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Bolsonaro critica TSE por julgamento de cassação de chapa

A chapa do presidente está sendo julgada por denúncias de participação em esquema de disparo em massa de fake news nas eleições de 2018

Bolsonaro critica TSE por julgamento de cassação de chapa
Notícias ao Minuto Brasil

07:17 - 28/10/21 por Folhapress

Política TSE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro criticou, nesta quarta-feira (27), o julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) das ações que pedem a cassação do mandatário e do vice Hamilton Mourão por participação em esquema de disparo em massa de fake news nas eleições de 2018.

Para Bolsonaro, o tribunal nem sequer deveria ter pautado o julgamento.

"Olha os problemas que eu enfrento, olha o julgamento no TSE de ontem. A que ponto chegou o TSE? Tem certas coisas que nem tem que colocar em pauta, tem que arquivar. Estão atrás de mim ainda achando que eu cometi fake news durante a campanha, queriam cassar a chapa", disse Bolsonaro, em entrevista à emissora Jovem Pan News.

"Que fake news contra o PT? Fake news contra o PT é dizer que é um partido de gente honesta, aí seria fake news. Que eles são contra o aborto, aí seria fake news; que eles defendem a família tradicional, daí seria fake news; que eles não são corruptos, aí seria fake news."

O TSE tem três votos contra a cassação de Bolsonaro e de Mourão.

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Luís Felipe Salomão, e o ministro Mauro Campbell fizeram duras críticas ao chefe do Executivo, mas afirmaram que não foi comprovada gravidade suficiente que justifique a cassação da chapa. O ministro Sérgio Banhos também se posicionou contra a ação.

O julgamento foi interrompido devido ao horário e será retomado na próxima quinta-feira (28). A corte é composta por sete integrantes. Caso haja mais um voto nessa linha, a ação será rejeitada.

As duas ações em julgamento são de autoria do PT e foram apresentadas após o jornal Folha de S.Paulo publicar reportagem que revelou que empresas compraram pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT via WhatsApp. Os contratos chegavam a R$ 12 milhões.

O TSE, assim como o STF (Supremo Tribunal Federal), foi alvo de seguidos ataques de Bolsonaro nas semanas anteriores aos atos de raiz golpista do 7 de Setembro. O presidente acusou, sem provas, fraude nas urnas eletrônicas e chegou a fazer ameaças às eleições de 2022.

Depois do feriado da Independência, porém, em meio à crise institucional, Bolsonaro divulgou uma nota na qual recuou, afirmou que não teve "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes" e atribuiu palavras "contudentes" anteriores ao "calor do momento". Desde então, tem evitado ataques ao Judiciário.

Durante a entrevista desta quarta, Bolsonaro disse que "atendeu" a vontade do Congresso ao sancionar, sem vetos, o projeto que abranda a Lei de Improbidade Administrativa. A proposta avalizada por Bolsonaro exige que se comprove a intenção de lesar a administração pública para que se configure crime. Também estabelece que apenas o Ministério Público poderá entrar com uma ação por improbidade administrativa.

"Eu atendi integralmente os deputados e senadores. Essas questões aí que vêm do Parlamento, quando trata disso e de lei eleitoral, qualquer voto nosso é derrubado lá [no Congresso]", declarou Bolsonaro.

"Tudo é improbidade administrativa, tudo! Tem coitado de prefeito aí que não tem muita cultura -ou é de uma cidade muito pequena, ou outra cidade qualquer- [que] quando deixa o mandato de prefeito o outro que assume entulha o anterior. Tudo, não tem o que escrever, escreve lá improbidade administrativa", disse.

"Agora, que tem defeitos a lei tem. Nada é perfeito, se corrija".

O presidente comentou ainda o relatório da CPI da Covid, aprovado na terça (26). O documento final da comissão atribui crimes ao governo federal e pede a responsabilização de vários agentes, sobretudo do próprio Bolsonaro.

"Quem tem um pouco de juízo sabe que foi uma palhaçada aquilo lá. Foi a CPI do Renan [Calheiros, relator do colegiado]", disse Bolsonaro na entrevista.

Ele voltou a se queixar que a investigação da CPI impacta na imagem internacional do país.

"Para fora do Brasil a imagem é péssima. Acham que [as pessoas] estão vivendo aqui uma ditadura, acham que eu estou prendendo jornalista, cerceando a liberdade de expressão; [acham] que eu matei gente na Covid. Isso influencia, gente que quer investir no Brasil não investe. Gente que quer fazer turismo no Brasil não faz. Prejudica a todos nós", afirmou.

A entrevista foi interrompida durante alguns minutos devido a um intervalo comercial. Bolsonaro manteve a transmissão aberta nas suas redes sociais durante esse período, momento em que conversou com auxiliares que o acompanhavam em Manaus.

Em determinado momento, enquanto comentava a cobrança de pedágios para motociclistas, Bolsonaro questionou os presentes: "quanto acha que vale a vaga para o Supremo?"

"Pedágio de moto no Paraná: R$ 9. Agora o que eu apanho por causa disso. Para mim é fácil, [gesticula como se estivesse falando no telefone] 'manda um sapato número 43 pra mim, meu número aqui'. Resolveu o problema, chega um sapato número 43 cheio de notinha de R$ 100 verdinha dentro", disse.

"Quanto você acha que vale a vaga -presta atenção pessoal!-quanto acha que vale a vaga para o Supremo...?"

Ele não concluiu a frase e apontou para a câmera.

"Então é isso daí, é o Brasil. A gente apanha pra cacete, o tempo todo".

ENTENDA AS AÇÕES

Aije 1771-28

Foi apresentada pela coligação O Povo Feliz de Novo (PT, PC do B e Pros) e questiona a contratação, por pessoas jurídicas, entre elas, a Havan, das empresas Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMSMarket, responsáveis pelo disparo em massa, via WhatsApp, de mensagens contra PT e coligação O Povo Feliz de Novo.

A ação aponta ainda a existência de uma "estrutura piramidal de comunicação" para disseminar desinformação via grupos originários da campanha dos representados ou grupos derivados de WhatsApp. A Aije, em fase de alegações finais, teve reaberta a fase de instrução em 10 de outubro de 2019.Aije 1968-80

Foi ajuizada pela coligação O Povo Feliz de Novo e apresenta como fato a ser investigado a contratação da Yacows, Kiplix e AM4 Informática para a prestação de serviço de disparos em massa de mensagens de cunho eleitoral, pelo WhatsApp.

A coligação aponta uso fraudulento de nome e CPF de idosos para registrar chips de celular e garantir disparos em massa. Ainda segundo a ação, o suposto uso de robôs deve ser investigado. A Aije ainda cita que algumas das agências contratadas foram subcontratadas pela AM4. A ação está em fase de alegações finais. A reabertura da instrução foi determinada em 15 de outubro de 2019.

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