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Sob suspeita, ministro do Turismo desvincula seu caso com o de Bebianno

Álvaro Antônio é pivô das denúncias sobre uso de laranjas em candidaturas do PSL

Sob suspeita, ministro do Turismo desvincula seu caso com o de Bebianno
Notícias ao Minuto Brasil

13:25 - 16/02/19 por Folhapress

Política laranjas

Diante do que pode ser a primeira queda do governo Jair Bolsonaro, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, diz não ver nenhuma relação entre a sua situação no governo e a possível demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

"Não vejo relação de uma coisa com a outra. A questão do Bebianno está sendo resolvida, quem decide é o presidente da República, e a minha questão é completamente separada. O presidente é quem vai decidir", afirmou ele durante visita a Brumadinho (MG), neste sábado (16).

+ Bebianno confirma que Bolsonaro sinalizou que irá exonerá-lo na segunda

Álvaro Antônio declarou ainda que participou de uma reunião com o presidente e o conselho de ministros na sexta (15) e que está "tudo tranquilo entre eles". Ele não entrou em detalhes sobre o que foi tratado.

O ministro do Turismo é o pivô das denúncias sobre uso de laranjas em candidaturas do PSL nas eleições de 2018. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo no dia 4 de fevereiro.

Por indicação de Álvaro Antônio, então presidente do PSL em Minas, o partido repassou R$ 279 mil a quatro candidatas, valor que representa a destinação mínima exigida pela Justiça Eleitoral a candidatura de mulheres (30%).

Na quarta-feira (13), a Procuradoria-Regional de Minas Gerais anunciou que vai investigar o caso. O pedido foi feito em um despacho do chefe do Ministério Público Eleitoral do estado, Angelo Giardini de Oliveira, que cita a reportagem da Folha de S.Paulo.

No documento, ele afirma que "os fatos narrados podem configurar, em tese, os crimes de apropriação indébita eleitoral, falsidade ideológica eleitoral (...) e ameaça". A pena prevista pode chegar a seis anos de reclusão.

A Promotoria de Minas Gerais também investiga o caso e irá ouvir as quatro candidatas apontadas de terem sido usadas no esquema. Juntas, as mulheres, que figuram entre os 20 candidatos do PSL que mais receberam dinheiro público, fizeram pouco mais de 2.000 votos. O desempenho seria um indicativo de candidatura de fachada.

O repasse do dinheiro foi formalizado pelo presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, atual ministro da Secretaria Geral da Presidência. Para interlocutores, Bebianno já vem dizendo que deve deixar o governo. Álvaro Antônio disse não saber se a saída do correligionário teria ligação com o PSL e que prefere aguardar a decisão de Bolsonaro na segunda-feira.

"Sobre as denúncias, eu estou muito tranquilo. Eu tenho convicção e certeza que o PSL em Minas Gerais agiu cem por cento dentro da legislação eleitoral na distribuição do fundo partidário feminino. Nisso aí, eu não tenho nenhum problema, estou muito tranquilo", disse Álvaro Antônio.

O ministro foi exonerado no dia 6 de fevereiro, em um ato assinado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. O ato, porém, teria sido apenas formalidade para que ele tomasse posse como deputado federal. Álvaro Antônio foi reeleito em 2018 com a maior votação do estado, com 230.008 votos.

A agenda em Brumadinho, incluindo reunião com o prefeito Avimar de Melo e com o Tenente Coronel da Defesa Civil Flávio Godinho, serviu para anunciar medidas da pasta para a região.

Brumadinho foi atingida pelo rompimento da barragem 1 do Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro, deixando pelo menos 166 mortos e 144 desaparecidos. Com informações da Folhapress.

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