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Coronavírus: fábricas de celulares dão férias coletivas no Brasil

As fábricas de celulares decidiram dar férias coletivas à espera de componentes da China

Coronavírus: fábricas de celulares dão férias coletivas no Brasil
Notícias ao Minuto Brasil

06:20 - 27/02/20 por Folhapress

Tech Surto

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A dificuldade em receber componentes importados da China levou à nova redução na produção de aparelhos celulares para a Motorola no interior de São Paulo. A unidade da LG em Taubaté também vai parar por dez dias a partir de segunda-feira (2).

O setor de eletroeletrônicos compra da China 42% de seus componentes -foram R$ 32,8 bilhões negociados em 2019. Outros 38,3% também vêm de países asiáticos.

A Flextronics, que produz para a Motorola na fábrica de Jaguariúna, também no interior de São Paulo, deu férias coletivas entre os dias 17 e 28 deste mês e já informou que renovará a pausa entre os dias 9 de 28 de março. 

Inicialmente, cerca de 80% dos 3,2 mil funcionários da linha de produção ficariam dez dias em casa e voltariam nesta quarta-feira (26), mas a empresa prorrogou o descanso por mais dois dias.

Agora, segundo o sindicato dos metalúrgicos de Jaguariúna, cerca de metade dos funcionários -os que ainda têm saldo de férias- ficarão 20 dias em casa para ajustar a produção.

O presidente do SindMetal de Jaguariúna, José Franscico Salvino, diz que a empresa comunicou a necessidade de reduzir temporariamente a atividade na fábrica pois não consegue receber um componente necessário à montagem dos aparelhos.

A Flextronics não informa qual é a produção diária na unidade, devido ao sigilo previsto em contrato. 

A Motorola diz que a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) é quem está falando pelo setor.

Na fábrica da Samsung em Campinas houve uma pausa entre os dias 12 e 14 deste mês. Sidalino Orsi Jr, presidente do sindicato da região, diz que dois dos três dias serão compensados pelos trabalhadores, mas que a empresa não informou nenhuma outra alteração na linha de produção.

Segundo a Abinee, 57% das empresas associadas estão com problemas no recebimento de materiais importados da China. Sondagem divulgada pela empresa na sexta (21) aponta a fabricação de celulares e computadores como os segmentos mais afetados pela redução na produção chinesa.

Duas semanas antes, o percentual de empresas que relatavam dificuldades era cinco pontos menor. Para o presidente da associação, Humberto Barbato, o avanço indica o agravamento da situação das indústrias que dependem de componentes externos.

A associação não detalha quais as empresas afetadas ou o quanto o setor deixou de produzir até agora, mas diz que 4% estão com paralisações parciais e outras 15% programam reduções nas linhas.

Apesar do impacto, a Abinee diz que ainda não há risco de faltar produtos como celulares e computadores no mercado brasileiro, ao menos por enquanto.

A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Eletroeletrônicos) informou em nota que a instabilidade provocada pela epidemia poderá afetar os estoques, mas que isso ainda não aconteceu. A entidade representa 33 empresas que produzem eletrodomésticos da linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar) e eletroportáteis, como secadores de cabelo e ventiladores -essa produção segue em ritmo normal.

Segundo a associação, insumos que chegam ao país por via aérea estão perto de volumes críticos. A Eletros diz que ainda não é possível afirmar quanto tempo os estoques durariam, pois as condições, de uma empresa para outra, são diferentes. O estoque de produtos que chega ao país por via marítima deve durar 70 dias.

No setor automobilístico, entidades do setor informam que, embora preocupante, as empresas trabalham com um grande estoque de componentes importados. O volume armazenado tem sido monitorado diariamente. Ainda não existem relatos de paralisação das fábricas.

Nesta quarta (26), a Moody's divulgou relatório ampliando a estimativa de queda nas vendas mundiais de automóveis. Inicialmente, projetada em 0,9%, agora está estimada em 2,5% em 2020. Na China, a queda nas venda deve ser de 2,9% –em estimativa anterior, a Moody's previa um crescimento de 1% nesse mercado.

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