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Técnica diz que foi orientada para aplicar vacinas que iriam vencer

Uma técnica de enfermagem aplicou vacinas de adultos em crianças na cidade de Lucena

Técnica diz que foi orientada para aplicar vacinas que iriam vencer
Notícias ao Minuto Brasil

20:12 - 17/01/22 por Notícias ao Minuto Brasil

Brasil Paraíba

A técnica de enfermagem, apontada como responsável pela aplicação de vacinas contra a covid-19 para adultos em mais de 40 crianças, em Lucena, na Paraíba, disse em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) que foi orientada a vacinar todas as pessoas que se apresentassem, “pois a validade das vacinas da Pfizer estavam para vencer". No depoimento, a profissional, que foi afastada da função após o caso, e disse ter recebido ordem do setor de Imunização da Secretaria de Saúde do município.

Após o caso, o MPF abriu um procedimento para apurar responsabilidades pela aplicação indevida da vacina em crianças. A técnica, que não teve o nome relevado, prestou depoimento, por meio de videoconferência, na tarde de ontem (16), para procuradora federal Janaína Andrade de Sousa e promotora federal Fabiana Maria Lobo da Silva.

A profissional de Saúde disse que foi contratada pela prefeitura, no final de novembro do ano passado, para “auxiliar médicos e ser vacinadora de crianças, adolescentes, adultos e gestantes”  na aplicação de todas as vacinas de rotina, mas que, depois, em dezembro, passou a aplicar também vacinas contra a covid-19.

De acordo com o depoimento, as aplicações indevidas da vacina em crianças ocorreram nos dias 29 de dezembro de 2021 e 07 e 11 de janeiro. A técnica de enfermagem disse que a vacinação ocorreu em dois locais: um na Unidade Básica de Saúde (UBS-5), localizada na Estiva do Geraldo, o outro, foi em um assentamento chamado Outeiro de Miranda, na zona rural da cidade, gerenciado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ela disse que muitas pessoas apareceram para se vacinar e informou que o volume do imunizante aplicado foi o mesmo para adultos e crianças.

A profissional disse que estava sozinha na vacinação “sem coordenadora, enfermeira, médica ou dentista, acompanhada somente de um Agente Comunitária de Saúde (ACS). Acrescentou que a ordem para vacinar foi do motorista “todos que estivessem para se vacinar”, pois a validade das vacinas da Pfizer estavam para vencer.

A técnica disse que não sabe quantas vacinas aplicou e que não sabia que havia imunizantes já vencidos e que não recebeu da Secretaria de Saúde informações sobre as diferenças nos volumes para adultos e crianças.

A vacina contra covid-19 autorizada para as crianças apresenta diferenças na dosagem, composição e concentração do principal componente, o RNA mensageiro, com a dosagem representando o equivalente a um terço da vacina aplicada em adolescentes, a partir dos 12 anos e em adultos.

Aos representantes do MPF, ela disse ter feito curso de vacinação geral, mas que não recebeu nenhum treinamento específico para vacinação contra covid-19, havendo apenas um treinamento online do qual ela não participou devido estar acompanhando a mãe no hospital.

A profissional informou que, durante a vacinação no assentamento, uma ACS foi quem preencheu os dados dos cartões de vacinação, tendo ela apenas assinado e aplicado a vacina. Ainda de acordo com a técnica, a ACS levou a filha de cinco ano para vacinar.

A ACS também prestou depoimento ao MPF e afirmou que preencheu os cartões, devido à técnica de enfermagem estar sozinha. Ela disse que anotava as datas de nascimento das crianças, mas que não sabe informar se alguma criança menor de cinco anos recebeu o imunizante.

A agente também informou às representantes do MPF não saber que a vacinação de crianças entre cinco e 11 anos ainda não estava liberada e que só soube da indevida aplicação do imunizante após ter visto um vídeo de uma das mães, relatando a situação dos filhos.

A mãe também falou com o MPF e disse ter levado os dois filhos, um de cinco anos e outro de sete anos para vacinar, após ter recebido comunicação da ACS via grupo de WhatsApp. Depois de ter sido vacinada, a criança mais velha apresentou reações adversas como tontura, fraqueza, por dois dias. No depoimento, a mãe disse não ter levado a criança para a UBS, por que "perdeu a confiança, após o ocorrido".

A reportagem tentou falar com a prefeitura do município, mas não obteve resposta.

Com informações da Agência Brasil

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