saltando da Casa Civil direto para o Planejamento.

Em outro, autorizou o estado a transferir aos municípios 20% do valor de projetos orçados em mais de R$ 200 mil, exigindo apenas ordem de serviço, que antecede o início da obra. Com isso, os prefeitos não precisaram mais comprovar o início efetivo da obra para receber o dinheiro.

Até a véspera do limite da lei eleitoral para autorizar contratações e repasses a municípios, em 6 de julho, o pessebista tinha autorizado R$ 439 milhões a 398 prefeituras, mais de 60% das 645 cidades paulistas.

A maior parte desses recursos foi para contratos de recapeamento de asfalto nos municípios –Doria também acelerou o programa Asfalto Novo na prefeitura paulistana.

Em reunião com prefeitos, em maio, França também pediu que eles corressem. "É uma janela de oportunidade. Tem 60 dias. Quem conseguir ser rápido, vai conseguir fazer uma boa alavancada no seu município."

"Você pode inaugurar uma universidade pública, mas se estiver com a cidade cheia de buracos, acham que você é relaxado", acrescentou.

A gestão França argumentou que os decretos agilizaram o atendimento aos municípios e facilitaram o trabalho dos prefeitos.

Já a gestão do PSDB na prefeitura dobrou o gasto com publicidade este ano, focando em programas que são vitrine de João Doria. Na campanha, o ex-prefeito promete levar programas da capital para o resto do estado.

Como a Folha de S.Paulo revelou, um cabo eleitoral do prefeito na zona leste de São Paulo é dono de um jornal que recebe anúncio da prefeitura.

A gestão Bruno Covas diz, nos dois casos, que as publicidades e o pagamento não visavam beneficiar o ex-prefeito.

Skaf, que não está no segundo turno, é garoto propaganda das ações do Sesi e Senai, que usou durante toda a sua campanha eleitoral como modelo que desejava expandir para o estado, e voltou a citar os órgãos ao anunciar apoio a Márcio França no segundo turno.

Trocas de emails de funcionários apontavam um "calendário de inaugurações" das escolas do Sesi, que normalmente aconteciam com presença de Skaf e equipes que gravavam peças audiovisuais. Funcionários do Sesi e Senai pediram votos ao presidente da instituição, que participava de grupos de WhatsApp da campanha com eles.

As campanhas de França e Skaf afirmam que nenhum cargo da administração foi negociado com a aliança e que o apoio do emedebista não envolverá o engajamento do sistema S ou do MDB.

O MDB já não era tão próximo de Skaf, que agia de forma independente do partido. Parte da equipe de coordenação de campanha de Skaf, no entanto, negocia colaborar com França a partir de agora. Com informações da Folhapress.

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