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Famílias de espanhóis deportados para campos nazis apresentam queixa

Um processo judicial foi aberto na argentina pela juíza Maria Servini, que visitará a Espanha em março

Famílias de espanhóis deportados para campos nazis apresentam queixa
Notícias ao Minuto Brasil

17:00 - 08/02/20 por Notícias Ao Minuto

Mundo ARMH

Familiares e representantes da Associação para a Recuperação da Memória Histórica (ARMH) apresentaram hoje no Consulado da Argentina em Vigo (Galiza, Espanha) uma queixa formal contra a deportação de 10 cidadãos espanhóis para campos de concentração nazis.

Um processo judicial foi aberto na argentina pela juíza Maria Servini, que visitará a Espanha em março, para se inteirar dos crimes ligados à Guerra Civil e ao regime do ditador Franco por suspeita de deportação de detidos espanhóis para campos de extermínio nazi.

A coordenador da ARMH na Galiza, Carmen García Rodeja, considerou "muito importante que um organismo oficial recolha os testemunhos" e oiça as pessoas sobre o que aconteceu, porque "ninguém as havia escutado até agora".

As denúncias prendem-se com os casos de José Seijas Insúa, da localidade de Carral, José Alvedro Villaverde, da Corunha, Manuel Rodríguez Louro, de Dumbría, e Martín Ferreiro Álvarez, de Cerdedo, todos eles falecidos em Gusen, em 1941, bem como de Antonio Suárez Blanco, de Malpica de Bergantiños, e Adolfo Bregua, de Vioño, que conseguiram sobreviver.

Outros casos em análise são os de Victorino Díaz Hortas e Rafael Pardo Vales, ambos mortos em Mauthausen, assim como o de José Sánchez Pardo, cujo rasto se perdeu após ter entrado neste campo de concentração nazi. Estes três homens eram da província espanhola de Lugo.

Em janeiro último, foram apresentadas outras cinco queixas relacionadas com deportados de Pontevedra e em 06 de abril aguarda-se a entrega da participação das vítimas da província de Ourense.

Segundo Carmen Garcia Rodeja, a investigação realizada pelos historiadores Benito Bermejo e Carlos Hernández, especialistas em deportações, todos aqueles espanhóis detidos foram enviados para campos de refugiados franceses durante a guerra civil espanhola, antes de terminarem como prisioneiros do Terceiro Reich, com a necessária cumplicidade da ditadura franquista.

"Quando a Alemanha pergunta a Espanha o que fazer com eles, não uma, mas várias vezes, nada foi dito ou se deu entender que o caso fosse arquivado", comentou Carmen Garcia Rodeja.

As deportações, adiantou, sucederam-se "casualmente" um dia depois da visita à Alemanha do advogado Ramón Serrano Suñer, cunhado do ditador Francisco Franco e que exerceu o cargo de ministro dos Assuntos Exteriores.

Tudo isto está profusamente documentado nas denúncias agora apresentadas, em que se constata que o Governo espanhol à época não interveio para libertar muitos prisioneiros espanhóis.

Segundo José Luis Alamán Ferreiro, neto de Martín Ferreiro, há "quem tenham medo da memória histórica" e assinalou que os que têm medo são aqueles que "têm algo a ocultar", observando que a memória é importante para definir o futuro.

Tanto para os familiares das vítimas como para o conjunto da sociedade, é "muito importante conhecer a história, para evitar que esta se repita", enfatizou.

Em Vigo, esteve também presente Encarna Díaz, em representação do seu pai, Aurelio Díaz, que sobreviveu a quatro anos e meio de internamento no campo de Mauthausen. Porém, o seu tio acabou na câmara de gás de Gusen.

Encarna Díaz agradeceu a possibilidade aberta pela justiça argentina ainda que considere que devia ter sido a Espanha a abrir esta investigação ligada à história e ao regime nazi.

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