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Startup de São Carlos usa sistema da Nasa para análise do solo

A startup do interior paulista vai colocar no mercado um sistema de análise rápida de solos

Startup de São Carlos usa sistema da Nasa para análise do solo
Notícias ao Minuto Brasil

05:00 - 07/07/19 por Folhapress

Tech Negócios

SÃO CARLOS, SP (FOLHAPRESS) - Uma startup gestada em centros de pesquisa do interior paulista está prestes a colocar no mercado um sistema de análise rápida de solos que se vale da mesma tecnologia usada pela Nasa para avaliar os ambientes de Marte.

A promessa do robô Aglibs é substituir análises químicas convencionais, que demoram até 15 dias para serem concluídas, por processo óptico que pode ser feito em minutos.

A Agrorobótica, empresa ligada à Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), vai oferecer a tecnologia a cooperativas e associações agrícolas como ferramenta de agricultura de precisão.

"Hoje, cada um dos procedimentos necessários para uma análise detalhada de solo envolve uma reação química diferente, realizada por laboratórios que, em geral, só estão presentes em capitais e grandes centros e precisam de três andares de espaço", explica a física Aida Bebeachibuli, da Agrorobótica. "A gente consegue resolver o mesmo problema com um sistema que cabe numa mesa de 2 m de lado e pode ser instalado numa fazenda de um local distante com um mínimo de infraestrutura."

Para alcançar esse resultado, hoje em fase de validação comercial, a máquina emprega a tecnologia conhecida como Libs (daí, em parte, o nome do aparelho). Trata-se da sigla inglesa de espectroscopia por decomposição induzida por laser.

Nesse processo, um pulso de laser lançado sobre a amostra de solo esquenta o material de tal forma que ele vira plasma, o chamado quarto estado da matéria, formado por uma nuvem de partículas eletricamente carregadas.

A amostra, então, passa a emitir luz, a qual, analisada por um detector, permite saber com precisão quais elementos químicos estão presentes nela. É a mesma tecnologia de análise de solos embarcada no jipe robótico Curiosity, que a Nasa tem usado para explorar o território marciano desde 2012.

A física Débora Milori, da Embrapa, conta que se inspirou no Curiosity para projetar a sua versão do aparelho –a intenção original era que, tal como sua contraparte no planeta vermelho, o robô se locomovesse pelo terreno das fazendas.

Antes de chegar a esse objetivo, os pesquisadores avaliaram que já seria possível criar uma versão comercial do aparelho, que está sendo desenvolvida numa parceria entre a Agrorobótica e a USP de São Carlos, por meio da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial).

A ideia é que as coletas de solo sejam feitas no campo, usando um sistema de informações georreferenciadas, de modo que o produtor tenha uma noção clara da variabilidade de terreno na sua propriedade.

As amostras são analisadas pelo aparelho e, por fim, os dados são armazenados e avaliados computacionalmente pela empresa, que construirá mapas da disponibilidade de nutrientes no solo –matéria orgânica, cálcio, magnésio e potássio– bem como parâmetros como textura e acidez.

"É um desafio, porque o solo brasileiro, sendo uma área tropical, tem muita atividade biológica, o que influencia a heterogeneidade dos parâmetros que a gente mede. Numa mesma fazenda, você tem uma variação enorme de tipos de solo em diferentes lugares e profundidades", diz Aida. "Então é preciso desenvolver modelos e bancos de dados para levar tudo isso em conta. Não é só o equipamento, é a solução tecnológica que faz a diferença."

Além da expectativa de facilitar o acesso dos produtores a esse tipo de técnica, a máquina também poderia facilitar a certificação da propriedade por parâmetros de sustentabilidade, analisando a capacidade do solo de reter carbono e evitar sua emissão na forma de gases-estufa.

O uso do Aglibs no lugar dos métodos químicos convencionais também diminuiria o desperdício de fertilizantes industriais e seus impactos sobre o ambiente, argumentam os idealizadores do aparelho.

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